Séries

13 Reasons Why: 3ª Temporada (2019)

• Assassinato na Escola do Ocidente

Quando saiu a temporada de estreia de 13 Reasons Why, todo mundo sabia que a história desembocaria inevitavelmente no suicídio de Hannah Baker. A questão não era o fato em si, mas tudo o que aconteceu para culminar na perda daquela vida. A segunda chegou como uma incógnita, pois não existia no universo original da obra, no livro “Os 13 Porquês” de Jay Asher. Foi desnecessária, mas ainda assim teve seus momentos, explorando outras facetas dos personagens que já haviam sido introduzidos. A produção da terceira foi mais dispensável ainda, a laranja havia sido praticamente toda espremida, não tinha quase nenhum suco disponível. Mas foda-se, né, a série dá dinheiro e precisa continuar, mesmo que sacrifique a sua própria qualidade.

 

Sinopse

Eu gostaria de não ter sabido disto antes de começar a assistir, mas foi a principal fonte de divulgação da nova temporada. Por isso, não tem como eu suprimir o acontecimento. Se você considera a informação que darei a seguir um spoiler, peço desculpas, mas a própria Netflix a utilizou para convocar seus assinantes a acompanhar os novos capítulos. Sem mais delongas, vamos em frente.
Quem matou Bryce Walker? A figura mais controversa de Liberty High faleceu em decorrências misteriosas, acionando suspeitos por toda a cidade. No centro de tudo, estão obviamente as pessoas que Bryce fizera mal em sua vida, como Jessica Davis, Clay Jensen, Justin Foley, Tyler Down, entre tantos outros. Para adicionar mais tempero, há uma nova aluna: Amarowat Achola, ou simplesmente Ani. Ela assume o papel de nova narradora, se apega rapidamente aos estudantes conhecidos por nós e também se aproxima de Bryce, deixando toda a situação principal da temporada ainda mais nebulosa.

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Crítica

Eu não sei o que é pior na terceira temporada de 13 Reasons Why. É tanta coisa errada que fica difícil saber por onde começar. Talvez eu deva iniciar com Ani, a coisa mais grotesca que o roteiro desenvolveu até agora. Pra falar a verdade, vou deixar pra analisar os personagens na última seção da postagem, então bora destrinchar as outras partes.
Bom, comecemos pela premissa central: a morte de Bryce Walker. Ela em si pareceu uma decisão meio covarde da série, pois serviu apenas para criar um novo mistério e se livrar de um antagonista que eles não sabiam mais como trabalhar. Quando me dei conta de que a indefinição de como havia sido sua morte se arrastaria pela temporada inteira, pensei que talvez as circunstâncias do fato fossem desenvolvidas acertadamente e fechassem bem o ciclo. Entretanto, não esperava que transformassem o Bryce em um coitadinho. Sim, eles fizeram isso. Eu entendi aonde eles queriam chegar – na ideia de que todo ser humano pode se arrepender, mudar, melhorar. Concordo plenamente com isso, mas a maneira que 13RW trabalhou este amadurecimento foi até um pouco perigosa. Em vários momentos, até me esqueci do monstro que existia ali. A série parece que fez de tudo pra relevar os pecados de Bryce pra mostrar seu lado bom, um erro grave.
Os demais arcos são bagunçados. Tyler, Justin e Tony são os pontos fora da curva, todos os três entregam boas interpretações e roubam a cena constantemente. Eles são orgânicos, reais, seus dilemas são verdadeiros. Seus núcleos tratam de depressão, ansiedade, dependência química, imigração, sempre de modo delicado e imersivo.
No geral, 13 Reasons Why força muito a história pra que todo mundo pareça suspeito. Não precisava disso tudo, bastava reduzir a quantidade de episódios e ir mais direto ao ponto. A revelação final sobre a morte de Bryce Walker de fato é surpreendente, mas não é aquela surpresa que causa impacto. É tipo quando você termina de ler um romance e as coisas não acabam como você esperava, mas teria sido melhor do seu jeito.

O Twitter resumido em uma imagem

Veredito

Eu estou longe de ser um profissional da saúde e não cabe a mim julgar se 13 Reasons Why trata bem os temas que aborda. Sou simplesmente alguém que observa o entretenimento, e neste ponto a primeira temporada foi incrível. A cada capítulo, minha curiosidade crescia e minha vontade de descobrir as próximas ocorrências se alastrava. O segundo ano ainda teve vestígios do vício de outrora, mas com uma trama consideravelmente mais pobre. A terceira temporada faz de tudo pra manter o interesse de quem assiste, mas aposta nas mesmas estratégias de antes e ainda coloca uma personagem terrível como protagonista ao lado de Clay Jensen. Acho difícil que o quarto ano encerre a série com chave de ouro, porque o cadeado foi destrancado há muito tempo. Nota final: 2,1/5.

Se tivesse uma taça de vinho ali na mesa, ela seria quase uma Cersei Lannister

 

>> Crítica da 1ª Temporada de 13 Reasons Why

>> Crítica da 2ª Temporada de 13 Reasons Why

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Impressionante como a Ani é uma personagem ruim. Em todo momento importante, lá estava ela se esgueirando pelas paredes e ouvindo a conversa alheia. Onipresente demais. E ainda tem todo o rolê dela ficar xonadinha no Bryce e ficar desconfiada/com raiva do Clay por causa das reações dele. Oi? Hipocrisia reina, né, colega. Cê fica com um estuprador sabendo que ele é estuprador e depois se julga o ser mais superior do universo. Ah, nem.
  • Aliás, eu entendi que a série quis mostrar que não existe caso perdido, que até mesmo alguém como Bryce Walker poderia ser salvo. Mas não precisavam tê-lo colocado num pedestal da redenção. Ele tinha problemas familiares, ok, mas isso não justifica nem um quarto das coisas que fez. Deu pra entender toda a questão das influências masculinas tóxicas, mas velho, foi ridículo ver as cenas dele sorrindo com a mãe e tudo mais. As únicas partes que salvaram foram dele quebrando a perna do Zach e brigando com aquele garotinho na casa que invadiu com o Alex. Mostraram que no fundo ele ainda era podre.
  • Courtney ganhou o prêmio de aparição mais rápida da temporada. Melhor que o Ryan e a Sheri, que sequer deram as caras.
  • Eu já falei algumas vezes aqui no blog, acho, que não gosto de temáticas envolvendo personagens viciados em drogas que a gente acompanha de perto a trajetória. É sempre a mesma coisa, o que valoriza ainda mais a figura de Justin Foley. Mesmo com todo o panorama do vício ao fundo, ele conseguiu liderar um arco sólido.
  • Por falar em arco sólido, se 13 Reasons Why tivesse Tony Padilla como protagonista a série teria outro nível. O cara é sempre bom, e sempre fica de lado. Chegou uma hora que eu tava mais interessado em como ele recuperaria a família do que o paradeiro do Bryce.
  • O diretor da escola é um tremendo pau no cu ou não? Tem hora que ele é sensato, mas tem momentos que demonstra uma péssima índole.
  • Todo o núcleo das “”feministas”” foi bem mal feito, convenhamos. É claro que existem militantes como aquela menina lá que apareceu do nada, e achei importante mostrarem que o estupro masculino é totalmente relativizado. Só poderiam ter deixado a galera mais natural, a Jessica acabou ficando no centro de uma historinha meio chata. Foi desperdiçada. E outro núcleo besta foi a da Chloe, ex-namorada do Bryce. Fizeram aquilo só pra abordar a questão do aborto, mas até Big Mouth fez isso melhor.
  • Em compensação, o Tyler revelando o que aconteceu com ele pro Clay e pra Jessica está entre os maiores acertos da produção. E o Monty acabou morrendo, no final das contas. Era outro fodido pela vida, muito mais que o Bryce.
  • Mãe da Hannah voltou pra série só pros telespectadores fazerem uma conexão com a filha. Fora isso, foi completamente inútil.
  • Alex matando o Bryce foi o tipo de coisa surpreendente, mas não de um jeito bom. Porra, eu não tô nem aí pro Alex, sinceramente. Ele era bom no primeiro ano da série, depois disso virou um coadjuvante sem muito brilho. Se eu fosse o roteirista, teria feito o pai da Hannah ter matado o Bryce. Pensa, seria algo chocante, que faria sentido e transmitiria muito mais impacto que a decisão real pelo fato do personagem não ter aparecido durante a temporada inteira. Me contratem, Netflix, tô disponível.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Tyler Down (menção honrosa a Justin Foley)
Depois do trauma da temporada passada, ele poderia ter sido o maior erro desta. Pelo contrário, apesar de eu ter MUITAS ressalvas em relação à ideia de sair matando um monte de gente que não tem nada a ver com o assunto, Tyler cresceu e mostrou que é um dos mais fortes da série. Justin é outro que não decepcionou, manteve o nível exibido e quase foi o Melhor Personagem duas vezes consecutivas.

Tyler Down deu um Up na temporada

+ Melhor episódio: S03E08 (“In High School, Even on a Good Day, It’s Hard to Tell Who’s on Your Side”)
Pra mim, aqui apareceu o momento que eu mais esperava na temporada. E veio com toda a emoção esperada. Destaque também para o sexto episódio, focado em Tony.

Que homem, vamo combinar

+ Maior decepção: Zach Dempsey
Nula. Assim eu poderia definir a participação de Zach nesta temporada. Não fez praticamente nada de útil e se tivesse sido retirado não teria feito a mínima falta.

Prêmio de Mais Inútil do Ano concedido com sucesso

+ Mais subestimado: Tony Padilla
Eu não sei por quê, mas a série não parece ligar muito pra ele. Suas histórias são sempre secundárias, mesmo sendo melhores que a maioria das outras. Se fosse mais utilizado, talvez 13 Reasons Why não tivesse se tornado tão ruim.

Por favor, deem atenção a este homem. A série precisa disso

+ Pior personagem: Ani
Tudo sobre a construção dela foi mal feito. Sua personalidade é irritante, ela parece estar presente em todos os momentos-chave inexplicavelmente, não é agradável e tá sempre deslocada, como se não pertencesse à série. Tudo é potencializado pra pior porque a série optou por deixá-la em um dos papeis principais. Decisão horrível. E ela junto do Clay fica ainda pior. Eu até gosto dele de vez em quando, mas ficou chatão com a companhia da nova adição.

Pior dupla da história da televisão

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?