Séries

Vikings: 5ª Temporada (2017/18/19)

• Os filhos de Ragnar

Algumas histórias conseguem se sustentar sozinhas sem seus personagens principais. Outras, não. Ainda existem aquelas que sequer possuem uma figura de protagonismo. Com a morte de Ragnar Lothbrok, a razão pela qual Vikings foi criada inicialmente, a série tinha pela frente um desafio imenso. É claro que a trama não girava apenas em torno do nórdico, até porque Lagertha, Floki e Bjorn eram outros nomes de peso na produção. Para não deixar o enredo desinteressante, as apostas ficaram claramente depositadas em Ivar, o Desossado, o filho mais inteligentemente perverso de Ragnar. A estratégia começou dando certo, com as atenções divididas em novos arcos, mas não por muito tempo. A quinta temporada de Vikings tem uma primeira metade boa e digna, mas uma segunda metade que ficou aquém do esperado.

 

Sinopse

A treta começou ainda na temporada passada, quando Ivar demonstrou que era um tanto quanto doidinho. O principal norte no qual a história foca é a divisão, uma espécie de guerra civil entre os filhos de Ragnar. Alguns deles começam a questionar a liderança imposta de Ivar, o que deixa o ambiente cada vez mais tenso. O conflito circunda basicamente as vidas de Ubbe, Ivar e Hvitserk, enquanto Bjorn se mantém concentrado ao lado de Halfdan em suas explorações, desta vez em regiões desérticas do globo. Floki, por sua vez, descobre uma nova terra e está determinado em povoá-la por acreditar que é um paraíso dos deuses; seu jeito violento foi dissipado e a experiência fez com que seu lado místico ganhasse força. Acho que não tem muito mais o que dizer na sinopse, porque qualquer informaçãozinha a mais poderia ser considerada spoiler. Vou finalizar por aqui, somente reforçando que essa temporada é a consolidação da história dos filhos de Ragnar, para o bem e para o mal.

Halfdan, um dos mais subestimados da série

Crítica

Legado é uma boa palavra pra definir a nova era de Vikings. O criador da série, Michael Hirst, afirmou que sua intenção sempre fora contar a saga de Ragnar e de seus filhos. Com isso, a sexta será a temporada de encerramento. Admiro os princípios dele em estabelecer uma meta e seguir firme nela, só não precisava ter aumentado o número de episódios pra 20. Sei que isso deve ter sido decisão do History Channel devido ao aumento de audiência e recursos da série, mas afetou drasticamente a qualidade.
As três primeiras temporadas se sustentam claramente na interpretação de Travis Fimmel na pele do viking mais lendário da história. A quarta é o desfecho do personagem e uma introdução dos novos caminhos que a série tomaria. A quinta tenta se apoiar nos filhos de Ragnar, mas eles não são tão interessantes quanto o pai. A primeira metade da temporada é boa e atraente. Como houve uma passagem de tempo longa, os personagens estão mais velhos e mais cascudos, com exceção de Lagertha e Judith, que parecem continuar na flor da idade. A gente percebe rapidamente que aqueles rostos que se tornaram tão familiares não são mais o centro das coisas, mas ainda assim seguem como pilares. A convergência de acontecimentos no décimo episódio foi bem trabalhada e me fez esquecer por um momento do saudoso Lothbrok. Não dava pra ficar lamentando a saída dele, era hora de dar uma chance pras novidades.
Fisgado, fui assistir à segunda metade da temporada animado, mas ela é bem mediana. Ivar passa de um personagem genial e lunático pra um fantoche com uma crueldade forçada e lampejos de esperteza. Floki não piora em si, mas seu núcleo é tão saboroso quanto uva passa no arroz. Sério, aquela história parece que não andava pra lugar algum, e várias vezes eu me perguntei qual era o sentido de estarem dando tanto tempo de tela pra aquilo. Sinto dizer, mas a Lagertha é outra que já perdeu o sentido faz tempo, ela não acrescenta mais nada no universo criado, dá a impressão de que tá lá somente porque os fãs gostam. A parte de Wessex, protagonizada por Alfred, o filho de Athelstan, tem momentos meio chatinhos e outros que chamam a atenção. No apanhado geral da temporada, os maiores pontos positivos foram Bjorn na primeira metade e Ubbe, o qual evolui absurdamente, na segunda.

Quando alguém tá tirando foto sua e cê finge que não tá percebendo

Veredito

A quinta temporada segue o exemplo de sua antecessora, apresentando um desnível óbvio entre suas metades. Porém, agora a saída de Ragnar é sentida com mais força e o contraste dentro da história fica maior. A qualidade de Vikings cai e os personagens tendem a não funcionar como antes, muito por causa da quantidade exagerada de episódios, esticando a exibição – o primeiro episódio foi lançado no fim de 2017 e o último foi ao ar apenas no começo de 2019. O número de batalhas parece que é reduzido e a trama fica mais lenta, o que tira grande parte da identidade da série. O desfecho não me deixou nem um pouco ansioso pela temporada final, mas ainda vou assistir por respeito ao passado e pela curiosidade de saber como acaba. Sobre a nota, usei a mesma lógica de avaliação da quarta temporada, na qual eu peguei a média entre a primeira e a segunda metades e dividi. Como 3,5 Lelecos na minha escala do Pitacos equivale a uma nota de “mediana pra boa”, acho que é a maneira perfeita de definir essa etapa de Vikings.

Interação saudável na Idade Média

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

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{Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota desta temporada, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/gabarito-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Eu simplesmente amo o fato de que cada filho herdou uma característica do pai. Bjorn pegou o lado guerreiro e aventureiro de Ragnar. Ivar ficou com a faceta inteligente e estrategista. Ubbe, com a sabedoria e a genuína curiosidade. Hvitserk, com os conflitos internos e um interesse por novas culturas, como mostrado com o Buda. O Sigurd, bem, deu nem tempo dele mostrar serviço direito, então a gente ignora.
  • Heahmund na primeira metade: personagem com potencial, um padre no meio de nórdicos, impulsionado pelas suas habilidades bélicas. Heahmund na segunda metade: Deus salve Lagertha. Única coisa diferente que ele fez foi ter matado o outro bispo lá e depois ter morrido na guerra.
  • Sobre a Astrid e o Halfdan morrendo: com ela não me importei tanto, mas poxa, eu gostava do Halfdan. E não consigo entender como que o Harald ainda continua vivo. É aquele famoso personagem fodido da vida que acaba sobrevivendo por acaso do destino.
  • Gostaria que tivessem focado mais nos vikings desbravando o mundo, principalmente o Bjorn. A partir do momento em que a trama ficou presa somente em lugares fixos, ela começou a ficar chatinha. Pô, aquelas partes lá no deserto foram muito legais, saudades.
  • Os vikings não têm muita regra quando o assunto é mulheres, né. O Ubbe acabou ficando com a Torvi, ex-esposa e mãe dos filhos de Bjorn. O próprio Bjorn é o maior cafajeste da Europa, mas agora deve dar uma quietada com a Gunnhild, pelo menos por um tempinho. Ivar “””engravida””” a Freydis, apenas pra matar ela depois (e que morte mais idiota, hein?). Margrethe, ex-esposa de Ubbe e de quem Hvitserk também gostava, morreu a mando de Ivar. Depois, Hvitserk ainda se apaixonou por uma mina aleatória que morreu cedo e eu nem lembrava o nome (pesquisei, é Thora). É muita coisa pra minha cabeça processar, confundo tudo.
  • Lagertha de cabelo branco foi uma tentativa de mostrar que ela envelheceu? Porque se esse foi o caso, que coisa terrível. Todo mundo caindo aos pedaços, Floki parecendo um ancião (vou falar dele no tópico abaixo) e Lagertha e Judith firmes e fortes. Quando o feminismo for legalizado, cenas como essa serão comuns.
  • Que trama mais bosta a do Floki na Islândia. Velho, eu já não tava mais me importando com aquele povo, só decorei o nome do Eyvind e de Helgi. Foi tenso quando geral morreu e quando Floki mandou o carinha lá tomar no cu e depois encontrou uma cruz debaixo da caverna. Aliás, ele morreu com a lava do vulcão ou nem? Porque eu não poderia me importar menos.
  • Ragnar ficaria orgulhoso do Ubbe se batizando e fazendo sacrifícios pessoais pra beneficiar os compatriotas. E gostei pra caramba da relação entre o Ubbe e o Alfred, apesar de eu não ter curtido taaaanto o novo Rei de Wessex. O elemento que não me agradou foi porque ele desde o começo parece que tava predestinado ou algo do tipo, não pareceu natural. Só comecei a gostar dele quando cortou o cabelo.
  • Ah, e pobre Aethelwulf, tantas formas de morrer e foi partir logo por causa de um zangão.
  • R.I.P. Vidente, e vai se foder, Ivar.
  • O único bom momento da Judith na temporada nem foi quando ela matou o próprio filho, Aethelred, foi em seus poucos momentos com a Lagertha. Fora isso, não me convenceu em nenhum momento. Ainda bem que se livraram dela. Ah, e é incrível perceber como eles morriam rapidamente quando acometidos por algo. Caroço no peito, morte instantânea. Faz a gente pensar no quanto a evolução da medicina é essencial pro ser humano.
  • Magnus, o personagem mais inútil da história de Vikings. Apareceu e morreu sem fazer nada de relevante.
  • Beleza, o Desossado matou o próprio filho que na verdade não era filho, mas o que será que tinha de “errado” com o bebê? Eu aposto em lábio leporino, mas não sei.
  • O novo rei de Kattegat agora é Bjorn, que tá começando a se assemelhar MUITO com o Ragnar. Nesse quesito, pra mim atualmente tá no mesmo nível do Ubbe. Se ele fosse um pouco mais aberto a novas culturas e tivesse um pouquinho mais de cérebro em vez de somente músculos, seria o filho mais digno disparadamente. Isso me lembrou, que porra foi aquela do Rollo dizendo que Bjorn era filho dele? Não serviu pra porra nenhuma e não fez sentido algum.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Ubbe (menção honrosa a Bjorn)
É incrível como sempre parece que Bjorn vai ser o melhor personagem, mas ele nunca vinga porque acaba perdendo o fôlego. Isso acontece novamente e Ubbe rouba a cena de vez, principalmente porque ele carrega quase sozinho os últimos dez episódios.

O verdadeiro herdeiro de Ragnar

+ Melhor episódio: S05E08 (“The Joke”)
A primeira metade da temporada foi consistente quase que por inteiro, com destaque para os momentos de ação representados aqui.

Biorno Braço de Ferro

+ Maior surpresa: Bispo Heahmund
Ainda que ele tenha dado as caras brevemente no final da quarta temporada, considero-o como Maior Surpresa porque apareceu muito rapidamente naquela ocasião. Decepcionei-me com algumas partes específicas de sua jornada, mas Heahmund foi uma boa adição à série.

Você! Maconheiro. Cê vai morrer no Natal!

+ Maior decepção: Ivar, o Desmiolado Desossado
Chato pra caramba. Foi incrível na temporada passada, mas não passou de um moleque mimado nesta.

Ah, xô mencionar que o Hvitserk dá uma evoluída, mas ainda assim é um personagem que acho meio pombo

+ Mais subestimada: Torvi (menção honrosa ao Halfdan)
Sempre leal, sempre presente, pouco valorizada. Às vezes nem a gente dá muita bola, mas ela tá sempre lá segurando a barra. Com Halfdan, o raciocínio é o mesmo.

Vou tatuar essa imagem nas minhas costas

+ Pior personagem: Judith
Pra mim ela morreu lá na terceira temporada, depois disso só ficou com pose de superior. Tédio.

Tem hora que eu até esqueço que ela não tem uma orelha

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?