Séries

Westworld: 1ª Temporada (2016)

• Robot Dead Redemption

A HBO teve que arcar com uma missão complicada.
Com apenas duas temporadas para o fim de Game of Thrones, o atual carro-chefe da empresa, o objetivo era encontrar uma nova série para preencher o espaço que GoT eventualmente deixará. Imagine o tanto que deve ser foda tentar arranjar um sucessor para uma série cheia de dragões, zumbis, cenas de amor, anões, crianças irritantes e muito sangue. Uma tarefa no mínimo complicada.
E eis que surge Westworld. A proposta da série mistura o Velho Oeste e robôs, algo que faz a gente ficar meio “como assim” e pensar automaticamente que a história deve ser uma bagunça. Contudo, a HBO não costuma decepcionar, né.
Baseado no filme homônimo de 1973, o enredo é sobre um parque construído com um cenário do Velho Oeste em que clientes pagam para visitar e fazer o que desejam naquele mundo. Não entendi, cara, explica essa fita aí direito. Tente imaginar o seguinte: você é uma pessoa rica e tá a fim de fazer alguma coisa diferente, por isso vai num Beto Carrero da vida para ver como é. Só que, no caso, o Beto Carrero da série é todo ambientado no Velho Oeste, e se você quiser pode sair matando todo mundo, simplesmente porque os habitantes daquele lugar são robôs criados para parecerem humanos.
Mas e se eu atirar num cliente pensando que era um dos robôs? Não tem problema nenhum, meu amigo! As balas do parque não atingem os visitantes, então em teoria não teria como você e nem outro ser humano morrer. Resumindo, Westworld é como se fosse um GTA do Velho Oeste em que você em pessoa participa do jogo. Se desejar, pode participar de alguma das narrativas do parque; caso não esteja interessado, pode simplesmente ir tacando o foda-se pra todo mundo ali.
Como em toda história de robôs que se preze, o desenvolvimento de uma consciência não-humana é um dos temas centrais. A série faz constantemente a seguinte pergunta: o que nos faz estar vivos? O que é exatamente a consciência? Bem filosófico, pois é.
Agora que já expliquei mais ou menos do que se trata Westworld, devo dizer o que achei. Logo nos primeiros momentos, já percebemos um potencial gigante na série – assim que terminamos de assistir à abertura e começamos a entrar naquele universo fictício. Uma das primeiras grandes qualidades que notei foi a trilha sonora, impecavelmente foda.
Assim como em Game of Thrones, Westworld não possui exatamente um protagonista. O nome de mais peso da série é sem dúvidas o de Anthony Hopkins, o Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes, e só acho que sua atuação dispensa elogios. O cara é monstro demais, não tem como. Por falar nisso, ótimas atuações é algo que não falta em Westworld, algo muito nítido nas cenas dos robôs, por exemplo.
Os personagens da série são extremamente bem construídos e fica difícil decidir qual é o nosso favorito. Alguns gostam da Dolores, outros preferem a Maeve, mas todos eles têm seu espaço. Até mesmo Hector, interpretado pelo brazuca Rodrigo Santoro, é um personagem que desperta a simpatia da gente, apesar de ser um bandidão do Velho Oeste.
Agora vamos partir pro ritmo da série. Os primeiros episódios são bem agitados e muita coisa acontece, deixando a gente com uma puta vontade de maratonar. Porém, na metade da temporada, a trama esfriou um pouquinho e me fez pensar se eu daria 4 ou 4,5 Lelecos pra Westworld. Contudo, os momentos um tanto quanto paradões ganham sentido por causa das reviravoltas dos episódios finais. No último episódio eu já mudei minha opinião, e enquanto escrevo esta parte da crítica ainda fico um pouco em dúvida se dou 4,5 ou 5 Lelecos.
Para decidir isto, precisei conversar com meus irmãos e meu pai, com os quais assisti à série. Algo que meu irmão mais velho disse me ajudou a tomar a decisão: a série é extremamente bem produzida. O roteiro é fechadinho, a trilha sonora é foda, os personagens são fodas, tudo é foda nessa caralha. Talvez em alguns momentos a história tenha ficado um pouco mais lenta, mas concluí que não o suficiente para abaixar a nota, sendo que o desfecho traz uma explicação para tudo isto.
Se alguém tinha receio de que Game of Thrones nunca acharia um substituto à altura, queimou feio a língua. Porque em questão de produção, atuações e enredo, Westworld não deve nada à série westerosi.

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • A Dolores me lembra muito a Sansa Stark (inclusive por ser meio sem graça no começo) e ninguém vai tirar isto da minha cabeça.
  • Teddy morreu mais que eu tentando zerar God of War III no modo Chaos.
  • Argh, não consegui gostar da Maeve. Ver a cara presunçosa dela murchar quando descobriu que não controlava nada foi bom demais.
  • Caaaara, eu não esperava que o Homem de Preto fosse o William. O massa é que tinha gente falando nos comentários do segundo episódio que já desconfiava. Como desconfiaram logo no segundo episódio?? Pra mim é conversa, não é possível.
  • Será que podemos dizer que Westworld tem mais nudez que Game of Thrones?
  • Que comédia a cena do Hector fazendo o discurso e levando um tiro logo depois, hahaha
  • Você pode até ser esperto e tudo mais, mas nunca será igual Robert Ford e sua genialidade. Ele morrendo de forma parecida com a do Arnold foi perfeito, cara.
  • R.I.P. Theresa e Elsie :/
  • Se bem que eu nem gostava da Theresa, quem tô querendo enganar.
  • Acho que eu não manjo muito das reviravoltas, porque não esperava que o Bernard fosse um robô também.
  • Perguntem pra Siri se ela já viu Westworld. Sério.
  • Talvez eu tenha tido uma quedinha pela Hale, talvez.
  • Sem palavras pra cena do Lutz checando se era um robô kkk
  • Dolores sendo o Wyatt foi uma reviravolta interessante.
  • Aaaaaaaaa SamuraiWorld aaaaaaa vem logo, 2018!

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Robert Ford
Eu não conseguia decidir quem era o melhor até o último episódio, em que tudo ficou claro para mim. Palmas para Anthony Hopkins (insira emojis de palminhas aqui).

Robert fazendo um tributo ao Deus de Muitas Faces
Robert fazendo um tributo ao Deus de Muitas Faces

+ Melhor episódio: S01E10 (“The Bicameral Mind”)
Uma das melhores season finale que já vi, sem mais.

Filho de Sean Bean
Filho de Sean Bean

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?