Séries

Breaking Bad: 3ª Temporada (2010)

• Decadência/evolução

Lembra daquele Walter White desajeitado, com pinta de nerdão e atitude nula? Aquele Walter White com cabelo, com medo da própria sombra e somente vendo a vida passar? Pois é. Esqueça de vez aquele cara.
Acho que eu não preciso repetir isto aqui, mas vou falar de novo só porque eu sou legal: todo pitaco meu tem spoiler da temporada anterior. Você, caro(a) leitor(a), jamais verá o Leleco dando spoiler da temporada que está escrevendo atualmente. Por exemplo, eu nunca falaria que o Jesse Pinkman morre atropelado pela Skyler após uma briga de rua com o cadáver da Jane. Isto é uma coisa que eu nunca faria.
Por isso, vamos começar esta crítica humilde relembrando a trajetória dos principais personagens, começando pelo protagonista, é claro.  Como eu já disse ali em cima, o professor conhecido nas ruas por Heisenberg (que devemos combinar que é um puta nome sombrio) mudou totalmente sua personalidade com a entrada no ramo MasterChef de cozinha ilícita. Antes um cara bem pastelão, aqui na terceira temporada temos a primeira certeza absoluta de que aquele Walter White não existe mais; no lugar dele temos um homem frio, calculista e que fará de tudo para continuar no ramo.
Em contrapartida, temos Jesse Pinkman. Um dos favoritos dos fãs, a verdade é que Jesse tá cada vez mais fodido. Depois da morte de seu mozão Jessica Jones, o garoto parece que se quebrou de vez. Vale lembrar que ele já tinha perdido Combo, seu parça das drogas. É muito interessante e doloroso observar o declínio cada vez maior de Jesse, dá vontade de entrar dentro do seriado e tirar ele de lá.
Algo importante desta terceira temporada é a ênfase em alguns personagens que já haviam sido introduzidos mas que agora ganham força, começando por Gus Fring. Que figura, senhoras e senhores. O cara não é corpulento, alto ou musculoso, mas sua presença parece que exala poder, sei lá. Ainda mais porque passamos a acompanhar mais algumas de suas atitudes como chefe de um negócio polêmico, o icônico Los Pollos Hermanos.
Ainda neste núcleo de Gus, Breaking Bad nos presenteia com mais participações de Saul Goodman e Mike Ehrmantraut (fiquei duas horas pra escrever esse nome). Ainda que discretas em algumas ocasiões, os dois são personagens totalmente diferentes mas que inspiram na gente um mesmo sentimento de “eu curto bastante esse cara“.
E já que estamos falando de uma galera marcante, não posso deixar de mencionar os primos de Tuco Salamanca – aquele mesmo da primeira temporada, que foi morto por Hank. Sabe aquele tipo de personagem que inspira ameaça, que sempre que aparece na tela a gente fica num cagaço de alguma coisa tensa acontecer? Parabéns aos primos então. Porque é exatamente assim que eles nos fazem ficar. E quer um detalhe que deixa tudo ainda mais assustador? Os caras não falam quase porra nenhuma. Ficam somente com uma expressão assassina de alguém que está prestes a jogar um +4 no Uno.
Quem mais devo mencionar? Hmmm, não o Walter Jr., também não a Marie. Definitivamente não a Skyler. Brincadeiras à parte, apesar da maioria esmagadora dos fãs achar a esposa de Walter um porre, a gente tem que reconhecer que ela meio que tem razão em agir do jeito que age. Imagina viver sob o mesmo teto do infame Heisenberg?
Agota chega de falar dos personagens. A terceira temporada de Breaking Bad já começa com sequências que nos deixam intrigados, como cenas de uma queda de avião na cidade de Albuquerque. A gente fica meio “wtf“, e a trama vai desenrolando até que as coisas começam a fazer sentido. Walter cada vez mais criminoso, Jesse se ferrando, o casamento do protagonista sendo ameaçado e um Hank cada vez mais desconfiado. E ah, esqueci de destacar o agente da DEA também. Parece que é obrigação ter alguma cena foda dele na temporada, e aqui não é diferente.
Eu sempre ouvi falar que Breaking Bad é possivelmente a melhor série de todos os tempos. Quando você assiste algo que carrega este peso, é natural que se crie expectativas. Aliás, expectativa é uma palavra que sempre uso aqui nos pitacos, cês já devem estar até cansando. Contudo, ao falar desta série não posso deixar de discorrer sobre isso. Como eu ia dizendo, quando você assiste algo já sabendo que vai ser foda a chance de você se decepcionar, mesmo que só um pouquinho, é bem maior que quando você vai ver algo despretensiosamente. Meio óbvio isso, né, mas não deixa de ser verdade.
Eu, por exemplo, não acho Breaking Bad a minha série favorita, a melhor de todas, mesmo ela tendo um lugar reservado no meu coração. Entretanto, tenho sim que reconhecer que ela chega perto de ser impecável. Um enredo espetacularmente bem feito, personagens bem construídos, atuações imensas, todas as questões técnicas feitas com primor… o criador, Vince Gilligan, deveria ser canonizado pelo que fez, juntamente com toda a equipe responsável.
Engraçado que na minha cabeça a terceira temporada sempre mereceu 4,5 Lelecos, até por contar muitas vezes com cenas arrastadas e não tão interessantes. Porém, ao reassistir vídeos de resumos sobre os episódios, relembrar todos os principais momentos e ler sobre tudo o que aconteceu, tive que mudar de ideia. Toma aqui, terceira temporada de Breaking Bad, seus merecidos 5 Lelecos.

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Hank, meu brother, como cê consegue ser tão foderoso? O cara desarmado conseguiu derrotar dois assassinos profissionais, um com um tiro na cabeça e o outro com uma marcha ré poderosa. Este homem tem meu respeito.
  • Pensei que aquele velho do sininho não fosse aparecer mais. Que cara otário.
  • I fucked Ted”. Uma frase que vai ficar pra história.
  • Skyler lavadora de dinheiro, por essa eu não esperava.
  • Aquele discurso do Jesse pro Walt no hospital, depois de ter tomado uma surra do Hank, me arrepiou todo. Doeu na alma, velho.
  • Aff mano, por que tiveram que matar aquele guri? Eu sei que ele matou o Combo e tava no mundo do crime, mas não passava de uma criança, cara.
  • E aliás, que cena fantástica a do Jesse indo pra cima dos dois gângsters. Certeza que ele iria morrer, mas aí chegou o Super Walt com um carro, um revólver e apenas uma palavra: “run“.
  • Jesse e Andrea, será que agora vai?
  • Tadinho do pai da Jane, gente. Além de tudo, ainda teve um acidente na sua consciência.
  • Na disputa de quem é o careca mais zika, Walter marcou o primeiro gol, deixando Mike atrás no placar.
  • Que cena bizarra do Primo Número 2 sem pernas se arrastando pelo chão. Mais assustador que Annabelle.
  • Fiquei até meio mal depois da última cena da temporada, torcendo pra não chegar naquele ponto, mas não deu. Ver o Jesse se corrompendo daquele jeito, acompanhar a morte de um homem com uma personalidade inofensiva que nem o Gale foi bem pesado.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Walter White
Ele e Jesse foram os principais destaques, com atuações magistrais. Mas Heisenberg conseguiu ser mais imponente.

Swag é pra garotos, homens de verdade usam isto

+ Melhor episódio: S03E13 (“Full Measure”)
Fiquei até depressivo depois do final. Sério.

Quando você acidentalmente entra na área dos Vagos

+ Verdadeiro melhor episódio: S03E10 (“Fly”)
Inspirador e com uma história cheia de reviravoltas. Quase alcancei o nirvana ao assistir este episódio.

Poético

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou do filme. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?