Séries

The Boys: 1ª Temporada (2019)

• Sete, a perfeição de Deus

O mercado tá saturado. A gente olha pra um lado e vê homens musculosos com escudos e martelos, olha pro outro e visualiza morcegos, amazonas e deuses. Viramos de costas e nos deparamos com arqueiros e velocistas adolescentes. Na nossa frente, um monte de cópias de não muito sucesso. Sim, eu sou fã de super-heróis, mas tá chegando num ponto em que, se não houver muita originalidade, o produto não vai dar certo. O desgaste é natural em um gênero que passa a ganhar muito espaço, é inevitável. É por isso que The Boys é tão ousado. Um dos carros-chefe da plataforma de streaming Amazon Prime Video, a série precisava de inovação. Se a obra fosse somente o início de um novo universo de seres superpoderosos, a chance de dar errado era grande. Mas e se fosse um mundo no qual os exemplos de heroísmo são pessoas recheadas de defeitos, pra dizer o mínimo? Aí sim a coisa muda.

 

Sinopse

Conheçam o tímido Hughie Campbell. Ele trabalha em uma loja de equipamentos eletrônicos e namora Robin, o amor de sua vida. Um cara normal, sem pretensões exageradas, só quer ser feliz. De repente, uma tragédia horrível o quebra em pedaços (figurativamente) e ele se vê com sede de vingança e um sentimento de impotência. O problema? A “tragédia” que aconteceu foi causada por Trem-Bala, um membro dos Sete. Os “Sete” são simplesmente os super-heróis mais famosos dos Estados Unidos, amados por toda a população, intocáveis em seus pedestais. Hughie não sabia o que fazer e provavelmente cairia em um mar de tristeza, até que um homem misterioso chamado Billy Butcher entra em contato com ele e promete fazer os responsáveis pagarem por todo o mal que fizeram.
No outro centro do enredo, temos a figura de Annie January, aka “Starlight” ou “Sol-Estrela”, uma super-heroína com o sonho de integrar os Sete. Ao contrário de seus ídolos, ela é uma pessoa decente e que deseja genuinamente fazer o bem. Será que vai conseguir se encaixar naquele meio tóxico?

Tommy Vercetti, Niko Bellic, Carl Johnson (CJ) e Claude

Crítica

Eu preciso começar falando sobre o quão bem-sucedida é a premissa central da série. Pra mim, é a melhor representação de super-heróis que já vi na televisão. É claro que é legal ver os Vingadores e a Liga da Justiça lutando contra o mal, mas, sinceramente, aqueles tipos de personalidades dos mocinhos seriam as mais prováveis? Pensem na face da nossa sociedade. Pensem bem. Se as pessoas tivessem poderes que as colocassem em um patamar muito acima dos outros, será que elas os usariam para o bem da humanidade ou fariam o que quisessem com a dádiva recebida? E além do mais, considerando que um cidadão possui uma habilidade muito poderosa, seria mais plausível ele ser capaz de canalizá-la com sucesso ou não ter total controle?
The Boys mostra uma perspectiva diferente de como seriam os super-heróis se integrados ao nosso mundo. O ser humano é corruptível e nojento, e quanto mais poder ganha, maior a probabilidade de se perder no caminho. Pode ser uma visão pessimista, eu sei, mas sinceramente acho isso. A série coloca sua teoria em prática com muita primazia, em vários momentos eu me peguei pensando “caralho, isto faz sentido”. Os personagens são tão ricos e crus em suas falhas que vão ganhando cada vez mais dimensões à medida que os episódios passam. As motivações de cada um fazem sentido, ainda que a gente possa não concordar. O enredo também é excelente e a trama flui em um ritmo agradável, misturando drama, humor e ação. Por outro lado, o excessivo uso da violência (não que eu tenha problema com isso) faz com que em alguns momentos a história se torne até um pouco previsível. Por exemplo, em algumas cenas eu sabia que do nada a cabeça de alguém seria arrancada porque aquela artimanha já tinha sido usada muitas vezes. Outro problema que pude perceber foi na construção de alguns arcos, que não foram tão cativantes quanto outros. Quando a série passava de um momento com a Starlight ou o Homelander e transferia o foco pra Stillwell, vice-diretora das empresas Vought, dona dos direitos dos Sete, eu sentia um pouquinho de vontade de acelerar o episódio pra voltar aos núcleos melhores.

A cara de quem tem o mundo na palma da mão

Veredito

The Boys é a mais fiel representação de seres superpoderosos se considerarmos que eles são humanos como qualquer um de nós. Aqui não se busca pintar imagens fofinhas de heróis, mas sim mostrar o quão fodidos eles seriam se existissem no mundo real. A ideia funciona com perfeição, apoiada por personagens brilhantes e um enredo principal que mistura vingança, desilusão, ganância, solidão, ingenuidade, mistério e incontáveis pitadas humorísticas que não se deslocam do resto da história. É claro que a temporada de estreia não é perfeita – temos a repetição de alguns artifícios narrativos e criativos e uma certa distância de qualidade entre as tramas -, mas o resultado final vale a pena conferir. Nota final: 4,7/5.

O meu ídolo e ponto final

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Que porra foi aquela da Robin morrer explodida por um velocista logo no episódio inicial? Barry Allen nunca faria aquilo, tenho certeza.
  • Black Noir vigia este tópico com atenção.
  • Eu gelei muito que a Kimiko tinha morrido assassinada pelo ninja. Nunca fiquei tão feliz com alguém “voltando à vida”, normalmente é um recurso que eu odeio. E a relação dela com o Frenchie é muito fofinha.
  • Black Noir salva um gato em alguma árvore enquanto você lê esta postagem.
  • O carinha lá do Sexto Sentido foi um tremendo pau no cu, mas não dá pra julgar se enxergarmos tudo pelo lado dele. Ele merecia se foder, mas ver o Billy destroçando seu rosto daquele jeito não foi lá muito agradável.
  • Black Noir joga um Mortal Kombat. Seu lutador é Noob Saibot.
  • O discurso da Starlight naquela feira religiosa foi muito bom, fiquei torcendo por ela. E a junção dela com o Hughie foi muito boa, quero ver mais da dupla na segunda temporada. Teve uma alta química rolando.
  • Black Noir descola uma sinfonia no piano.
  • Certo, o Translúcido explodiu e o Trem-Bala teve um ataque cardíaco. Será que teremos os “Cinco” a partir de 2020? Ou será que o Usain Bolt ainda conseguiu sobreviver?
  • Black Noir resolve ir pra praia tomar uma água de coco.
  • Toda a sequência do avião caindo foi espetacular. Quando me dei conta de que aquilo realmente aconteceria, fiquei de olhos esbugalhados até acontecer de fato. Maldito Homelander.
  • Black Noir está entediado.
  • Gustavo Fring de Breaking Bad sendo o dono da Vought não me surpreendeu muito, considerando o seu histórico.
  • Black Noir está pensativo.
  • O que pensar da Maeve? Ela me parece alguém que começou tentando fazer algo certo, mas que acabou se perdendo. E ainda mandou um “oi, sumida” pra ex que não deu muito certo.
  • Black Noir está com fome.
  • Morrer após uma sentada. Sei que muita gente deve ter feito piadinhas do tipo “ah, tem jeitos piores de partir”, mas eu não gostaria de ser asfixiado e ter minha cabeça explodida. Pobre síndico. E pobre Lâmina. Ainda acabou sendo assassinada pelo próprio boy viciado em anabolizantes.
  • Black Noir está com sono.
  • O Profundo é desprezível com todo o lance do estupro e do assédio. Mas que foi interessante ver sua luta pelos golfinhos e sua fragilidade, ah, isso foi.
  • Black Noir planeja voltar com tudo na temporada que vem.
  • Eu jurava que a Stillwell no final das contas seria a mãe do Homelander, mas acabei errando. Vê-lo queimando o rosto de sua ex-chefe e amante foi chocante, e o bebê dela deve ter morrido na explosão, né. O pior de tudo, porém, foi o Billy descobrindo que sua esposa na verdade tava lá com o filho do próprio Homelander, e que toda a história dela ter sido violentada provavelmente foi infundada. Quero até ver que merda vai acontecer.
  • Black Noir diz adeus, sabendo que é o representante mais perfeito dos Sete.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Homelander (Capitão Pátria)
Eu não falei separadamente dos personagens de propósito, quis fazê-lo aqui. Bom, foi difícil escolher um só como o melhor, mas no final das contas tive que optar pelo líder dos Sete. Sua “função” no grupo é ser o maior ideal de patriotismo e boa índole, um exemplo para a nação. Mas são muitos bons personagens, como o Hughie e a Starlight no papel de pessoas de bom coração, o Billy com uma determinação às vezes irritante, o Frenchie (Francês) com sua estranha gentileza oculta, o Mother’s Milk (Leitinho da Mamãe) com seu senso de família por trás de uma carranca, a Fêmea com a implacabilidade e uma certa inocência, isto sem falar dos outros seis membros dos Sete. Cada um deles possui traços únicos que os configuram como especiais. O Profundo (Deep), o Translúcido (Translucent), o Trem-Bala (A-Train), a Maeve e o expressivo Black Noir, todos são singulares. E ainda temos os coadjuvantes, mas aí eu me estenderia demais.

Eu tirando foto com o jogador favorito do meu time

+ Melhor episódio: S01E05 (“Good For The Soul”)
Praticamente todos são do mesmo nível, mas este se destaca porque reúne muitos acontecimentos importantes, de diferentes magnitudes, em um só capítulo. Além do mais, consolida de vez pelo menos três personagens femininas.

A camisa combina perfeitamente com a personalidade

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?