• Crise dos engravatados
Após a crise de 2008, grandes empresas dos EUA lidam com demissões em massa e atingem funcionários que possuíam empregos estáveis, mas viram a vida desmoronar em um curto espaço de tempo.
Apesar de eu ter uma certa ojeriza a esse submundo profissional na vida real, eu gosto de filmes que lidam com a vida corporativa. Eu frequentemente revejo A Grande Aposta, adoro A Rede Social e gostei muito de O Lobo de Wall Street, pra citar alguns exemplos. Ao ver a prévia de A Grande Virada na Netflix, tive a impressão de que era o tipo de filme que eu curtiria, mas infelizmente ele não vai muito além do “mediano”.
Pra começar, há um problema estrutural em A Grande Virada: a falta de identificação com os personagens. Quem tem um pouquinho de conhecimento sobre a crise de 2008 sabe que pessoas perderam empregos e casas, acarretando em consequências desastrosas em todos os sentidos. Portanto, ver homens engravatados precisando lidar com um padrão de vida mais baixo, mas ainda confortável, dá uma certa preguiça; embora eles tenham sido afetados, obviamente, estiveram bem longe de ficar na sarjeta. Acho que se o filme tivesse uma pegada diferente, o conceito teria funcionado melhor, mas a tentativa de dramatizar as situações não funcionou tanto pra mim.
Além do mais, a história parece que demora a acontecer. Depois do conflito inicial – a demissão do protagonista, interpretado por Ben Affleck -, a impressão é de que a trama fica girando em círculos até finalmente andar pra frente. E, mesmo quando isso ocorre, o desfecho passa uma mensagem meio contraditória, com o intuito de ser motivacional, de que voltar àquele ambiente tóxico e instável seria a melhor saída. Eu também acho que perderam uma oportunidade de bater mais tecla do etarismo. O filme até passeia por esse tema, mas o faz de maneira superficial.
A Grande Virada tenta nos convencer de que, durante uma crise econômica, pessoas de classe média alta sofreram tanto quanto os cidadãos comuns, em vez de transformar isso em uma crítica mais inteligente. É um filme que tem lampejos, mas não espere muito além disso.

FICHA TÉCNICA
Nome original: The Company Men
Duração: 1h44
Produção: EUA
Direção: John Wells
Elenco principal: Ben Affleck, Tommy Lee Jones, Rosemarie DeWitt, Chris Cooper, Maria Bello, Kevin Costner, Craig T. Nelson, Eamonn Walker, Dana Eskelson
>> Clique aqui para conferir todos os filmes avaliados nas Curtinhas do Leleco
Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco
Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco
Nota nº 3: pra saber sobre quais filmes eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco: Filmes
Nota nº 4: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco
Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou do filme. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?