Séries

Love, Victor: 1ª Temporada (2020)

• Um (bom) clichê

Waiting for the tiiiime, waiting for the plaaaaaceeee. And I, I, I, I, I need…

É praticamente impossível ouvir a música de abertura de Love, Victor e não ficar com ela grudada na cabeça por horas a fio. Eu assisti à temporada há semanas e só de pensar na série a música imediatamente retorna à minha mente. E digamos que não me ajudava muito a esquecê-la quando meu irmão mais novo a cantarolava todo começo de episódio. Pensa num grude. Bom, pra quem não sabe, Love, Victor se passa no mesmo universo de Love, Simon, alguns anos depois dos acontecimentos do filme. Eu comecei a ver a série antes do filme, e só fui assistir a este último antes do oitavo episódio, por sugestão do meu irmão. Os atores de Love, Simon talvez sejam mais talentosos, digamos assim, mas Love, Victor possui uma certa magia ausente em seu antecessor.

 

Sinopse

Victor Salazar é um garoto tímido e ansioso vivendo em uma nova cidade. Deslocado, ele rapidamente faz amizade com seu vizinho, Felix Westen, apesar de suas hesitações iniciais. Aos poucos, Victor busca se adaptar à sua nova realidade escolar, e tudo vira de cabeça pra baixo quando ele desperta a atenção de Mia Brooks, retribuindo sua afeição mesmo estando confuso em relação aos seus sentimentos – toda vez que se depara com Benji Campbell, por exemplo, seu coração parece palpitar mais rápido. Para piorar a situação, Victor começa a trabalhar no mesmo lugar de Benji, deixando sua incompreensão interna cada vez mais intensificada. Para tentar encontrar respostas, ele começa a trocar mensagens com um ex-aluno de Creekwood chamado Simon Spiers, o qual virou uma espécie de celebridade no colégio. Para sua surpresa, Simon não o deixa no vácuo.

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo…

Crítica

Victor é o típico adolescente numa jornada de autodescoberta. Mia é a garota aparentemente perfeita que todos da escola desejam, mas que só tem olhos para o novato. Felix é o amigo piadista, bem-humorado, e um tanto quanto inconveniente. Pilar é a irmã revoltada com a vida, Armando e Isabel os pais que não conseguem se entender. Adrian é o irmão mais novo que só aparece pra ser fofinho e engraçadinho. Lake é a menina obcecada pela popularidade, Andrew o atleta que pratica bullying e Benji o interesse amoroso. Todos os elementos de Love, Victor berraram na minha cara “EU SOU CLICHÊ!”, e a trama não se esforça muito na originalidade. Em alguns momentos, meus olhos giraram um pouquinho com tanta previsibilidade, e certos diálogos me irritaram.
Vale a pena assistir.

Pode não ter feito sentido eu iniciar a crítica metendo a porrada na série, mas não tinha como fazer diferente: ela realmente é tudo isso que falei. Os únicos personagens que parecem entregar algo de diferente são Victor e os pais dele. Os demais seguem uma cartilha muito conhecida de obras do gênero. Porém, eu não consegui deixar de ficar interessado. Como a série se passa na perspectiva do protagonista, a gente acaba se identificando com seus anseios e sofre junto com o cara. Além disso, os personagens que aparentavam possuir um único espectro revelam ter mais a dizer. É uma pena que isso tenha acontecido no final da temporada, mas ainda assim esteve presente.
A ambientação de Love Victor é simples, porém efetiva. Eu mergulhei de cabeça no mundo de Creekwood. Cheguei à conclusão de que a temporada merecia um Vale a Pena a partir do momento em que vi Love, Simon e percebi que não é fácil você criar aquele magnetismo de uma obra situada no ensino médio. Nem sempre é uma característica bem-sucedida, mas isso não foi problema para Love, Victor. Sim, os personagens são clichês, algumas partes foram incrivelmente forçadas e o roteiro repete momentos já mostrados com exaustão em outros filmes e séries. Apesar de tudo isso, eu queria saber o que iria se suceder. Eu queria saber quais casais ficariam juntos, como o Victor lidaria com sua confusão. Pra quem gosta da vibe de ensino médio na ficção e valoriza a representatividade, é uma excelente pedida; são apenas dez episódios com cerca de meia hora cada.

Quarteto Fantástico

Veredito

Love Victor é clichê, nem um pouco imprevisível e com personagens majoritariamente estereotipados. Mas cá entre nós, tem hora que só queremos ver uma série leve tratando de questões importantes com naturalidade. Love, Victor não é uma série pra se pensar, ficar analisando roteiro, atuações e fotografia, é uma série pra se divertir e entrar no clima. Se você deseja ver algo pra se distrair e maratonar sem esforço algum, pode adicionar em sua lista a primeira temporada desta obra da Hulu. Além do mais, ela explora com perspicácia um nicho ainda emergente no cinema e na televisão, e que tende a se tornar exponencialmente comum. Entretanto, deixo o aviso: caso seja mais exigente e não consiga apreciar algo sem qualidades técnicas exorbitantes e diálogos que te deixam boquiaberto, provavelmente Love, Victor não é pra você. Nota final: 3,9/5.

Será que os Salazar seriam da Sonserina em Hogwarts?

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Como eu sabia que o Simon era gay, eu fiquei pensando que iriam fazer diferente e o Victor seria na verdade bissexual. Fiquei quase a temporada inteira achando que era o caso, e pessoalmente julgo que teria sido mais interessante. Nunca vejo a bissexualidade sendo abordada em obras assim.
  • Tudo de bom a professora de teatro de Love, Simon no comando da diretoria da escola em Love, Victor. Melhor pessoa pra ser “promovida”.
  • Vamo combinar que o Benji é a pessoa mais sem sal da série e o Derek é um chato de galocha. Isso é uma opinião geral, certo? Aliás, achei muito sem noção a reação do Benji quando o Victor o beijou. Era só explicar a situação e bola pra frente, precisava daquilo tudo?
  • Eu fiquei com um pouco de birra da Mia no começo, confesso. Ela tava clichê demaaaais, ainda bem que deu uma melhorada no final com todo o rolê envolvendo o pai dela e a nova namorada (futura noiva) deste. E fiquei com pena quando descobriu sobre o Victor, ela não merecia aquilo.
  • O Felix também não me agradou tanto, inicialmente. Ele tava no limite entre o alívio cômico legal e o alívio cômico chato, muitas vezes pendendo pra esse último lado. Porém, ele apoiando o Victor e tratando bem a Lake, inclusive contando a história sobre a desorganização da casa envolvendo a própria mãe, o fez ganhar alguns pontos comigo. Sobre a Lake, ela também se tornou uma personagem bem mais cativante a partir do momento em que a máscara da suposta perfeição caiu, e surgiu uma garota cheia de inseguranças e pressionada a todo momento pela mãe, transformando-se em uma representação deveras real.
  • Eu já sabia que o Simon iria aparecer porque o meu irmão não fez questão de esconder em nenhum momento, então acabou não sendo uma surpresa. Só que foi legal de qualquer jeito ver os amigos dele apoiando o Victor, principalmente o Bram. Sério, melhor pessoa. E gostei muito também da parte em que é mostrado o jogo de basquete somente com homens gays, acho que foi bem simbólico pro momento que o Victor tava passando.
  • A reunião com os avós do Victor foi bem complicada. A tensão foi muito bem construída, só achei um pouco cringe quando o avô do nada começou a brincar de Frozen com o neto mais novo. Acho que tudo aconteceu rápido demais ali, mas dá pra perdoar.
  • Velho do céu, eu não sei se acho a Pilar legalzinha ou chata pra caramba. Ela já saiu tirando um monte de conclusões precipitadas sobre o Victor sem sequer falar com ele antes, e no processo acabou indiretamente com o relacionamento do Benji e o Derek (não que eu esteja lamentando).
  • Rapaz, que tanto de coisa no casamento dos pais do Victor. A Isabel o traiu com o chefe dele, o Armando agrediu o patrão e foi demitido, obrigando a família a se mudar. Acho que era só questão de tempo ambos pedirem um tempo, pra ter certeza se a melhor saída é o divórcio ou a reconciliação.
  • AAAAA pra que fazer isso no final???? Na hora que o Victor conta pros pais a respeito de sua orientação sexual, a temporada acaba. Quero até ver como vai começar a segunda, se vai ser imediatamente após aquele momento. Só nos resta aguardar.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Victor Salazar
Nenhum outro chega perto do protagonista, digo isso com tranquilidade. O ator Michael Cimino ostentou uma boa interpretação e o seu personagem foi feito de maneira correta para que pudéssemos nos preocupar com o seu destino.

Esta foto foi tirada em uma “cesta-feira”

+ Melhor episódio: S01E08 (“Boy’s Trip”)
Não tem nem como comentar muita coisa sobre este capítulo sem soltar spoilers, então vou falar somente que contém um momento que todos esperavam desde o início da série.

Seria ela o Pilar da casa?

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?