Séries

3%: 1ª Temporada (2016)

• O poder dos BR

Minha história com 3% é bem diferentona.
Primeiro porque comecei a assistir pouco tempo depois dela ter lançado, ou seja, finalzinho do ano passado. Chamei minha mãe para ver comigo (primeira vez que assistiríamos juntos à uma série) e meu irmão mais novo, e assim começamos a acompanhar a primeira série brasileira produzida pela Netflix.
Vimos o primeiro episódio, gostamos. Logo depois o segundo. Alguns dias pra frente partimos pro terceiro. Depois de algumas semanas devoramos o quarto e o quinto. E sim, paramos por aí. O negócio foi o seguinte: como começamos na metade de dezembro, com as festas de fim de ano ficava complicado reunir nós três para maratonar mais capítulos, por isso fomos sempre deixando para depois.
O tempo passou e continuei chamando os dois para assistir. Nunca dava certo. E assim os dias se tornaram semanas, as semanas se tornaram meses, e a gente lá empacado no sexto episódio. Depois de mais de quatro meses chamando os dois para acompanhar comigo, desisti – eu precisava fazer logo este pitaco.
É verdade que quando parti pro ep número 6 já não lembrava mais de vários detalhes. Ao longo das cenas, porém, os momentos mais marcantes foram voltando à minha mente e consegui terminar entendendo a trama toda sem muitas dificuldades. E agora que já compartilhei minha história super emocionante, vamo concentrar na própria produção.
3% chegou com bastante hype no mundo das séries. Todo mundo na época do lançamento comentava coisas como “me-ni-na, cê viu a série BR da Netflix, que luxo??” ou “ai, acho que vai flopar, brasileiro só faz merda” e outros exemplos do tipo. A verdade é que este complexo de vira-lata infelizmente acaba afastando o público brasileiro em geral das próprias produções brasileiras, o que é bem sem sentido. Tenho certeza que se alguns filmes nacionais que não fizeram tanto sucesso assim tivessem sido produzidos pela galera de Hollywood exatamente da mesma maneira, a repercussão teria sido muito maior positivamente.
O enredo de 3% chega um pouco atrasado. O que cê quer dizer, ó querido Leleco?, você me pergunta. O que eu quero dizer, caro (a) leitor (a), é que por 3% ser uma distopia ele já chega um pouco defasado depois de obras como Jogos Vorazes, Divergente Maze Runner. Pra quem não sabe, originalmente 3% teve um episódio piloto lançado láááá em 2009, mas pela falta de apoio não teve continuação. Seis anos depois, a Netflix teve a ideia de apostar na história e um ano após isso ela se tornou disponível no catálogo da empresa.
Enfim, chega de lenga-lenga. No mundo futurista de 3%, a sociedade é dividida em dois grupos principais: os habitantes do Continente (o povão, a pobreza, os mano das quebrada) e o Maralto (os burguesinhos e riquinhos que usam blusa da GAP e frequentam o Starbucks). Todo cidadão do Continente que completa 20 anos tem a oportunidade de passar para o Maralto por meio do Processo (já reparou que nas distopias praticamente toda palavra tem letra maiúscula?), um processo (ah vá) no qual apenas 3% dos candidatos passarão e chegarão ao lado de lá.
O Processo nada mais é do que uma série de desafios psicológicos, físicos e emocionais, com diferentes fases e níveis de dificuldade. Em alguns os candidatos têm que ser estrategistas, em outros devem trabalhar em equipe, e por vezes simplesmente precisam pensar racionalmente. O ponto de todo o Processo é dizer que apenas os mais dignos passarão por seu próprio mérito, causando uma competitividade intensa e maior até que a de A Fazenda.
A trama principal não é lá muito original, é verdade, porém possui seus diferenciais. Além de contar com atores brasileiros falando nossa querida língua e não americanos falando o ingrêis, a série possui suas qualidades, tais como alguns personagens e suas backstories por meio de flashbacks bem colocados, a diversidade sem a necessidade de ficar sendo forçada (veja na imagem abaixo), as provas do Processo e a forma como a história avança, sem enrolações mas com a característica de não ser rasa.

Vrau

Contudo, obviamente também tem seus defeitos. As atuações são um deles, algumas vezes sofríveis, outras apenas medianas. Alguns atores são realmente bons, como o do Ezequiel, que é de fato acima da média. Por outro lado, temos o do Fernando, um personagem cadeirante e que tinha potencial para ser bem interessante, o qual acaba dando preguiça de ver, principalmente nos episódios finais. Outro demérito da série é a construção do mundo fictício, às vezes ficando com um roteiro meio mal explicado. Efeitos visuais estranhos e um tanto quanto ruins também fazem parte do pacote, e poderiam ter sido evitados se os produtores tivessem feito o simples, o feijão com arroz.
Apesar de a protagonista ser Michele, uma jovem que é contra o sistema e que quer passar no Processo para desmantelá-lo por dentro, não é ela que brilha, pois este espaço é de Joana e Rafael. A primeira eu particularmente não curti muito simplesmente pelo fato de ser bem estereotipada, mas o segundo foi o grande destaque, com seu jeito meio cuzão de ser. Talvez o personagem mais bem construído seja Ezequiel, outra grata surpresa, mas ainda assim continuo optando pelo Rafael.
A série termina com um óbvio gancho para uma próxima temporada, deixando-nos com uma boa expectativa para os eventos que virão. 3% tem potencial pra caramba, foi bastante elogiada inclusive por gringos, mas ainda precisa corrigir algumas falhas para se tornar assim uma distopia diferenciada.

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Sei que esta piadinha já foi feita várias vezes, mas o Marco não gosta muito dos 3%. Acho que ele prefere 1,5%.
  • Fernando mais iludido que eu achando que iria passar no ENEM.
  • Joana enfrentando o Ezequiel foi bem legal, sinceramente não esperava por aquilo. Joana is the new Tordo.
  • Caraaalho, será que o irmão da Michele tá realmente vivo? Pesado.
  • Tadinha da Ágata, enlouqueceu de vez mesmo.
  • Mano, não sei se eu seria capaz de abandonar a minha capacidade de ter filhos. Rafael/Tiago teve que ter tido bastante coragem pra fazer aquilo sendo que era um dos sonhos dele.
  • Michele só não é mais burra porque não tem jeito, né. Credo, que protagonista zzzzz
  • Fala sério, todo mundo sabia que outra pessoa pegaria o copo do Ezequiel por engano. Bem previsível, poxa.
  • Aline é tipo a Rihanna brasileira. Não é possível que só eu as tenha achado um pouco parecidas.
  • E por falar nela, puta jogada inteligente do Ezequiel em armar contra a rival. Que homem.
  • Como eu vi num comentário em algum lugar, acabou a temporada e eu ainda não decidi o que pensar do Ezequiel. É uma bela relação de amor e ódio.
  • O Marco parece uma fusão do Christian Grey e do Finnick de Jogos Vorazes.
  • AH É e que cena foda aquela do último episódio em que ele quebra a pia lá com uma garrafa de vinho e fica tudo parecendo sangue. Muito bem feita a fotografia.
  • Será que o casal fundador é a Xuxa e o Pelé?

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Rafael
Apesar de Ezequiel ser o mais bem desenvolvido e Joana a mais popular, Rafael é o que mais me agradou como personagem, considerando todas suas ações ao longo dos episódios.

A forte expressão de quem sabe que é o rei da série

+ Melhor episódio: T01E04 (“Portão”)
Ainda que o episódio 5 seja o melhor em questão de drama e roteiro, devido à série de acontecimentos desencadeados neste capítulo acabo dando o prêmio a ele.

Baseball improvisado

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?