Documentário, Séries

Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo (2014)

• Aula de conhecimento

Primeiramente, devo deixar bem claro que sou de humanas e o que sei de matemática se restringe à delta e bhaskara.
Digo isso porque sempre curti mais história, geografia e matérias desse tipo, não sendo muito bom em física, química, biologia e afins. Por isso, não espere encontrar neste texto a opinião de um especialista no assunto, apenas de um leigo que acha muito foda os temas abordados na série.
Sempre me amarrei nos mistérios do Universo. Em várias ocasiões discuti com amigos sobre teorias de viagem no tempo, vida após a morte, seres extraterrestres e o surgimento da vida, assuntos bem informais numa roda de conversa. Por isso, quando meu irmão mais velho começou a ver Cosmos e me indicou, logo me interessei e adicionei à minha lista da Netflix.
No formato de um documentário, apresentado por nada mais nada menos que Albert Einstein Neil deGrasse Tyson, Cosmos possui episódios independentes, cada um com uma temática diferente. A maioria puxa mais para o lado do espaço sideral – estrelas, planetas, galáxias – e cientistas icônicos, enquanto alguns tocam em outros temas interessantes e atuais, como o aquecimento global e o potencial do ser humano para a grandeza.
Como eu disse logo acima, Neil deGrasse Tyson nos apresenta vários cientistas e pensadores, uns famosos e devidamente valorizados, outros nem tanto. A série nos conta a história de descobertas de Isaac Newton, Michael Faraday, Edmond Halley, ao mesmo tempo que retrata a vida de gênios incompreendidos e não-reconhecidos, como Claire Patterson e Cecilia Payne (lembrando que por eu não ser dessa área, conheço menos ainda alguns nomes que podem ser familiares para estudantes de física e matemática).
Logo no primeiro capítulo, aonde nos é mostrado o avanço do tempo desde o Big Bang, no formato de um calendário de bilhões de anos comprimido em um único ano terreste, percebi que ia gostar da série. A cada episódio eu ficava com ainda mais perguntas, e lá eu ia pegar meu celular e ficar por consideráveis minutos pesquisando o porquê da existência de buracos negros e outros fenômenos fantásticos.
A didática de Neil deGrasse Tyson é talvez o maior ponto positivo da série, o que o torna o melhor “personagem” (até porque é o único HAHAHA). Seu modo de explicar questões que na escola nunca haviam despertado meu interesse é algo incrível, mesmo que de vez em quando deixasse escapar alguns de seus raciocínios. É verdade que as partes que focavam em química eram as que eu mais ficava com a cabeça girando, mas compreendi muita coisa que antes eu nunca tinha entendido.
Outro ponto positivo são as historinhas contadas pelo astrofísico. A que mais me marcou foi talvez a da evolução dos doguinhos (me recuso a usar a palavra “catioro”), não sei bem o porquê. Quando eu era criança, tinha pavor de cachorros, mesmo aqueles indefesos que não fazem absolutamente nada além de dormir. Porém, ao longo do tempo fui perdendo esse medo e hoje eu amo esses bichinhos e sua inabalável lealdade. Acho que por isso a história da evolução desses animais me interessou tanto, e sempre que tenho oportunidade, compartilho com alguém esse meu novo conhecimento.
É notável a diferença de etapas em Cosmos. Nos primeiros episódios, a série se preocupa mais com o núcleo do espaço sideral e as constatações físicas e matemáticas por trás do negócio; na metade da temporada, já vemos um foco um pouco distinto, nos cientistas e suas descobertas e em abordagens da química; mais pro final já percebemos que a série toma um caminho mais humanitário, sempre reforçando a nossa necessidade e capacidade de ser melhores e tornar o nosso mundo melhor.
Algo que merece destaque também são os vários momentos inspiradores, sobretudo no final de cada episódio. Com discursos poderosos e com a ocasional ajuda de Carl Sagan, o óbvio ídolo de Neil deGrasse Tyson e criador da série original, Cosmos sabe bem como tocar nossos sentimentos e nossa consciência, o que chega ao seu ponto máximo no último episódio, com dois discursos muito fodas dos dois físicos.
Eu não sei se a série original é melhor do que essa, pelo simples fato de que eu ainda não vi a outra, risos. De qualquer jeito, não estou aqui para isto, apenas para dizer que todo mundo deveria pelo menos uma vez na vida assistir à obra de arte chamada Cosmos.

 

Algumas citações fodas de Cosmos (a maioria destas frases peguei do inglês e eu mesmo traduzi, por isto podem existir algumas divergências da legenda original):

 

  • “Nós somos, cada um de nós, um pequeno universo”.
  • “Não há problema em não saber todas as respostas. É melhor admitir nossa ignorância do que acreditar em respostas que podem estar erradas. Fingir que sabe tudo fecha a porta para a descoberta do que realmente estava lá”.
  • “Cada raça canina conhecida foi esculpida por mãos humanas”.
  • “A ciência revela que toda vida na Terra é apenas uma”.
  • “Nós somos todos feitos de poeira das estrelas”.
  • “Questione a autoridade: nenhuma ideia é verdadeira só porque alguém diz que é, incluindo eu. Pense por si próprio, questione a si próprio; não acredite em algo só porque quer acreditar. Acreditar em algo não o torna verdadeiro. Teste ideias pelas evidências adquiridas pela observação e experimentação. Se uma ideia prevalecente falhar num teste bem desenvolvido, está errada. Supere. Siga as evidências, onde quer que elas levem. Se não houver evidências, evite julgamento. E, talvez, a mais importante regra de todas: lembre-se, você pode estar errado. Até mesmo os melhores cientistas já se enganaram sobre alguma coisa.”

 

Meu respeito por esse cara subiu 200%
Meu respeito por esse cara subiu 200%

Publicado por Luiz Felipe Mendes

Fundador do blog Pitacos do Leleco e referência internacional no mundo do entretenimento (com alguns poucos exageros, é claro).