Séries, Super-Heróis

The Boys: 5ª Temporada (2026)

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• Ficou devendo

Eu provavelmente já escrevi isto aqui, mas finais de séries raramente agradam a gregos e troianos, sobretudo quando se trata de uma produção com um número gigantesco de fãs. Vimos isso acontecer recentemente com Stranger Things, que gerou bastante decepção, mas é algo que vem de décadas. Dexter, Game of Thrones, How I Met Your Mother, The 100… o que não faltam são exemplos de conclusões problemáticas. Não acho que o desfecho de The Boys esteja nesse patamar, mas que ficou devendo, ah, ficou.

 

Sinopse

Hughie, Francês e Leitinho da Mamãe estão presos em um campo de concentração para Luz-Estrelistas. Billy Butcher, Kimiko e a própria Luz-Estrela organizam uma fuga pra que eles deem sequência ao plano de disseminar um vírus capaz de matar o Capitão Pátria e, consequentemente, causar um genocídio de super-heróis.

Quem tem o melhor estilo?

Crítica

A 5ª temporada de The Boys começa muito bem. Existia no ar uma certa desconfiança depois de uma 4ª temporada consideravelmente abaixo das anteriores, mas essa desconfiança se dissipou um pouco após um primeiro episódio sólido, que colocou os dois pés na porta e entregou drama, ação e surpresa. Como era de se esperar, o ritmo foi desacelerado nos capítulos seguintes, mas a trama seguia interessante, aumentando cada vez mais as expectativas. Além disso, o foco na religião foi algo acertado, principalmente com a introdução do super Ó Pai.

Ao longo da temporada, porém, The Boys volta a cair nos mesmos vícios da temporada anterior. O enredo começa a andar em círculos, e a sensação é de que ele não vai realmente andar pra frente antes dos últimos episódios. É justamente isso que acontece. A série ainda usa a justificativa de estar “encerrando arcos”, e utiliza algumas mortes de personagens importantes pra nos enganar. Mas, no final das contas, dá pra ver que há uma enrolação narrativa, através de diálogos que não acrescentam nada aos personagens, e mudanças de rumo constantes.

Esses problemas aparecem quase que exclusivamente no núcleo da gangue de Billy. A história perde força quando esses personagens aparecem em tela. Por outro lado, quando a câmera se volta para o Capitão Pátria e tudo que está acontecendo no prédio da Vought, a temporada respira e mascara a falta de inspiração. Criatividade é algo que nunca faltou em The Boys. Aliás, as sátiras e paródias continuam sendo o alicerce da série, e eu perdi as contas de quantas vezes dei risada ou fiquei olhando boquiaberto pra TV. Nisso, nunca me decepcionei. Infelizmente, não posso dizer o mesmo do que acontece no final.

Tudo que ocorre com os personagens, tanto os “mocinhos” quanto os “vilões”, faz sentido dentro do que foi mostrado na série como um todo. Porém, é tudo muito… protocolar. Faltou coragem. É como se o roteiro estivesse só cumprindo as tarefas necessárias, e são poucas as surpresas no desfecho. Além disso, o tratamento a tudo que foi construído em Gen V chega a ser desrespeitoso, e a “arma” utilizada na batalha final contra o Capitão Pátria surge aos 45 minutos do 2° tempo, substituindo de repente tudo que havia sido construído em duas temporadas.

Não duvido nada de algumas igrejas atuais chegaram a este nível

Veredito

A 5ª temporada de The Boys é decente, com vários ótimos momentos e cenas marcantes. O problema é que a narrativa não consegue emplacar o mesmo pique das três primeiras temporadas, desenvolve alguns arcos meio entediantes, parece não saber o que fazer com determinados personagens e entrega um final básico demais pra uma série que sempre se propôs a ser tão disruptiva. Uma série como The Boys não merecia um final ok. Merecia um final, no mínimo, tão memorável quanto a conclusão da 2ª ou o Herogasm, na 3ª. É uma pena que isso não tenha acontecido, mas pelo menos não tivemos um final desastroso.

Os párias

 

+ Melhor personagem: Capitão Pátria
Em termos de atuação, Antony Starr carregou essa série nas costas, do começo ao fim. Não é à toa que, nas cinco temporadas, pra mim ele foi o melhor personagem em três delas. É bizarro o quanto o Capitão Pátria se tornou um marco na cultura pop de maneira tão forte e rápida. Quase todos os melhores momentos da 5ª temporada existem por causa dele.

Saúde ao Capitão!

+ Melhor episódio: S05E05 (“One-Shots”)
A abertura da temporada é muito boa e poderia ter entrado aqui, mas vou fazer uma escolha menos convencional. O quinto capítulo é uma prova de que é possível tentar um estilo diferente, abraçar a loucura e tornar as coisas divertidas, em vez de intensificar a sensação de enrolação. Pelo que eu vi de comentários online, não foi um episódio que agradou tanto ao público, mas eu gostei demais da inventividade.

Essa personagem é duas caras demais

+ Maior decepção: Soldier Boy
Toda vez que o Soldier Boy aparece em tela, ele rouba a cena. Grande trabalho de Jensen Ackles. É um personagem interessantíssimo, que tem ótimos momentos na 5ª temporada de The Boys e, em dado momento, estava na briga pelo posto de Melhor Personagem. Contudo, claramente a série não soube direito o que fazer com ele na reta final e a sua participação na batalha derradeira é pra lá de decepcionante, por tudo que poderia ter entregado. Talvez eu esteja pesando um pouco a mão ao colocá-lo como Maior Decepção, mas as expectativas que eu tinha foram tão frustradas que não pude deixar de fazer essa ponderação.

Merecia mais

+ Mais subestimada: Espoleta
Eu já tinha colocado a Espoleta como “Maior Surpresa” da 4ª temporada, isto é, a “Melhor Nova Personagem” – com menção honrosa à Sábia. Na 5ª temporada, achei que ela teria uma participação mais decisiva nos eventos do final. Isso não aconteceu, gostaria de ter visto mais dela. No entanto, deu a sensação de que seu arco teve começo, meio e fim, ao contrário do Soldier Boy.

Comprarias esse balde de pipoca?

 

FICHA TÉCNICA

Nome original: The Boys
Duração: 8 episódios
Produção: EUA
Showrunner: Eric Kripke
Direção: Phil Sgriccia, Shana Stein, Karen Gaviola, Catriona McKenzie, Sylvain White
Elenco principal: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Laz Alonso, Tomer Capone, Karen Fukuhara, Chace Crawford, Jessie T. Usher, Colby Minifie

 

>> Crítica da 1ª Temporada de The Boys

>> Crítica da 2ª Temporada de The Boys

>> Crítica da 3ª Temporada de The Boys

>> Crítica da 1ª Temporada de Gen V

>> Crítica da 4ª Temporada de The Boys

>> Crítica da 2ª Temporada de Gen V

 

—- OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. CASO NÃO TENHA VISTO, PULE ESTA SEÇÃO —-

 

  • Começando pelo começo, a morte do Trem-Bala foi uma das coisas impecáveis da temporada. Ele morrendo porque se recusou a atropelar uma mulher inocente, fazendo um contraste com o seu primeiro ato na série, foi um exemplo perfeito de círculo fechado. E nada melhor do que ele morrer rindo da cara do Capitão Pátria.
  • Já que entrei nesse assunto, vamos falar das mortes da temporada. Gostaria que a Espoleta tivesse feito algo de relevante contra o Capitão antes de morrer com a cabeça esmagada na águia, mas dava pra ver que o arco da personagem estava chegando ao fim. A morte do Ó Pai foi engraçada e totalmente condizente com a lascívia do personagem (aliás, ele quase entrou na categoria de Maior Surpresa da temporada, mas não chegou a tanto). A morte do Black Noir II foi meio foda-se, porque eu não me importava tanto com o personagem, e a morte do Profundo foi poética. Contudo, aquela luta contra a Luz-Estrela foi meio nada a ver, porque a Annie teria sido muito mais útil na Casa Branca do que levando um inútil como o Profundo pra uma praia deserta. Sobre a morte do Francês, eu fiquei surpreso com o quanto aquilo me atingiu pouco. É verdade que eu tinha pegado spoiler desse acontecimento antes de ver o episódio, mas, pra um personagem tão importante, achei que eu fosse ficar mais sentido.
  • Odiei, odiei, ODIEI o que fizeram com os personagens de Gen V. Achei um desrespeito completo. Já aviso que este tópico terá spoilers dessa série, caso você não tenha assistido. Pois bem, se eles tivessem construído a Marie Mareau apenas como uma super talentosa, que exerceu um papel importante em outra frente da guerra, beleza. O problema é que Gen V deixou claro que a Marie era quase tão poderosa quanto o Capitão Pátria, então por que não utilizá-la na luta contra o cara? “Ai, mas ela não domina os poderes”. Que desculpa esfarrapada é essa? O próprio Hughie participou de uma luta depois de injetar o Composto V em si, sem um pingo de experiência. A Marie derrotou o Godolkin, alguém extremamente poderoso, ao explodir sua cabeça. Como assim não domina os poderes? E vai me falar que Jordan não seria mais útil em uma luta do que o Leitinho da Mamãe? Capaz até que a Emma causaria mais dano do que a Luz-Estrela em uma luta também.
  • Ainda tem outra coisa: tudo que foi introduzido em Gen V não serviu virtualmente pra nada, no final das contas. O vírus, que foi desenvolvido durante uma temporada completa de Gen V e duas de The Boys, não teve nenhuma função. O caminho estava livre pra Marie Moreau remover o V1 do sangue do Capitão Pátria e todo o arco do vírus servir pra alguma coisa, e de quebra ainda dar importância a Gen V, mas não. Em vez disso, a série decidiu DO NADA que a Kimiko tentaria pegar os poderes do Soldier Boy e que esse seria o fim do Capitão Pátria. Eu gosto do conceito da Kimiko, que sempre foi tratada como “arma” desde o início, ser o catalisador do fim do Capitão, mas isso precisava ter sido construído de um jeito melhor.
  • E vagabundo tá lá… será que o Soldier Boy vai ser importante na batalha final, pro bem ou pro mal? E o Soldier Boy não consegue passar uma temporada sem ser congelado.
  • Ok, agora que eu desabafei sobre as coisas que eu não gostei na temporada, curti o desfecho do Capitão. Billy e Ryan lutando contra ele, a Kimiko removendo os poderes dele e o Capitão tentando voar e se humilhando pro Billy em rede nacional não poderia ter sido mais icônico. Acho que o último episódio poderia ter sido mais grandioso. Nunca esperei que fosse estilo Vingadores, mas dava pra ter feito algo mais épico. Ainda assim, a morte do Capitão foi bem feita, e a morte do Billy também era esperada.
  • Que bom que pelo menos Hughie, Luz-Estrela e Leitinho tiveram um final feliz; a Kimiko, na medida do possível. Já a Ashley Duas-Caras foi presa do jeito mais cômico possível. Mas sabe o que teria deixado o final mais foda pra mim? Se o Billy tivesse cometido o genocídio. Acho que seria mais memorável e até fiel a toda a filosofia de que supers não deveriam existir.

 

———- FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS ———-

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

Nota nº 5: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?

Publicado por Luiz Felipe Mendes

Fundador do blog Pitacos do Leleco e referência internacional no mundo do entretenimento (com alguns poucos exageros, é claro).