• O estranho mundo dos ricos
Cá estou eu, com quase 30 séries acumuladas pra atualizar, escrevendo sobre uma nova série que decidi começar com a minha noiva. The White Lotus esteve na minha lista durante muito tempo, por ser produzida pela HBO e por ter um formato que me agrada bastante: antologia, isto é, uma história pra cada temporada, ainda que pertençam a um mesmo universo. A 1ª temporada tem os seus defeitos, mas é impossível tirar dela a característica de ser marcante.
Sinopse
Na ilha de Maui, no Havaí, os funcionários do hotel de luxo The White Lotus recebem um pequeno barco com novos hóspedes. Entre eles, temos um casal formado por um homem em crise de meia-idade e uma mulher viciada em trabalhar; a filha petulante do casal e sua amiga, e o filho viciado em telas; uma ricaça em busca de propósito; e um jovem casal em lua de mel. Parece ser apenas uma viagem de milionários, mas já sabemos que alguém vai morrer ali naquela mesma semana…

Crítica
Duas coisas chamam a atenção na 1ª temporada de The White Lotus. A primeira delas é a trilha sonora. Em alguns momentos, ela pode parecer meio redundante, mas é composta de um jeito quase cômico, refletindo muito bem os absurdos que acontecem ao longo da trama. Não tem como assistir a essa série e não ficar com a musiquinha-tema na cabeça, como se fossem as transições de Hannah Montana.
O segundo elemento positivo tem a ver com a ambientação do enredo. Desde o início, a série deixa bem claro que praticamente todos os personagens ali são meio esquisitos, e aqueles que não se encaixam nesse padrão são sufocados perante os outros ou simplesmente deixados de lado pela trama, de um jeito que faz sentido, embora deixe um gostinho de quero mais. Com o tempo, a gente percebe que 90% dos personagens são desprezíveis e não dá pra torcer por eles, então só nos deixamos levar pelas maluquices.
Eu gosto também de como The White Lotus dobra a aposta o tempo todo. O principal argumento do roteiro é mostrar como a nível de riqueza é diretamente proporcional ao nível de excentricidade, como se o dinheiro estivesse vinculado à necessidade de ser diferente, de um jeito que, ironicamente, torna-se previsível. Isso é muito bem representado pela personagem da atriz Sydney Sweeney, que age como se fosse a filha rebelde, mas é apenas mais um produto do meio.
Antes de dar play no 5º episódio, fui checar pra ver se seriam oito no total, que costuma ser o padrão pra minisséries, e me surpreendi ao ver que eram somente seis. Pra uma série que leva tanto tempo pra construir minuciosamente cada personagem, eu esperava ver uma quantidade um pouco maior de capítulos, mas não é algo que necessariamente faz falta.
A minha grande ressalva com a 1ª temporada de The White Lotus tem a ver com o desfecho. Eu sei que a série não tinha como maior objetivo surpreender o público com o mistério envolvendo a morte citada no episódio inicial. Mesmo assim, achei que toda essa parte foi meio previsível e culminou em um final meio murcho, não fazendo jus à energia dos episódios anteriores. É como se o roteirista tivesse gastado toda a criatividade com os cinco primeiros capítulos e a primeira metade do sexto, mas quisesse resolver tudo de uma vez na conclusão. Sei lá, me deu a sensação de que ficou faltando alguma coisa.

Veredito
De certa forma, a 1ª temporada de The White Lotus me entrega o que eu esperava da série antes de conhecê-la. Uma história sarcástica que explora o quão ridículo o ser humano pode se tornar quando não sabe mais com o que gastar seu dinheiro, sob o comando de um elenco talentoso e um roteiro afiado. É uma temporada divertida, com personagens odiáveis e carismáticos na medida certa. Porém, a conclusão deixa um pouco a desejar e, pelo tanto que as pessoas falam desta série, eu esperava que ela fosse ser mais genial.

+ Melhor personagem: Tanya McQuoid
Eu já estabeleci que não consegui torcer por quase nenhum personagem, e esta categoria não é sobre isso. É mais sobre qual personagem gerou o maior impacto na temporada em questão. E não tem como pensar na 1ª temporada de The White Lotus sem lembrar-se da extravagância de Tanya e a ótima atuação de Jennifer Coolidge. Mas ressalto também o arco de Quinn e a interpretação de Murray Bartlett, como Armond.

+ Melhor episódio: S01E05 (“The Lotus-Eaters”)
Qualquer capítulo entre o segundo e o quinto poderiam ser listados aqui. Escolhi este por ser o encaminhamento do fim.

FICHA TÉCNICA
Nome original: The White Lotus
Duração: 6 episódios
Produção: EUA
Showrunner: Mike White
Direção: Mike White
Elenco principal: Murray Bartlett, Connie Britton, Steve Zahn, Jennifer Coolidge, Alexandra Daddario, Jake Lacy, Sydney Sweeney, Brittany O’Grady, Natasha Rothwell
—- OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. CASO NÃO TENHA VISTO, PULE ESTA SEÇÃO —-
- Em vez de comentar especificamente sobre os acontecimentos da trama, vou dar meus dois centavos sobre todos os personagens nos tópicos abaixo.
- Armond: por mais que eu ame ver ricos se ferrando, o Armond estava longe de ser uma pessoa boa, né? A pressão que ele exerceu pra poder transar com aquele funcionário; a maneira como ele tentou ferrar com o Shane, por mais que ele merecesse, era algo que poderia ter sido evitado; entre outras várias atitudes questionáveis. Não acho que ele merecia ter morrido, mas o comportamento irresponsável acabou levando-o a isso.
- Mark, Nicole e Quinn: sinceramente, não tenho muitas opiniões formadas sobre a Nicole, pra mim foi só uma personagem de apoio mesmo. Quanto ao Mark, confesso que me diverti com toda a história dele pensando que estava com câncer, e a tentativa de se aproximar do filho. E sobre o Quinn, é possivelmente o personagem mais são da temporada. Tirando o vício em telas e pornografia, algo comum pra idade dele, não parecia ser uma pessoa tóxica como os outros, apenas um jovem meio perdido na vida. E a melhor coisa que ele poderia ter feito no final era fugir da família maluca.
- Tanya e Belinda: se ela não fosse tão absurdamente rica, Tanya seria uma pessoa digna de pena. Achei sacanagem tudo que ela fez com a Belinda e a maneira como a iludiu, mas claramente a Tanya é uma mulher que não conseguiu se preparar pra vida adulta – é basicamente uma criançona. E a Belinda me incomodou em alguns momentos, quando estava toda hora querendo falar do projeto dela, mas não consigo culpá-la.
- Shane e Rachel: eu sei que esse era o intuito da personagem, mas a Rachel me deu sono. É disparadamente a personagem mais sem graça da temporada, com uma ingenuidade que beira a idiotice. E, no final das contas, ela ainda continuou com o Shane filhinho de mamãe. E que cara horrível, credo.
- Olivia e Paula: duas tontas, sério, e mais semelhantes do que pensam. Ambas são autocentradas e querem utilizar causas sociais só pra se sentirem melhores consigo mesmas, mas não passam de duas garotas hipócritas. A Paula acabou com a vida do Kai ao sentir aquela velha culpa estadunidense. Já a Olivia não tava nem aí pro sentimento de ninguém, incluindo a própria família.
- Lani: gostaria de ter visto mais dela. Todo o arco com a gravidez poderia ter sido estendido por mais tempo, foi mais engajante do que metade dos outros núcleos da série.
———- FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS ———-
Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco
Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco
Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco
Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco
Nota nº 5: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco
Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?



