Séries

Diário de Horrores: 2ª Temporada (2019)

• Não tenha filhos

Preciso reforçar uma questão logo no início deste pitaco. A primeira temporada de Diário de Horrores e a quarta e quinta temporadas de Orphan Black, assim como a terceira de Shadowhunters, possuem notas bastante similares lá no meu gabarito. Entretanto, elas não estão em um mesmo nível geral. Entre as três, a série das clones é claramente superior como produto. Sua história é mais sólida, nem se compara aos clichês da obra sobre os Caçadores de Sombras e os contos infantis com temática de terror. Então como é que estão na mesma faixa de avaliação? A resposta é simples, e eu abordei isso na crítica da primeira temporada de Diário de Horrores. Ela poderia facilmente ter ganhado nota Mais ou Menos, mas ficou como Bom Entretenimento pois é boa o bastante para seu público-alvo. Agora temos uma base a que recorrer, a segunda temporada esteve num patamar abaixo por causa das mesmas regras expostas em sua predecessora, excluindo comparações com Orphan Black Shadowhunters, por exemplo, pois têm uma lógica totalmente diferente.

 

Sinopse

A segunda temporada conta com um total de 10 episódios, três a menos do que a primeira. O modelo é o mesmo, apresentando tramas fictícias independentes entre si; a figura do Curioso é o único elemento que une os capítulos. “One More Minute” é a primeira crônica, contando a saga de um garoto viciado em um jogo de videogame e que não percebe o tempo passar à sua volta. “Itchy” é sobre piolhos assassinos contaminando uma cidade inteira e se comunicando com o protagonista. “Help” se assemelha muito a “Marti” da temporada anterior, contendo um dispositivo eletrônico com a função de auxiliar as pessoas dentro de uma casa, mas que acaba ganhando consciência própria. “The Many Place” é escancaradamente inspirada em O Iluminado, expondo crianças perdidas no andar de um prédio, este desvinculado do espaço-tempo real. “The Unfortunate Five” segue a linha de Clube dos Cinco e traz alguns jovens transgressores em detenção, obrigados a participar de uma espécie de retiro espiritual na escola. “No Filter” tem como enfoque um filtro de celular que apaga o rosto das pessoas. “Only Child” expõe uma família ganhando o presente de uma vida nova quando a mãe dá à luz um menino, e como aquilo impacta a irmã do recém-nascido. “The Takedown” entrega uma garota buscando se destacar em uma aula de luta greco-romana. “Tilly Bone” desenha um cenário no qual amigos estão reunidos em uma casa e começam a mostrar comportamentos estranhos. “Splinta Claws” fecha o percurso ao traçar o caminho de um Papai Noel maligno residindo em um shopping.

A face tranquila de quem vai xingar muito no Fortnite mais tarde

Crítica

Vou copiar o que eu mesmo fiz no pitaco da primeira temporada, falando do pior ao melhor episódio separadamente e depois deles como um todo. Sem dúvida alguma, o mais fraco é “Itchy”. Sua premissa é absurdamente boba, a narrativa é tediosa e os personagens são terríveis, consolidando assim o episódio menos impressionante de toda a série. “Splinta Claws” também não é lá essas coisas. O rolê de transformar o Papai Noel em algo maligno tá longe de ser original, e falta carisma em todo mundo que aparece. “Help” fecha o top 3 da discórdia, porque adapta a mesma coisa que “Marti” fez na primeira temporada, com a diferença de que a inteligência artificial é menos interessante. “No Filter” é uma pena gigantesca, poderia ter rendido ótimos frutos se o roteiro não tivesse descarrilado o trem no fim e entregado protagonistas tão sem sal. “The Takedown” é um episódio legalzinho, contendo um bom plot twist (ainda que um pouquinho previsível pra mim) e uma história amarradinha, mas sem ser memorável. “Only Child” possui o melhor elenco da temporada. O carisma existe e a trama se desenrola bem. O resultado poderia ter sido ainda melhor se não fosse por uns deslizes perto da conclusão. “Tilly Bone” chama a atenção por ousar na narrativa, bagunçando a linha do tempo e contando tudo de trás pra frente. A estratégia me agradou e em geral se trata de um bom capítulo, principalmente por causa desse diferencial citado.
O top 3 se inicia com “One More Minute”, longe de ser algo revolucionário na indústria. Contudo, o enredo foi o que mais me prendeu, mesmo sabendo onde desembocaria. “The Unfortunate Five” ostenta o segundo lugar, administrando bem o estilo clubedoscincoesco e desenvolvendo um desfecho de certa forma surpreendente. “The Many Place” fica no lugar mais alto do pódio. Ainda que as crianças sejam meio irritantes, o conceito do capítulo é sólido e a reviravolta é digna de nota.
Como um todo, a segunda temporada de Diário de Horrores é inferior à primeira. Os atores estão um pouco melhores, um defeito parcialmente corrigido. Em contrapartida, faltou inspiração e inovação na parte criativa. O pior episódio é inferior ao pior da primeira, e o quinto melhor capítulo da primeira é tão bom quanto ou melhor do que o mais legal da segunda. O nível abaixou, embora a faixa intermediária tenha qualidade semelhante. Achei interessante a série apostar em filmes clássicos como figura de sustentação, e coincidentemente eles culminaram nos melhores resultados. Por outro lado, a redução de episódios, a qual poderia ter elevado a média geral, fez exatamente o oposto.

Não preciso nem dizer, né? Ok, lá vai: essa foi minha expressão assistindo ao episódio, que de Itchy Malia não teve nada

Veredito

O grande mérito da primeira temporada de Diário de Horrores é ser charmosa ao público-alvo infanto-juvenil, nos fazendo ignorar algumas interpretações oscilantes devido à criatividade dos criadores. A segunda é menos marcante. Ela tenta corrigir algumas falhas técnicas e é até bem-sucedida na missão. Porém, peca no que tinha conseguido estabelecer. As atuações podem estar menos “vergonha alheia”, o problema é que as histórias são menos perduráveis. Na minha visão, certos aspectos podem ser ignorados e relevados se a experiência se torna magnética, e já escrevi incontáveis pitacos tendo como base essa filosofia. A segunda temporada de Diário de Horrores, no entanto, não tem esse magnetismo que nos dá vontade de maratonar, mesmo introduzindo bons conceitos e referências espertas. Infelizmente, faltou um pouco de alma. Nota final: 2,3/5.

The Breakfast Club da deep web

 

>> Crítica da 1ª Temporada de Diário de Horrores

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • “One More Minute”: me lembrou aquele de Black Mirror em que o cara tem relações com outro cara na plataforma virtual. Deu uma agonia gigante ver o irmão do menino crescido e ele novamente se rendendo aos encantos do jogo. Mas cá entre nós, que mãe é aquela? Anos se passaram e o garoto vivendo no piloto automático, qualquer pessoa teria cortado o videogame pra salvar o filho.
  • “Itchy”: pqp, que coisa ruim. As coisas começaram mal quando eu vi que o episódio era sobre piolho, mas todo aquele negócio de eles estarem se comunicando com o menino e querendo uma dominação sobre o lugar me fez ficar um pouco envergonhado. Eu e minha namorada precisamos pausar porque não conseguimos ver tudo de uma vez.
  • “Help”: ah, uau, uma história sobre a autoconsciência de uma inteligência virtual. E que diabos foi aquela vizinha absorvendo a Siri do mal? Aliás, a vizinha me lembrou a O’Connor de Girls In The House.
  • “The Many Place”: quando eu vi a garotinha apertando os botões do elevador, ficou claro que iria dar merda. E eu jurei que aquele retrato de cabeça pra baixo serviria como uma pista, no melhor estilo João e Maria e as migalhas de pão; nem deu em nada, praticamente. E fico pensando no problema que seria a sua filha chegar do nada com uma irmã gêmea que você nem sabia que existia. Bizarro.
  • “The Unfortunate Five”: os personagens poderiam ter sido melhor explorados, só deram destaque pra menina lá. Mas foi um bom episódio. Os jovens se livrando de um diretor autoritário ao entregá-lo de bandeja pra um monstro assassino travestido de professora zen – nada mais belo.
  • “No Filter”: mano, o conceito de se apagar o rosto com um filtro é genuinamente bom, mas aquele final estragou tudo. Em vez da garota aplicar o vírus no sistema do Roubador de Faces™, ela simplesmente o deixou livre pra continuar fazendo aquilo (???). E se ferrou no final, porque não tem como viver sem aparecer em fotos hoje em dia.
  • “Only Child”: um bebê reptiliano em casa, que fofinho. Eu não teria sido tão nobre igual a menina, teria contado o segredo do bichinho na hora. E não fez sentido ele fazê-la de escrava, porque na verdade era ele quem tinha algo a esconder.
  • “The Takedown”: eu gosto dessas histórias de superação, de alguém indo contra todas as apostas e vencendo disputas. Acho que por isso eu achei o capítulo legal. E sobre ela se tornando um garoto, consegui prever poucos minutos antes.
  • “Tilly Bone”: não entendi nada até mais da metade, confesso. Foi uma tática muito arriscada, pois poderia ter dado absurdamente errado. Só sei que a menina que enfeitiçou todo mundo com o osso é assustadora. Ah, e eu só acho que os roteiristas queriam dar um recado sobre Star Wars. Aquela saga lá era igualzinha.
  • “Splinta Claws”: velho, eu teria moído aquele Papai Noel na porrada. Eu ia embora do shopping, voltava no dia seguinte com o bastão do Negan e destruía aquela porra. E que egoístas aqueles meninos, salvaram a própria pele e condenaram o restante das crianças. Parabéns.
  • Caso não tenha ficado claro o porquê do título do pitaco, não é muito difícil. Em praticamente todos os episódios, alguma criança faz alguma merda. É quase como se a série estivesse fazendo um alerta pra gente não reproduzir.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Junebug
Essa garota com feições parecidas às da Lorde foi um ótimo instrumento de manipulação, se encaixando muito bem com a trama em que esteve presente.

Como tirar uma selfie de alguém discretamente

+ Melhor episódio: S02E04 (“The Many Place”)
Ele não entraria no top 3 da temporada passada, talvez nem no top 5, mas não dá pra negar que foi divertidamente instigante.

– “Não pode fazer bosta, minha filha”. – “Mas eu quelo”.

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?