Séries

Diário de Horrores: 1ª Temporada (2017/18)

• Black Mirror para crianças

Perspectiva é um negócio interessante. Se você vai consumir um filme de terror e acaba dando risada das situações apresentadas, pode até se divertir com a experiência, mas provavelmente vai sentir decepção pelo produto não ter sido aquilo que você esperava. Se tá atrás de um filme leve de romance e ele te entrega uma grande carga dramática, você pode até gostar do peso, mas talvez não te atinja da maneira correta porque não era aquilo que estava esperando. É preciso ter essa noção pra assistir a Diário de Horrores. Se você for enganado pelo nome e achar que vai ser algo parecido com A Maldição da Residência Hill ou até American Horror Story, seu desapontamento tem tendência a ser gigantesco. Mas, sabendo que se trata de uma série com alto teor infantil, pode ser um divertido passatempo.

 

Sinopse

A primeira temporada conta com um total de 13 episódios, sendo que o último é dividido em dois. Cada capítulo é sobre uma história fictícia diferente, com atores distintos e a única semelhança sendo a nacionalidade de todos: a britânica. Por isso, o elenco inteiro possui aquele sotaque bem específico. Além disso, os episódios têm em comum a sua essência, que é apresentar uma trama com aspectos sobrenaturais e, frequentemente, com alguma lição de moral ao fundo. Na ordem, “Slapstick” fala sobre pessoas sendo transformadas em fantoches. “Cat Food” é sobre uma vizinha misteriosa com segredos arrepiantes. “Trolled” aborda o bullying em forma de metáforas. “Marti” traz a questão do nosso vício em celulares. “A Boy Called Red” tem nuances de viagem no tempo, amizade e relação entre pai e filho. “The Call” foca em uma garota que não se encaixa dentro de si mesma. “Bravery Badge”, em uma jovem fora dos padrões dentro de um acampamento de escoteiras. “Spaceman” tem alienígenas. “Kindlesticks”, uma noite horripilante vivida por uma babá. “Shed No Fear”, portais dimensionais. “The Traveller”, um botão com poderes de congelar o tempo. “Side Show”, em suas duas partes, é sobre um circo com pessoas desprezadas pela sociedade. Por fim, a figura do “Curioso”, um enigmático personagem que aparece em todas as introduções, dá um ar de misticidade à Diário de Horrores.

Assassin’s Creed

Crítica

Assim como acontece com séries tais quais Black Mirror, pra julgarmos toda a temporada de Diário de Horrores precisamos primeiro analisar cada capítulo separadamente. Vamo começar pelos piores. “Spaceman” e “The Call” não disseram a que vieram. O primeiro apresenta um enredo bastante previsível, apesar de um final legalzinho. O segundo parece proveniente de uma produção B, também com elementos muito batidos e usados exaustivamente em outras produções. “Slapstick” também acaba decepcionando porque traz uma temática com potencial, mas se limita a dar uma lição de moral tão escrachada que invalida o restante. “Marti” e “Cat Food” são medianos, dá pra assistir e se entreter, sobretudo com este último. “Side Show” tem uma produção notavelmente superior aos outros episódios em quase todos os sentidos, mas a história não me prendeu como algumas outras. Ainda assim, é boa. “Shed No Fear” e “Kindlesticks” são bem criativas e me deixaram genuinamente satisfeito. “Bravery Badge” me agradou muito, apesar de interpretações não muito inspiradas. “Trolled”, “A Boy Called Red” e “The Traveller” são os três melhores, misturando criatividade e uma trama bem fechadinha e surpreendente.
Todos os capítulos compartilham algo entre si: atuações pra lá de questionáveis. O elenco escolhido pelos produtores tá longe de ser destaque, a maioria dos personagens parece forçada e artificial. O roteiro também tem falas não muito convincentes e uma necessidade quase urgente de entregar uma moral quando ela não precisaria ser tão sublinhada. No lado positivo, não dá pra negar que os responsáveis por Diário de Horrores esbanjaram criatividade, porque todas as tramas possuem suas particularidades e os cenários dificilmente se repetem. A duração de 20 minutos em cada episódio funciona bem, se fosse no formato de 40 minutos ou mais o resultado não seria o mesmo. Ah, e não vá esperando por um terror de te deixar com olhos esbugalhados ou algo do tipo, porque não é. É uma série infantil, infanto-juvenil no máximo, com personagens desta faixa etária e uma abordagem igual.

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Veredito

Creeped Out, em seu nome original, não pode ser tratada como algo assustador; isso desviaria a perspectiva correta do que se quer passar. Talvez até seja medonho para o principal público-alvo, mas se você tem mais de 13 anos a probabilidade disso te atingir desta maneira é baixa, muito baixa. Portanto, assista se tiver interesse em ver algo sem muita pretensão, pra distrair a cabeça e que dispense pensar muito. A série é criativa, embora excessivamente didática, e só pode ser plenamente apreciada quando se relevam as bobeiras e os defeitos dos bastidores. Se não fosse tão voltada para crianças, eu a classificaria como Mais ou Menos, mas volto a bater na tecla da perspectiva. Por isso, acho que vale um Bom Entretenimento pra quem a produção se destina, quando nos colocamos em tal lugar. Nota final: 2,6/5.

Dustin e Lucas estão meio diferentes

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Só pra constar, por que diabos a Netflix trocou a ordem dos episódios? Mas ok, vamo lá. “Slapstick”: todo o rolê dos pais se transformarem em fantoches foi instigante, mas quando eu percebi que era basicamente pra passar o recado de não ter vergonha dos pais, confesso que fiquei com um pouco de preguiça.
  • “Cat Food”: um exemplo perfeito de que não se pode enganar um enganador. Cê trapaceou e derrotou uma velhinha em um jogo de cartas? Pois bem, ela vai se transformar em sua irmã.
  • “Trolled”: eu não sei se sou lerdo, mas não esperava por aquele negócio do trollador se transformar em um troll. Eu nem tinha percebido, pra falar a verdade, minha namorada que me esclareceu. De qualquer forma, foi daora a mensagem, não achei forçada como em “Slapstick”, por exemplo.
  • “Marti”: massa de ver porque vai batendo o desespero dela não conseguir se livrar daquele celular, e o desfecho talvez tenha sido o mais parecido com Black Mirror na temporada, quando ela volta pra conversar com o celular cimentado na calçada.
  • “A Boy Called Red”: esse eu captei antecipadamente o plot twist do filho ter conhecido o pai no passado, mas isso não diminui a eficácia do mesmo. Só fiquei pensando no tamanho do paradoxo que aquilo tudo criou, porque tecnicamente o garoto alterou a linha do tempo. Mas ok, esse é o meu lado Doctor Who aparecendo.
  • “The Call”: basicamente H2O: Meninas Sereias. Meio bobinho.
  • “Bravery Badge”: tanta atuação ruim e aquela personagem diferentona me irritaram um pouco, mas o rolê dos bichos entrando nos ouvidos e a melodia que os infectados cantavam foi bizarro. Só não compreendi como os antigos infectados sequer envelheceram.
  • “Spaceman”: alienígena burro pra caramba, como que caiu naquele truque argumentativo do menino? Aí é foda, parceiro.
  • “Kindlesticks”: melhor plot twist da temporada. O menino era pra ter sido menina e na verdade era o bichão do mal. Genial.
  • “Shed No Fear”: essa história poderia facilmente virar um filme no estilo Goonies. Foi muito divertido acompanhar a jornada dos dois moleques viajando entre portais e derrotando sombras, apesar dos personagens terem sido caricatos ao extremo.
  • “The Traveller”: pooooorra. Como eu queria ter aquela caixa capaz de parar o tempo. Nossa, daria tudo pra conseguir fazer aquilo. Bom, talvez não minha mão pra ser queimada por um cara azul, mas vocês entenderam.
  • “Side Show”: gastaram todo o orçamento da temporada neste episódio. Os atores são consideravelmente melhores e a história é legal. Não esperava que fossem todos animais. Prefiro não questionar a lógica por trás daquilo, senão eu teria muitas perguntas na minha cabeça.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Ashley
Em uma série que não tem como ser reconhecida por suas boas atuações, esta pessoinha (da direita) chama a atenção pela sua presença tranquila em cena, além de ser uma personagem no mínimo interessante.

Expressões de Quem Fez Algo de Errado.jpeg

+ Melhor episódio: S01E11 (“The Traveller”)
Os dois atores principais não são incríveis, mas o conceito do capítulo é tão original (pra mim, pelo menos) que me inspirou a escrever algo de tema parecido no futuro, quem sabe.

Não tem como olhar pra esse maluco e não lembrar de Tim Infinity

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?