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CurtinhasdoLeleco #236 – A Meia-Irmã Feia (2025)

a meia-irmã feia

• Sacrifícios pela beleza

Elvira não é conhecida por sua beleza. Quando surge a oportunidade de conquistar o coração do príncipe em um baile que acontecerá em quatro meses, ela passa por procedimentos estéticos extremos.

Você acha que A Substância é difícil de assistir em alguns momentos, por causa do terror corporal que não economiza na hora de ser gráfico? Você franze demais o rosto na cena da faca em Faça Ela Voltar? Então é melhor não passar perto de A Meia-Irmã Feia. Sem dúvida nenhuma, é o filme que mais me causou repulsa até hoje. Eu precisei semicerrar os olhos em várias cenas, e em outras eu quase nem olhei pra tela.

Do jeito que eu falei, ficou parecendo que A Meia-Irmã Feia é um filme ruim, né, mas não é o caso. Não mesmo. Na estreia da diretora Emilie Blitchfeldt em longas, temos uma releitura sombria da história da Cinderela. Não, você não leu errado. Mas, em vez da princesa da Disney ser a protagonista, o foco tá em sua meia-irmã, que faz de tudo pra ser fonte de desejo em meio a uma estrutura social na qual um bom casamento é o caminho mais “fácil” pra uma mulher subir na vida.

Em questões técnicas, A Meia-Irmã Feia é sublime. A parte mais visceral é sem dúvidas relacionada ao som, de maneira geral. O barulho de vermes na barriga da personagem, a trilha sonora que acompanha a decadência gradativa… E os aspectos visuais não ficam muito atrás. Até por isso, o filme foi indicado a Melhor Maquiagem e Penteado no Oscar 2026. Se o filme tivesse efeitos práticos ruins, já seria bom por causa de sua trama. Como a maquiagem é impecável, a obra alcança um patamar que culmina na repulsa, pois é isso que o filme deseja passar.

A Meia-Irmã Feia retira toda a inocência de uma história tradicionalmente virtuosa, leva os personagens (e o público) ao limite e pode até ser desagradável de ver, mas é excelente – narrativa e artisticamente. Além disso, é uma prova de que releituras de contos conhecidos não se perdem, mas demandam criatividade e ousadia pra fugir do lugar comum.

Eu sou a da direita assistindo a esse filme

 

FICHA TÉCNICA

Nome original: The Ugly Stepsister
Duração: 1h45
Países: Noruega, Dinamarca, Romênia, Polônia e Suécia
Direção: Emilie Blichfeldt
Elenco principal: Lea Myren, Thea Sofie Loch Næss, Flo Fagerli, Isac Calmroth, Ane Dahl Torp, Malte Gårdinger, Katarzyna Herman, Cecilia Forss

 

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Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou do filme. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?

Publicado por Luiz Felipe Mendes

Fundador do blog Pitacos do Leleco e referência internacional no mundo do entretenimento (com alguns poucos exageros, é claro).