Séries

O Justiceiro: 1ª Temporada (2017)

• Com as próprias mãos

Não é incomum ouvir que a justiça tem duas faces. Infelizmente, ela não é aplicada de maneira igualitária pra todos os cidadãos – quanto maior a classe social e a influência do acusado, maior a dificuldade dele ser condenado. Com a consciência de que se trata de um fato que dificilmente muda, Frank Castle resolve fazer a sua própria justiça. Pra que esperar longos julgamentos em tribunais, sabendo que a conclusão será favorável ao réu? Pra que se esforçar tanto como o Demolidor para colocar criminosos na cadeia se os mesmos estarão de volta às ruas na primeira oportunidade? Castle deixa claro que seu método é mais efetivo. Quando ele vai atrás de um bandido, ele elimina a ameaça de vez. O choque entre as duas filosofias foi introduzido na segunda temporada de Demolidor. Agora, em sua própria série, o Justiceiro segue sozinho pra lidar com os próprios demônios.
A mais nova série da Marvel sem dúvida mexe no vespeiro. Cutuca a vara com a onça curta. Em uma trama intensamente militar, O Justiceiro faz altas críticas ao Exército estadunidense, seus segredos e sua falta de escrúpulos. Com a presença inevitável de sangue e uma violência absurda, o enredo do ano de estreia da obra se desenrola a partir do passado do protagonista, algo que já havia sido abordado bastante em Demolidor. Desta vez, porém, Frank Castle vai mais a fundo na tragédia que culminou no assassinato de sua família e descobre que o buraco é mais embaixo. Envolvendo diferentes camadas militares dos EUA, a Segurança Nacional do país e até a própria CIA, O Justiceiro age basicamente como um manual de consequências das guerras e seus interesses. E faz isso muito bem.
A história começa a partir do desfecho do núcleo de Castle em DD. Dado como morto, ele agora tá com um visual hipster e trabalhando em um canteiro de obras, martelando paredes como uma espécie de tortura do Tártaro. Ele é trazido de volta para o agitado mundo de Nova York a partir do momento que recebe o contato de David Lieberman, que se identifica como Micro, um misterioso homem que inexplicavelmente sabe que Castle é quem ele é. É claro que o nosso Justiceiro fica putaço, mas acaba indo atrás do cara pra descobrir do que se trata, e é aí que tudo começa.
A temporada de estreia do anti-herói mais controverso da Marvel começa interessante, ainda que um pouco lenta. A ambientação é bem feita, mas os arcos demoram a se desenrolar. Tudo só começa a acelerar mais ou menos na metade da temporada, e só vai ficar frenético e espetacular na parte final. Talvez esse seja o único motivo grande que me fez dar 4,5 Lelecos em vez de 5, porque quando a trama engrena, O Justiceiro se torna simplesmente a melhor série até aqui. E muito disso passa pelos personagens apresentados.
Além de Frank Castle e o já mencionado Micro, a série traz adições interessantes para o universo da obra. Temos o ex-militar Billy Russo, o melhor personagem da série e de longe o mais cheio de camadas, além do próprio Frank, que de certa forma perde um pouco do brilho. O Justiceiro de Demolidor era mais foda, vamo combinar. Dinah Madani é a policial da vez, uma espécie de Misty Knight sem muito carisma, mas com igual motivação. Temos também a velha conhecida Karen Page, a qual teve uma química muito legal com Frank na série em que ele foi introduzido. Além disso, temos os vilões, apresentados de fato somente ao longo dos episódios, mas que cumprem bem o seu papel.
As cenas de ação não são tão orgânicas quanto as de Demolidor, obviamente, mas trazem um viés diferente, porque ao contrário de Matt Murdock, cujas armas principais são os punhos, Frank Castle utiliza metralhadoras, revólveres e espingardas. Ironicamente, ambos fazem justiça com as próprias mãos, sendo que o primeiro o faz de modo literal. As brigas do último não nos deixam super empolgados, mas algumas sequências são de tirar o fôlego, especialmente na metade final da temporada, quando as coisas andam de verdade.
Para um ator que começou desacreditado no papel, Jon Bernthal faz um puta Justiceiro foda, ainda que tenha sido um pouquinho minado pelo roteiro. O que interpreta o Billy, Ben Barnes, também dá um show, assim como os outros secundários. Aliás, com exceção de algumas peças de Punho de Ferro, a Marvel e a Netflix não erraram quase nunca em suas escolhas de atores. No geral, O Justiceiro é com certeza melhor que a obra de Danny Rand, é claramente superior a Os Defensores, deixa a primeira temporada de Jessica Jones para trás e fica embolado entre as duas de DemolidorLuke Cage segue na ponta, a que eu mais gostei até agora, ao contrário do que a maioria dos fãs pensa. Porém, ainda tem muita coisa pra assistir e vamo ver se o meu ranking vai dar uma mudada no futuro.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

{Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota desta temporada, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/gabarito-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Tava escrito que o Frank iria acabar beijando a Sarah, esposa do David, né? Ainda bem que pelo menos eles não transformaram aquilo num drama desnecessário.
  • Puta merda, qual sequência foi a mais foda na temporada? O Frank se levantando após a injeção de adrenalina, jogando o Rawlins no chão, esfaqueando-o diversas vezes e fazendo cosplay de Kratos no God of War III ou o Frank arrastando o rosto do Billy pelo espelho do carrossel? Porque caralho, que bando de cena espetacular. Me digam nos comentários quais vocês preferiram.
  • Ah, e por falar nisso, espero que caprichem no visual do Retalho – digo, Billy – pra segunda temporada, porque eu vi em uma imagem do set de gravação que ele tava somente com uns cortes bestas na cara junto com um cabelo raspado. Espero que não seja a versão final.
  • Micro se reunindo com a família foi tão fofo, ele acabou sendo um personagem que eu fui gostando cada vez mais ao longo do tempo.
  • Descanse em paz, querido Sam Stein.
  • Ah, referência do Billy segurando o livro de Dorian Gray captada com sucesso!
  • Se eles tivessem matado o Curtis, pensa num cara que teria ficado puto.
  • Eu, meu pai e meu irmão mais novo ficamos a temporada inteira encasquetados com a função do Lewis na trama principal. De qualquer forma, deu tudo certo e foi um núcleo bem massa e pertinente. Ele se explodindo e citando coisas do Exército antes da conclusão de seu destino foi bem pika.
  • Se a Dinah tivesse morrido com aquele tiro do Billy, eu também teria ficado muito puto. Mas não ficou meio forçado ela ter sobrevivido ao tiro na cabeça não? Se bem que o Frank também fez a mesma coisa, né, talvez tenha sido um paralelo.
  • Toda série da Marvel tem a “cena do corredor” que merece. A primeira temporada de DD teve aquela original, a segunda já contou com a luta na escadaria. A primeira de Luke Cage teve o Carl Lucas entrando na base do Boca de Algodão e fodendo geral. Jessica Jones eu não lembro se teve, mas não combina tanto com a série assim. Os Defensores teve aquela briga de todos contra a Elektra no prédio do Tentáculo. Agora, O Justiceiro teve aquele tiroteio maluco no galpão do Micro. Já Punho de Ferro… ok, deixa pra lá.
  • Vocês aí que falam que os celulares são uma praga tecnológica da atualidade, saibam que um exemplar deles salvou a vida de David Lieberman.
  • Teria sido legal se a temporada tivesse tido um nome mais original, tipo: O Justiceiro – As Aventuras de Billy Mente.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Billy Russo
Apesar de Frank Castle estar muito bem representado, é Billy quem rouba a cena. Micro também se destaca.

Cê pode dizer qualquer coisa dele, mas que o cara é bonito, aí não dá pra negar

+ Melhor episódio: S01E12 (“Home”)
Com um grau considerável de violência, conta também com um dos momentos mais épicos da temporada.

Vou imprimir essa imagem, recortar e colocar em cima do meu bolo de casamento

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?