Séries

O Justiceiro: 2ª Temporada (2019)

• Marcas de guerra

Violência, sangue, assassinato, vingança, tiros, armas, caveiras, ferimentos, morte. Muitas palavras podem ser associadas a Frank Castle, um dos anti-heróis mais infames da cultura pop. Um outro verbete, porém, acabou sendo adicionado na enciclopédia do Justiceiro, e que os fãs gostariam que não tivesse sido acrescentado: cancelamento. Era inevitável, todo mundo sabia. Luke CagePunho de FerroDemolidor já haviam sido descontinuadas pela parceria Netflix/Marvel e não tinha por que o mesmo não acontecer com a série comandada por Jon Bernthal. O que dava pra fazer nessa altura do campeonato era entregar aos fãs um fechamento digno para a melhor interpretação do personagem até hoje. A missão foi bem-sucedida.

 

Sinopse

Ficar na surdina nunca foi a especialidade de Frank desde que sua família foi brutalmente assassinada num parque de diversões. Eternamente com ódio, o ex-militar começou a ir atrás de todos os criminosos possíveis, agindo como júri e executor. Quando descobriu a verdade sobre a morte de seus entes queridos, o ódio foi transformado em propósito e a figura do Justiceiro ganhou um objetivo central: punir os responsáveis pelo massacre de sua esposa e filhos. O processo foi doloroso, porque seu melhor amigo Billy Russo estava envolvido. Frank julgou que o preço da vida não seria alto o suficiente pro seu irmão de guerra. Em vez disso, ele esfregou o rosto do cara no espelho pra tirar o que tinha de melhor em seu antigo companheiro: a beleza.
Algum tempo depois, Frank Castle deixa Nova York e resolve ficar na surdina, pois não havia mais motivo para continuar matando todo mundo, já que os responsáveis tinham sido punidos. Contudo, ele simplesmente não consegue se ver longe de encrenca e mergulha de cabeça, sem querer, em uma trama complexa envolvendo uma garota que se apresenta como Rachel. Longe dali, Dinah Madani visita todos os dias seu nêmesis Billy Russo no hospital, com o rosto coberto por uma máscara.

Dá pra sentir o clima agradável neste quarto

Crítica

O primeiro episódio inicia a temporada com dois pés direitos. Eu me acostumei tanto a ver o Frank Castle sanguinário que uma faceta dele mais calma e com vontade de deixar o passado pra trás foi uma boa mudança. Obviamente, eu sabia que alguma merda iria acontecer a qualquer momento, mas não me pareceu forçado. A apresentação dos novos personagens é feita com cuidado, e o enredo centrado em cidades do interior dos EUA dá um novo ar não somente à série, mas ao universo Netflix/Marvel.
Infelizmente, não dura por toda a temporada. A obra dá um jeito de se magnetizar de volta a Nova York. Inicialmente, me vi empolgado porque aquilo significava a reaproximação de Frank e a figura destruída de Billy, além do retorno de Madani. A introdução de Krista Dumont como psiquiatra de Billy funciona e o antagonista vai ganhando camadas, nos fazendo questionar se ele conseguiria tornar-se outra pessoa e corrigir os seus erros. Aquele arco fica em segundo plano enquanto Frank e Rachel resolvem toda a treta inicial da temporada, com o auxílio de Curtis. Neste núcleo, temos a figura nova de John Pilgrim, um fanático religioso que trabalha como “resolvedor de problemas” nas horas vagas. O vilão não possui muita originalidade porque a Netflix/Marvel parece ter algum tesão por vilões religiosos, e este não possui lá muita expressividade e carisma. Curiosamente, quando ele é o foco, não é tão bom e Billy parece ter mais potencial. Quando deixa de ser o principal, os papeis se invertem.
No geral, a segunda temporada de O Justiceiro comete alguns erros recorrentes no universo compartilhado, como cenas de luta muito escuras (pqp, como isso me irrita), tramas arrastadas por uma quantidade de episódios maior do que o necessário e um desnivelamento entre as histórias. Entrava certo personagem e eu chegava pra frente na cadeira de tão interessado. Mudava a cena e eu perdia a empolgação. Por outro lado, as performances dos protagonistas continuaram sólidas e os diálogos muito bem escritos.

Se fosse uma varinha na mão dele em vez de uma arma, seria o visual de um Comensal da Morte

Veredito

Um pouco inferior à primeira, a segunda temporada aposta na qualidade de seus personagens principais, na fórmula de violência que havia dado certo e no formato de sucesso do universo Netflix/Marvel. A produção se divide em duas tramas principais, que se convergem ao mesmo tempo que se mantêm separadas. A estratégia dá certo quase na mesma medida que dá errado, mas o resultado final acaba sendo positivo. Os personagens e os diálogos são as maiores qualidades, o enredo arrastado e a escuridão das cenas são os poréns. A caracterização de Billy Russo como Retalho (Jigsaw) é decepcionante, mas a representação de Frank Castle como Justiceiro não tem defeitos. Nota final: 4,1/5.

Nossa, ele ficou tão feio depois dos cortes no rosto, realmente uma aberração

 

>> Crítica da 1ª Temporada de O Justiceiro

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • O Billy e o Pilgrim são meio que contrapartes, não acham? Um era descontrolado, o outro tomava suas decisões de modo impassível. Um conseguiu se redimir e foi poupado pelo Justiceiro, o outro mergulhou de vez na loucura e foi morto sem remorsos pelo mesmo Justiceiro (aliás, que cena refrescante, se fosse qualquer outro herói falaria alguma baboseira como “eu não sou igual a você” ou “não vou sujar as minhas mãos”). Um era soldado e obedecia ordens, o outro fazia suas próprias ordens. E o mais curioso disso tudo é que nos momentos em que um estava no centro de um núcleo interessante, o outro caiu um pouco. Quando o foco era o Pilgrim, o achei meio genérico e o Billy começou a chamar minha atenção. Na reta final da temporada, foi o contrário.
  • Ah, e sobre a caracterização do Billy, eu entendo que nos tempos atuais talvez não precisasse daquele exagero dos quadrinhos, até porque as cirurgias de reconstrução facial evoluíram demais. Só podiam ter feito cicatrizes um pouco mais bizarras ou não tratado o personagem como alguém que ficara horrível de se ver. O cara conseguiu ficar mais atraente do que antes, quase.
  • Eu queria morar naquele primeiro episódio. Sério, poderia ser um filme tranquilamente. O Frank teve MUITA química com a Beth, e aquela sequência de luta no bar foi sensacional. Sem falar na música folk como plano de fundo.
  • Dá pra perceber que a série é boa quando eu tenho medo de algum personagem específico morrer. Com algumas obras, fico torcendo pra alguém importante partir desta pra melhor só pra eu ter algum tipo de impacto. Em relação ao Curtis, por exemplo, fiquei com muito receio dele não sobreviver. Jurei que o Pilgrim o mataria naquela parte lá no trailer.
  • Achei muito que a Dinah tinha morrido enforcada pelo Billy. E teria sido um fim espetacular pros dois, ambos morrerem daquele jeito, um matando o outro. Mas o modo como as coisas terminaram foi ainda melhor. E sobre a Krista, era óbvio que em algum momento ela cairia daquela janela, empurrada ou não. Só achei que não ficaria viva, outra surpresa pra conta.
  • Todo aquele capítulo centrado no Frank e na Rachel (Amy, na verdade) dentro da delegacia foi incrível. O problema foi que a melhor parte em teoria acabou apresentando o maior defeito. Pra que fazer um tiroteio tão escuro daquele jeito, caraio??? Não dava pra enxergar nada, eu odeio essa mania atual das séries. Foda-se se é mais realista, eu quero é enxergar.
  • Podia ter aparecido aquele carinha da primeira temporada que foi parceiro do Frank, nem que fosse pra fazer uma pontinha. Teria sido a cereja do bolo, mas se fosse pra trazê-lo só por trazer, aí foi melhor não ter rolado mesmo.
  • A Karen virou a fã número 1 do Frank, né? Eu sei que muita gente torceu pra eles ficarem juntos, mas eu teria gostado muito mais se nunca tivesse tido nada romântico. Acabou que ficou no ar. O problema é que a gente quase nunca vê representada um amizade profunda entre homem e mulher sem desembocar em algum momento em beijos, só se o cara for gay. É uma coisa que sinto falta.
  • Jurei que o Bruno & Mahoney fosse morrer em algum momento, mas ainda bem que não foi o caso. A gente precisava de um exemplo de honestidade que permanecesse vivo pra contar a história.
  • Sobre o encerramento de O Justiceiro: final bom, desfecho bosta. A morte do Billy, a ida da Madani pra CIA, a Amy indo embora, tudo foi ótimo. Só não concordei com o Frank continuando na sua saga como Punisher, mesmo depois de ter completado os seus serviços. Aquilo ali foi puro fan service pra mim, sobretudo por causa da jaqueta clássica do personagem. Fiquei sentindo falta de uma conclusão pro ciclo da Beth, que acabou ficando meio solto. Pra mim, teria sido muito mais a ver com o Castle se ele tivesse voltado pro interior e encontrado a bartender. Ele atirando em todo mundo na última cena me pareceu algo meio deslocado, mas beleza.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Frank Castle
Se o ator certo não tivesse sido escalado, O Justiceiro provavelmente não teria sido algo tão bom. Aliás, nem teria existido. Jon Bernthal mostra mais uma vez que nasceu pra representar o anti-herói, é uma pena que teve a oportunidade de fazê-lo por tão pouco tempo.

Shane do outro lado da lei

+ Melhor episódio: S02E01 (“Roadhouse Blues”)
season premiere me deu a esperança de que a temporada investiria em uma história menos urbana, e aquilo me deixou bastante animado. Todos os elementos deste capítulo são perfeitos, é uma pena que a vibe dele foi deixada de lado alguns episódios depois.

Eu gostaria de ser sobrinho destes dois

+ Maior evolução: Curtis Hoyle
Um dos caras mais leais do universo da Netflix/Marvel. Como Billy Russo não é mais o parceiro de Frank, Curtis chega pra preencher o espaço e o faz com muita competência.

Violência? Não, ele não Curtis

+ Maior surpresa: Rachel (menção honrosa a Krista Dumont)
A personagem é legal, mas o que ela tem de melhor é sua relação com o Justiceiro. As cenas dos dois juntos foram o ponto alto da temporada.

Eu mostrando pros coordenadores que não roubei a caneta do coleguinha

+ Mais subestimado: Brett Mahoney
Vendo tudo pelos olhos de Frank, o Mahoney é um verdadeiro pé no saco. Mas pensando realisticamente, ele é o cara mais “lawful good” da série e nos faz pensar em como seria o mundo se existissem mais policiais como ele.

Talvez esta imagem seja de Demolidor, mas cês não imaginam o tanto que foi difícil achar uma foto boa desse maluco

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?