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DCLeleco #04: Mulher-Maravilha (2017)

• Volta por cima

Esta é a primeira vez que eu concordo quase que plenamente com as críticas. A principal razão pela qual eu criei o meu blog foi justamente porque eu muitas vezes não concordava com a crítica especializada e tinha preguiça de tanta gente seguindo algumas opiniões simplesmente por serem legitimadas por algum veículo. Contudo, isso não quer dizer que eu seja do contra, que eu vá discordar da opinião geral só pra ser o diferente. Eu simplesmente espero pra ter o meu próprio entendimento de uma obra, e não me importo se isso vai de encontro ou não com o pensamento alheio. Por isso, de vez em quando acontece da minha visão se alinhar com a dos críticos, como em Mulher-Maravilha.
Depois do sucesso da personagem em Batman vs Superman, era hora da DC provar que é possível sim fazer história de ação, agora especificamente em um universo de super-heróis, com uma mulher sendo a protagonista. Era uma oportunidade de ouro em que a empresa simplesmente não podia errar. Imaginem se tivesse saído um filme ruim. Os nerds chatos que se dizem fãs só por lerem quadrinhos iriam falar que não ficou bom porque quiseram “inventar” uma mulher como personagem principal, semelhante a quando xingam a Marvel por introduzir personagens dentro de minorias. Se a DC errasse, tenho certeza que muita gente aproveitaria o momento para destilar preconceito.
Não foi o que aconteceu, graças a Zeus. Na época que Mulher-Maravilha entrou no cinema, eu não tava muito empolgado por causa do fracasso de Esquadrão Suicida. Mesmo ouvindo tanta coisa boa do novo filme, eu nunca peguei um tempo pra assistir a história de Diana Prince, só fui ver um ano depois do lançamento. E é um baita filmão. O roteiro opta por contar a origem da icônica heroína, contextualizando aquela foto que vimos em BvS, em que a personagem estava em um ambiente da Primeira Guerra Mundial. Todos aqueles acontecimentos são abordados e é quase tudo muito bom.

O Poliglota, o Piloto, a Líder, o Cowboy e o Atirador de Elite

Uma das maiores qualidades é a naturalidade do filme. Sem precisar forçar causas sociais, a Mulher-Maravilha surge como uma forte causa social simplesmente por existir, não precisa ficar se afirmando. A personagem é natural e nos dá um tapa na cara ao pensar “mano, por que só agora foram fazer um filme assim?”. É claro que já houveram obras de heroínas, mas a Marvel lançou quase 20 filmes em seu Universo Cinematográfico e nenhum deles foi focado em uma mulher. A DC, no quarto capítulo de seu Universo Estendido, aceitou o desafio, dando um novo gás que rendeu inúmeros elogios.
No resumo do enredo, o filme conta a história de Diana (Gal Gadot), uma Amazona que é a única criança de sua ilha, Temiscira, habitada somente por um público feminino. Ao longo do tempo, as perguntas são respondidas, como quem são as Amazonas, por que só existem mulheres naquele local, onde fica a ilha e que tipo de espécie elas são. Com o desenrolar da trama, Diana deixa seu lar para enfrentar a ameaça de Ares, o Deus da Guerra, depois de ouvir o relato de um soldado estadunidense, Steven Trevor (Chris Pine). Pra quem não sabe, a DC toca muito no viés de mitologias, e a Mulher-Maravilha é uma das que mais tem relação com esse assunto.
Depois da tragédia de Esquadrão Suicida, a sequência do Universo Estendido da DC é um alívio, uma surpresa e um deleite. A história é boa, a direção de Patty Jenkins é eficiente e o elenco tá bem entrosado, com nomes como Robin Wright (Antíope), David Thewlis (Sir Patrick Morgan), Connie Nielsen (Hipólita) e Danny Huston (Erich Ludendorff). Elena Anaya, de A Pele que Habito, também está presente como a Doutora Veneno. Além disso, a química entre os personagens secundários também é bem realizada, e a produção dá um show na trilha sonora. Nem costumo prestar atenção nisso, mas depois do filme anterior ficou mais do que evidente a sua importância.

A Ameaça e o Veneno

Isso não significa, no entanto, que Mulher-Maravilha é impecável. Duas coisas me incomodaram bastante. A primeira é a quantidade absurda de slow-motions, saturando e deixando algumas cenas de ação muito chatas. É um recurso legal só quando é usado na hora certa e com parcimônia, quando fica exagerado transforma momentos que seriam épicos em uma tentativa de deixar tudo mais simbólico, acabando com uma grande parte do impacto das cenas. O outro defeito é o chamado “terceiro ato”. Explicando de forma bem simplista, é a parte de um filme em que acontecem os conflitos finais, em que o enredo se encaminha para o desfecho. Quando Mulher-Maravilha alcança as últimas batalhas, o filme perde um pouco a graça, e o pior é que eu não sei exatamente o que me incomodou tanto. Não sei se foi o antagonista, a sequência, mas destoou do restante do filme, tão dinâmico e gostoso de assistir.
Em um saldo geral, talvez seja a melhor obra do Universo Estendido da DC, mas tenho que deixar registrado o fato de que, em minha opinião, Mulher-Maravilha não pode ser comparado com BvS, da mesma forma que Capitão América: O Primeiro Vingador não pode ser colocado na mesma prateleira que Os Vingadores. Se formos considerar filmes com contornos mais modestos, no entanto, é bem óbvio que O Homem de Aço comeu poeira e ficou para trás.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO O FILME. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • No final, senti falta da Diana voltando pra Temiscira pra dar uma satisfação pra galera. Acho que ficou faltando pelo menos um parecer de como as Amazonas estavam.
  • Graças a Zeus, Ares, Poseidon, Hades, Héstia, Afrodite, Hefesto, Hermes, Dionísio, Apolo, Ártemis, Hélio, Hera, Hércules, Deimos, Fobos, Éolo, Atena e todos os outros deuses da mitologia que não estragaram a cena em que a Mulher-Maravilha emerge das trincheiras rumo às balas inimigas. Na hora que o cara lá falou “nenhum homem jamais atravessou a Terra de Ninguém!”, eu fiquei com um cagaço de que iriam fazer a Diana dizer “pois eu não sou nenhum homem”. Teria sido o clichê dos clichês, ainda bem que não rolou.
  • Fala sério, não dá pra levar a sério um DEUS DA GUERRA com um bigodão de chef francês. Pegaram um ator foda com uma voz poderosa, mas a caracterização foi triste. E era meio óbvio que o Ares não seria o Ludendorff, né, mas fiquei até surpreso pelo fato de ser o Sir Patrick.
  • E já que estamos um pouco nesse assunto, volto a dizer: eu realmente não sei o porquê do terceiro ato ser tão esquecível. Não sei se foi porque aquele sequência de batalha a partir do momento que a Mulher-Maravilha sai das trincheiras é incrivelmente épica (ainda mais com aquela música-tema deliciosa), se foi o vilão que surgiu de um personagem pouco explorado, se foi a duração que deveria ter sido menor, sei lá. Só sei que antes disso eu tava empolgadaço, mas terminei o filme meio entediado.
  • Isso pode parecer meio retardado, e sei que não tem nada a ver, mas toda hora que a Doutora Veneno aparecia na tela eu me lembrava do N. Gin da franquia de jogos Crash Bandicoot.
  • Eu simplesmente AMO histórias em que uma pessoa está deslocada no mundo ou no tempo. Tudo o que fizeram com a Diana foi o que poderia ter acontecido com o Thor, mas a DC soube fazer isso bem melhor. As cenas dela em Londres pela primeira vez são impagáveis. Ponto pra eles.
  • Hipólita quando Diana diz que vai sair pra enfrentar o Ares: “vai sair o caralho, fica aqui que eu sou sua mãe”. Hipólita quando Diana sai pra enfrentar o Ares: “vai lá, filhona, eu sabia que não poderia te impedir mesmo”. Ok, né.
  • Velhoooo, pra quê tanto slow-motion??? As lutas da Mulher-Maravilha com seu chicote, seu escudo e sua espada exigiam uma outra cadência, um ritmo acelerado. Em vez disso, a direção optou por botar um efeito a cada 10 segundos, ficou irritante.
  • A morte do Steven Trevor é aquele típico acontecimento que a gente sabe que é inevitável, mas ainda assim sofre um pouco.
  • Diana é semideusa, caraio, quero ver alguém bater de frente agora.
  • Será que se os produtores da DC estivessem amarrados pelo Laço da Verdade eles assumiriam as cagadas que fizeram no planejamento do Universo Estendido?

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Diana Prince
Carismática, forte, bem interpretada e inspiradora. Em menos da metade de um filme, a Mulher-Maravilha já se firmava como um dos carros-chefe da DC no cinema. Agora, ela se consolidou de vez.

Mais um dia comum em Londres

+ Maior decepção: Ares
Todo mundo concorda que poderia ter sido melhor. Respeito a opinião de quem pensa diferente, mas ela tá errada.

Faltou foi um Kratos nesse filme

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?