Filmes

MCULeleco #20 – Homem-Formiga e a Vespa (2018)

• O Reino Quântico

Pode parecer meio broxante assistir a um filme do Homem-Formiga depois de ter visto um motherfuckin’ Guerra Infinita. Não vou negar, não deixa de ser um pouco. É tipo acompanhar um jogo da Série B do Brasileirão depois de ter visto uma partida da Liga dos Campeões. É como comer um pedaço de bolo de leite ninho e descobrir que tem abacaxi. É como ir a um show de Sandy & Júnior e descobrir que o open bar é só de água. Bom, acho que vocês entenderam a ideia, mas talvez eu tenha sido um pouco duro. Homem-Formiga e a Vespa é legal, divertidinho, mas totalmente ofuscado pelo seu capítulo anterior no calendário do MCU.

 

Sinopse

Scott Lang (Paul Rudd) foi condenado a dois anos de prisão domiciliar. Como lutou pelo lado contrário da Lei nos eventos de Guerra Civil, ele, a exemplo do Gavião Arqueiro, optou por fazer um acordo com o governo para proteger a sua família. Heróis como o Capitão América escolheram continuar fugindo, mas Lang precisou tomar outra decisão para não atingir a sua filha, Cassie (Abby Ryder Fortson). Assim, ele passou um longo período dentro de sua própria casa, com a companhia de uma bela tornozeleira eletrônica.
No final de sua sentença, Scott é contatado por Hank Pym (Michael Douglas) e Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), ambos foragidos. Os dois pedem ajuda em uma nova missão importantíssima, a qual ele reluta em aceitar. Porém, é claro que o Homem-Formiga acaba se envolvendo de uma forma ou de outra, o que o coloca no meio de uma confusão envolvendo o Reino Quântico – aquele em que ele havia entrado no primeiro filme -, uma mulher que consegue atravessar paredes, com a alcunha de Fantasma (Hannah John-Kamen), um negociador do mercado negro chamado Sonny Burch (Walton Goggins), histórias sobre o passado de Hank e Hope e muito mais. Ah, vale lembrar que a Hope não é mais “apenas” uma diretora fodona de uma empresa. Ela agora participa da ação, herdando a identidade de sua mãe, Janet, como a nova Vespa.

Ai, minha labirintite

Crítica

É difícil comparar essa sequência com a primeira obra. Os timings de cada uma são muito diferentes. Homem-Formiga veio depois de Era de Ultron e, embora o segundo filme dos Vingadores tenha sido muito bom, ele não deixou os fãs com um hype gigantesco depois que estreou. Homem-Formiga e a Vespa, por sua vez, tinha uma missão consideravelmente mais complicada, porque qualquer coisa que viesse depois de Guerra Infinita soaria mediano. Afinal, o auge do MCU havia passado, e retomar o interesse novamente no Universo Cinematográfico da Marvel, ainda mais com um longa meio independente, era uma tarefa ingrata.
Em alguns aspectos, a saga evoluiu, mas em outros caiu um pouco. Dentre as qualidades, ressalto as figuras de Hope Van Dyne e Hank Pym, que ganharam espaço e corresponderam, corroborando a ideia de que mereciam ter tido mais tempo de tela desde o início da saga. Além disso, o enredo se arrisca um pouco mais, com arcos secundários que não estavam presentes antes. Dentre os defeitos, saliento o lado cômico que não funcionou como o esperado. Nesse sentido, apenas o Luis (Michael Peña) agrada novamente, enquanto outras piadas falham. Uma certa transformação do Scott me arrancou várias risadas também, mas o diretor Peyton Reed exagerou com o agente do FBI Jimmy Woo (Randall Park), passando um pouco do ponto, e os amigos de Luis, sobretudo o Kurt (David Dastmalchian).
A vilã é legalzinha, mas nada memorável. As suas habilidades são mais marcantes do que sua personalidade. A adição de Laurence Fishburne como Golias, um ex-parceiro de Hank Pym, complementa o lado humano da antagonista, mas nada mais que isso. Uma certa personagem que aparece durante a trama, no entanto, é uma ótima novidade, e eu realmente pensei em colocá-la como Maior Surpresa. Porém, como ela aparece pouco no filme e seria um spoiler gigantesco inseri-la em uma seção da postagem que não tem spoilers, decidi não botar.

Você percebe que o cara impõe respeito quando ele participa tanto do Universo da DC quanto da Marvel

Veredito

Depois de refletir e pensar bem, cheguei à conclusão de que Homem-Formiga e a Vespa é um pouco inferior ao capítulo inicial da jornada de Scott Lang. O primeiro é mais fluido e um entretenimento mais legal. O segundo traz uma carga mais dramática, mas não sabe trabalhá-la tão bem, principalmente porque tenta aplicar a comédia junto. A história acaba ficando no meio do caminho, e o fardo de suceder Guerra Infinita também não ajuda. Mesmo com tantos obstáculos, ele consegue ser um bom filme, mas recomendo que assistam de maneira descompromissada.

Os mais adoráveis do MCU

 

Aviso: Tem duas cenas pós-créditos.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO O FILME. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Vou começar dizendo que todo aquele rolê com a Baba Yaga foi meio vergonha alheia. Da primeira vez em que vi, cheguei a esboçar um sorrisinho, mas no segundo fiquei meio “blz, mano”.
  • Partes sensacionais de comédia: o Homem-Formiga do tamanho de uma criança e as histórias do Luis. Se o filme inteiro fosse só isso, eu provavelmente assistiria.
  • Meu interesse no arco do Sonny Burch foi perto de zero. E confesso que também tava pouco me lixando pra história da Fantasma. Sei lá, nenhum dos dois me cativou, embora eu tenha que confessar que o visual da vilã foi um dos melhores do MCU. Ah, e sobre o Golias, ex-amigo do Hank, não tenho muito o que declarar, sinceramente.
  • Queria que o Paul Rudd fosse meu tio só pra ele fazer todos aqueles labirintos e tobogãs comigo. E ow, dá pra acreditar que o cara completou 40 anos em 2019?
  • Aquela cena do carinha do FBI falando pro Scott diminuir, quando na verdade não tinha ninguém no traje, também foi boa. Assim como o momento em que o Homem-Formiga dá um peteleco no Burch, ou quando ele usa aquela carreta lá como patinete. A do bastão gigante da Hello Kitty foi basicamente uma repetição do trenzinho do Thomas e Seus Amigos do primeiro filme.
  • Pô, a vida do Hank deve ser de boa demais, né. O cara tem um monte de carrinho Hot Wheels que viram possantes, um maldito PRÉDIO que vira uma mochila de rodinhas… eu já usaria o soro pra outros fins. Primeiramente, eu maximizaria uma nota de 100 reais e usaria de tapete pra ostentar. Depois, eu minimizaria o Cristo Redentor só pra usar de chaveiro. Acho que eu não tenho muito maturidade pra isso, afinal.
  • O Reino Quântico é muito foda, bicho. Imagina diminuir o Thanos nesse nível e deixar ele ser comido por aqueles bichos microscópicos lá. Aliás, esse não seria um bom jeito de utilizar o Homem-Formiga da maneira correta pra derrotar o Titã Louco? Melhor que algumas ideias que surgiram por aí.
  • #ApariçãodoStanLee: “os anos 60 foram ótimos, mas agora estou pagando por eles”. O lendário senhor diz isso logo depois de presenciar seu carro sendo diminuído e inutilizado pela Vespa, a distância. Nem pra pedir desculpas, hein, Hope?
  • Cara, a Janet Van Dyne é uma personagem com tanto potencial. Não só pelo fato dela ter os poderes místicos do Reino Quântico, mas também por ser interpretada pela Michelle Pfeiffer, tendo se destacado nos breves momentos em que esteve presente. É uma pena ela ter se desintegrado junto com Hank e Hope. Bom, pelo menos o Scott continuou vivo, ainda que preso. Yay.
  • Ah, Marvel, pra quê fazer uma maldita cena pós-créditos de uma formiga tocando bateria? Fala sério, pô.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Hope Van Dyne/Vespa
De uma vez por todas, provou que é uma heroína muito mais interessante do que o próprio Homem-Formiga. Ela domina seu traje, sabe usar melhor suas habilidades e possui uma personalidade mais complexa, nos convidando a conhecer melhor a personagem. Arrisco dizer que, se os roteiristas/produtores forem corajosos, ela pode assumir tranquilamente o protagonismo da saga, deixando Scott Lang como coadjuvante.

Oferecimento: SBP. Terrível contra os insetos. Contra os insetos

+ Maior evolução: Hank Pym
Ele já era bom no primeiro filme, mas neste o cara bota de vez a mão na massa. A gente conhece melhor os seus dramas e sofrimentos, deparando-nos também com sua coragem, lealdade, dedicação e genialidade.

Henrique Pinheiros, de 73 anos, é hair stylist no Quantum Barbershop e gosta de escutar Pink Floyd no seu tempo livre

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?