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AnáliseRicardo #01: WandaVision é a mensagem

• O meio é a massagem

Antes de começarmos essa viagem extremamente louca, preciso avisar que vai ter spoilers. Mas calma lá, eu vou dividir em dois, a parte inicial é sem spoilers e talvez você consiga entender. Já a segunda parte, essa vai ser lotada deles. Relaxa que eu te aviso direitinho

WandaVision é a primeira série do universo cinematográfico/televisivo da Marvel e com isso a minha expectativa já estava lá em cima. Comecei adorando, os dois primeiros episódios foram incríveis, principalmente pelos mistérios, homenagens e todas as ambientações. Mas logo que os mistérios foram saindo da “primeira tela”, eu comecei a pensar a respeito. Aqui vai começar uma viagem, então permaneça com sua mente aberta.

A massagem (piada explicada na última linha deste texto. Sim, quero que você leia até o fim)

Na faculdade de jornalismo tem um livro que os alunos são instruídos a ler. O nome do livro é “A mídia é a massagem”. Esse livro fala bastante de como uma informação pode ser passada de diversas formas, mas, além disso, a forma com que essa informação é passada também é uma forma de se passar uma informação.

Ficou confuso? Permita-me tentar deixar mais claro.

Se esse texto fosse transformado em vídeo, provavelmente eu alcançaria outro público, o público que normalmente procura por explicações e teorias na internet. Logo, o formato de texto poderia acabar decepcionando várias e várias pessoas, tanto que as críticas de cinema continuam em formato de texto, mas são mais alcançadas em formato de vídeo.

Nesse caso, o formato de texto é a informação para quem procura algo além de teorias e explicações. Agora ficou mais claro?

O porquê de WandaVision ter feito eu lembrar desse livro? Provavelmente deve ser obra do Mephisto. No entanto, a fórmula em que a série é ambientada me fez acessar essa memória que me veio em meio a um momento conturbado (Wanda, eu te entendo).

WandaVision começa excedendo um formato, o cinematográfico, e apresentando uma série televisiva de heróis dentro de um universo já criado e expandido. O segundo formato que é excedido é a maneira com que a história da série é contada, sitcom em preto e branco (pelo menos nos primeiros episódios).

Se o formato em que uma informação é transmitida consegue passar algo sem muita dificuldade, por que as histórias nas telonas ou telinhas não conseguiriam?

A série pula décadas a cada episódio, muda formas de falar, posturas de personagens e principalmente mostra ser uma série que se passa no universo dos cinemas, ou seja, aquele universo de série está conversando diretamente com o universo dos filmes.

Se você achou que eu não iria teorizar nesse texto, você achou errado, pois, assim como WandaVision, eu consigo conversar com no mínimo dois universos. Chegando até aqui, fica óbvio que a gente está conversando sobre o multiverso na Marvel, o que eu nem dou mais como teoria e sim como um presente/futuro para as histórias da Marvel Studios.

Agora vamos aos pontos que reforçam meus argumentos, Para isso, eu preciso de spoilers. Se você já assistiu até o sexto episódio, pode ficar tranquilo. Agora, se você ainda não assistiu à série, mas está curioso para ver até onde essa brisa vai te levar, você fica aqui por sua conta e risco.

Spoilers, piadas e multiversos

O primeiro indício do multiverso da Marvel, pelo menos para mim, foi o fato de a série ter escolhido não apenas um estilo de sitcom, mas vários. Anos 50, anos 60, anos 70 e por aí em diante nos fazem perguntas sobre os motivos de esse formato ser escolhido. É claro que pode ser coisa tirada da mente da Wanda, não sei se alguém nascido em 1990 assistiria a uma sitcom dos anos 50 todo dia na televisão. Mas aqui, a teoria não se resume apenas para a história em si, mas ao que tentaram nos entregar com essa história.

Pular décadas é praticamente pular entre universos, principalmente para quem conhece as ambientações. Nós víamos nos primeiros episódios as diferentes formas que os personagens se relacionavam, trabalhavam e, principalmente, viviam.

Se pegarmos a moda, os anos 50 e 60 são extremamente diferentes do que estamos vestindo nos dias de hoje. É uma conversa louca entre passado e presente que a série tem, desde o seu início, desde a sua premissa. Isso é algo foda para caramba, principalmente se pensarmos no quanto as coisas eram e, graças a Odin, são diferentes.

Mas além das ambientações e todas as brincadeiras que a produção fez com o visual da série, existem outros pontos, como o roteiro.

A Marvel adora resolver tudo com duas linhas de diálogo (vide o rato salvando o Homem-Formiga e o universo inteiro), só que aqui, em universo de série, você precisa de mais de duas linhas. Aí vamos para a conversa do Pietro e da Wanda no episódio 6.

Muito das histórias compartilhadas pelos dois são diferentes, mas não completamente, são coisas pequenas. Para quem assiste muita ficção-científica ou lê bastante quadrinhos, o jeito de agir do Pietro lembra muito o de um personagem que veio de um universo diferente.  Coisas que seriam distintas se você, que está lendo, resolvesse procurar um vídeo, em vez de ler um texto sobre WandaVision. É óbvio que quem leu esse texto vai sair em vantagem, entendeu? Enquanto eles têm 9594 teorias, você tem a certa.

A gente já viu esse filme. Na verdade, esses filmes. Você altera uma coisa no passado e, quando volta para o futuro, as coisas estão diferentes. Mas a própria Marvel trabalha isso de uma forma diferente. Com multiversos.

O Pietro que chegou no episódio 5 da série parece ser o Pietro dos X-Men da Fox, mas a história dele ali na série é uma história que se assemelha demais aos acontecimentos da vida dos gêmeos até Vingadores: Era de Ultron.

É claro que ele pode nem ser o Pietro Maximoff, principalmente após as revelações dos últimos capítulos, no entanto, acredito que essa possibilidade ainda está em aberto, pelo menos até ser negada de vez.

Outra prova de que o que está sendo entregue pela Marvel é o multiverso veio com os comerciais dentro da série. O próprio mencionado “Nexus”, que no comercial vinha como um antidepressivo, tem uma relação fortíssima com realidades paralelas e passagens de personagens para um outro universo.

Normalmente o Nexus de cada realidade tem alguém que consegue controlar esse portal. No caso do universo principal, a Wanda é quem faz esse trabalho, o que provavelmente vai chamar a atenção do nosso queridíssimo doutor. Mas, além dela, existem outros seres de outras realidades como Kang – O Conquistador, que já está confirmado no novo filme do Homem-Formiga e a Vespa.

Achou pouca a relação? Isso se deve ao fato de que nem chegamos a mencionar as pessoas que interferem nessas bagunças de realidades como a Autoridade de Variação do Tempo, essa que deve aparecer na série “Loki” com as siglas TVA, e também o Vigia Uatu, esse que está confirmado como narrador na série animada “What If?”.

É óbvio que a Marvel vai apresentar o multiverso de forma mais elaborada mais pra frente, principalmente por conta do filme do Doutor Estranho, filme esse que terá a participação da Wanda. Mas a conversa entre os multiversos da Marvel começou em Ultimato e pode ter ganhado mais força aqui, em WandaVision. Afinal, que forma mais clara de apresentar o caos, a conversa entre universos, do que conversar com universos que são familiares aos nossos?

Sobre a piada, as primeiras edições do livro citado foram impressas como “The Medium is the massage”, algo como “A mídia é a massagem”. É engraçado, mas isso reforça mais o argumento do autor, pois, em uma mídia virtual, você pode corrigir um texto. Já no impresso, esse erro vai ficar gravado para sempre naquele papel.

 

Ricardo Gomes
O Sharkboy que estuda Jornalismo e ama o cinema

 

Este texto faz parte de um novo quadro de colaborações com outros redatores. O artigo não foi escrito por Luiz Felipe Mendes, o dono do blog.