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DCLeleco #08: Arlequina em Aves de Rapina (2020)

• As consequências de nossas ações

Eu nunca tinha visto tanta confusão em relação ao nome de um filme. A princípio, a Warner resolveu intitular o oitavo capítulo do Universo Estendido da DC com um tamanho meio incomum – Aves de Rapina (Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa). Depois de estranhar no começo, eu percebi que gostava do título pois representava muito bem a personalidade da protagonista. O problema foi que as bilheterias não foram tão altas quanto o esperado e os chefões optaram por mudar o nome na tentativa de chamar mais o público para as salas de cinema. Assim, o título oficial foi fechado em Arlequina em Aves de Rapina. Confesso pra vocês que não gostei. Eu entendo o porquê da mudança, mas um pouco do charme da obra foi perdido. Arlequina e as Aves de Rapina teria ficado melhor, se era pra alterar. Mas por que eu tô falando tanto disso? Vamo logo pra crítica porque vocês já devem ter ficado entediados.

 

Sinopse

Todo mundo sabe que a DC errou feio em Esquadrão Suicida, mas uma das coisas que se salvaram foi a Arlequina de Margot Robbie. Mesmo com um roteiro terrível, a atriz conseguiu entregar uma personagem cativante e se tornou rapidamente uma queridinha do público. Como o Coringa de Jared Leto saiu pela culatra e o DCEU começou a viver uma crise de identidade, os diretores de Aquaman e Shazam puderam se arriscar um pouquinho e sair daquele estigma de “mundo sombrio”. Como isso deu certo, sobretudo em Shazam, o estúdio concordou em dar uma chance para uma obra capitaneada pela Harley Quinn.
O relacionamento com o Coringa não existe mais. Ele e a Arlequina terminaram, e esta última sofreu muito mais com o peso da separação. Buscando conquistar sua independência, ela anuncia em voz alta pra Gotham inteira ouvir que deixou de ser a namorada do Palhaço do Crime. A questão é que a garota não era lá muito querida pela cidade, pois ela torturou, roubou, sacaneou e matou muitas pessoas que agora enxergam uma brecha para vingança. Entre elas, se destacam o playboy mafioso Roman Sionis e seu comparsa Victor Zsasz. Com isso, a Arlequina vai precisar da ajuda de figuras como Dinah Lance, Cassandra Cain, Helena Bertinelli e Renee Montoya pra escapar viva desse pandemônio.

Só na brotheragem

Este filme era exatamente o que eu tava precisando depois de uma maratona intensa do Oscar. É engraçado como o cinema funciona atualmente. Estamos passando por uma megalomania crônica, isto é, todo longa-metragem blockbuster precisa ter proporções gigantescas. Aves de Rapina foi um alívio nesse sentido. Com uma pegada com toques de Deadpool e até mesmo Esquadrão Suicida, mas com uma identidade própria, o filme tem uma comicidade peculiar desde suas primeiras cenas. A história é contada por meio de uma narração da Arlequina e uma montagem tão confusa quanto as ideias da personagem. E não, isso não é um puxão de orelha. Em alguns momentos, o enredo constantemente interrompido por intervenções temporais pode se tornar um pouco anticlimático, mas também deixa o cenário da obra mais despretensioso.
O talentoso e entrosado elenco é a maior qualidade de Aves de Rapina. Margot Robbie tá ainda mais incrível e digo com tranquilidade que é uma das três melhores representações do Universo Estendido da DC ao lado da Mulher-Maravilha e do Shazam. Porém, não é só ela que chama a atenção. Todas as suas companheiras coadjuvantes possuem seu espaço, e teria sido ainda melhor se esse espaço fosse mais explorado. Ao contrário de Esquadrão Suicida, o grupo se forma de maneira orgânica e não de forma quadrinhesca.
O tom de Aves de Rapina é acertado. É como se estivéssemos dentro da cabeça da Arlequina na maior parte do tempo, o que auxilia ainda mais o enriquecimento da personagem. O vilão de Ewan McGregor não é espetacular, mas divertido o bastante pra realizar uma boa contraposição à protagonista. A duração é mais curta do que o normal no gênero, o que acaba sendo uma lufada de ar fresco. As coreografias são incríveis e senti muitas semelhanças com a Domino em Deadpool 2, o que não faz muito sentido se considerarmos que Harleen Quinzel não possui poderes. Isso me incomodou em certas cenas, mas em outras me diverti tanto que fui capaz de ignorar.

Eu, Tonya (2017)

Veredito

Arlequina em Aves de Rapina é um filme leve, colorido e que não se leva a sério. É um excelente entretenimento e funciona muito bem dentro daquilo que propõe. As personagens se destacam e as cenas de luta são satisfatórias de se ver, mas o “overpower” e o uso exagerado do slow-motion acabam incomodando um pouco. A trama é bobinha e previsível – poderia ter tido um pouco mais de originalidade -, mas a química das heroínas (?) é tão gostosa de se acompanhar que acaba compensando. A trilha sonora tá no limite, isto é, se houvesse mais uma ou duas músicas ela teria se tornado saturada. No apanhado geral, eu não me divertia tanto assim em um filme de Marvel/DC desde Homem-Aranha no Aranhaverso e penso que, de vez em quando, obras como Aves de Rapina são uma boa válvula de escape dentro de um universo tão inchado de ideias com mania de grandeza.

Tenho uma preguiça gigante da foto da Jurnee Smollett-Bell cantando no palco entre dois olhos de Hórus. Tudo ali estrategicamente posicionado, o cabo do microfone ao lado do vestido, a posição do pedestal, a olhada. Vcs romantizaram uma peça publicitária. Pra quem não entendeu: https://twitter.com/letrapreta/status/1227173949764755458

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO O FILME. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • O Máscara Negra não tem nada demais, mas o Obi-Wan Kenobi Ewan McGregor é tão bom que conseguiu deixar o vilão legal, principalmente com o seu “EWWWWW” de nojinho. Eu tava até gostando do seu comparsa até descobrir que ele era o Victor Zsasz, a partir dali passei a curtir menos por conta da representação original. E achei um pouco expositivo demais a hora que ele fala sobre suas cicatrizes pra Arlequina. De qualquer forma, o relacionamento entre ambos foi divertido de assistir e eu pirei na maneira com que o filme não quis nem saber, matou os dois sem nenhum escrúpulo. Um foi esfaqueado diversas vezes (pra combinar com a premissa do Zsasz) e o outro foi literalmente explodido com uma granada. Pirei.
  • Canário Negro de Arrow ou Canário Negro do DCEU, só o tempo dirá. Mas falando sério, foi minha segunda personagem favorita, com seu jeitão soturno e que parece estar com tédio frequentemente. Só achei que o grito sônico dela não precisava das ondinhas sonoras, acho que teria sido melhor sem.
  • Sobre a cena em que a Arlequina sai batendo em todo mundo na delegacia, é sim forçada. A personagem realmente pareceu a Domino, escapando de tudo e dando cada golpe que pqp. Contudo, não posso negar que me diverti pra caramba com ela cheirando cocaína, queimando barba e os carai.
  • Batmóvel é coisa do passado, a onda agora é andar de patins enquanto se é guiado por uma arqueira gótica.
  • E por falar em arqueira gótica, curti o backstory da Helena Bertinelli e gostei da personagem da Caçadora em si. As partes dela tentando soar fodona e tendo ataques de raiva teve um quê de Marvel, é o tipo de piadinha que estaria presente em um dos filmes. O que importa é que funcionou.
  • Fodase hiena de estimação kkkkkkkkkk olá, bruce
  • I shaved my balls for this?”, questiona Renee Montoya após derrotar seus inimigos com facilidade.
  • Eu veria um spin-off da Arlequina com a Cassandra Cain tranquilamente. E apesar do trio Caçadora, Montoya e Canário parecer muito advindo de uma série da CW, acho que eu também veria com prazer.
  • Sim, eu pesquisei se tinha cena pós-créditos antes de entrar no cinema, e sim, eu esperei até o final. O que será que a Arlequina queria nos revelar sobre o Batman? Acho que nunca vamos saber.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Arlequina
Ela merecia um filme pra si. Depois de ter participado da bagunça suicida de alguns anos atrás, seria uma pena se sua jornada tivesse acabado ali. Como estrela principal, ela brilha em todos os sentidos. A qualidade das personagens secundárias valoriza ainda mais sua presença, pois todo o elenco de suporte se encaixa bem com a trama.

Harley Quit

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou do filme. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?