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The Witcher: 2ª Temporada (2021)

The Witcher

• Queime, carniceiro, queime

Cara, eu não tenho a intenção de ser o diferente aqui, ok? Não quero ir contra a maré simplesmente pra dizer que sou do contra. Dito isso, vou direto ao ponto: não achei a segunda temporada de The Witcher melhor do que a primeira. Pra ser bem sincero, nem de perto. Não que o Rotten Tomatoes seja uma régua precisa, mas ver que a aprovação da primeira temporada foi de 68% por parte da crítica e a segunda ganhou 94% me deixa bem confuso. Pra mim, foi exatamente o contrário. Eu achei a estreia genial, mas não gostei tanto assim da sequência. Vou explicar melhor no texto abaixo, prometo.

 

Sinopse

Geralt e Ciri estão juntos. Pai e filha, abençoados pela Lei da Surpresa, começam a criar um vínculo enquanto o nosso querido bruxeiro a leva pra Kaer Morhen a fim de protegê-la de todo o mal. Como era de se esperar, o plano não dá certo em sua plenitude. Em outras frentes, Yennefer sobreviveu aos eventos da temporada passada, mas se vê diante de um dilema. Na parte política do Continente, os reinos começam a ficar mais quentes do que o WhatsApp em época de Eleição à medida que uma guerra generalizada se aproxima, com batalhas travadas com espadas e sussurros.

Só faltaram as lâminas ocultas pra ela estampar a capa de algum Assassin’s Creed

Crítica

O que vocês preferem, que eu comece pelas partes que eu gostei ou por aquelas que eu não gostei? Como vocês não podem me responder, vou começar com os defeitos que enxerguei nesta temporada de The Witcher.

Antes de mais nada, a trama política me deixou com a cabeça espiralando de dúvidas, e não de um jeito bom. Na primeira temporada, a história soou confusa por muito tempo devido às linhas do tempo. Porém, a partir do momento em que se compreende essa dinâmica, o enredo revela ser relativamente simples. Na segunda temporada, as linhas do tempo não são bagunçadas, mas a trama me pareceu ser contada de maneira superficial demais pro tamanho daquele universo.

Eu gosto muito do mundo de The Witcher, mas não posso dizer que sou um fã de carteirinha. Eu joguei The Witcher 3: Wild Hunt e li os capítulos iniciais do primeiro livro. Esse é o meu conhecimento prévio da saga. Pode não ser o suficiente pra me tornar um craque no assunto, mas é o bastante pra ter uma noção mais extensa das nuances dos reinos. Mesmo assim, o modo com que o roteiro abordou as maquinações políticas passou longe de ficar claro. Nilfgaard, Teméria, Redânia, Cintra. Ehmyr, Vizimir, Vesemir, Vilgefortz. São muitos lugares, muitos nomes, e a série não fornece informações suficientes pra que entremos de cabeça naquela realidade.

É o mesmo mal que Game of Thrones poderia sofrer, mas a obra da HBO estabelece Westeros de maneira muito mais eficaz do que The Witcher. Lá, o enredo destrincha incansavelmente toda a ambientação, justamente pra não nos confundir. Cá, a história passeia pelos mais diversos locais de forma rasa, tendo uma falta de foco marcante.

Essa falta de foco, inclusive, atrapalhou a minha experiência. A impressão que eu tenho é de que a temporada não sabe no que deseja se concentrar. Obviamente, um mundo tão grande quanto o de The Witcher necessita de muitas histórias, mas falta profundidade. Eu não consegui me sentir nem um pouco interessado pela jornada de Djikstra, e olha que eu curto o personagem no jogo. Nenhuma das novas adições da segunda temporada, aliás, me impressionou. Vesemir e Nenneke são legais, mas nenhum deles fez eu realmente me importar com seus destinos. Consequentemente, as suas trajetórias acabaram ficando um pouco desinteressantes.

Pra acabar a parte ruim, não gostei do que fizeram com a Triss. Na minha crítica da primeira temporada, eu afirmei que não me importo com a mudança de aparência em relação à descrição dos livros e jogos, mas a personagem não possuía nenhum carisma. Nesta temporada, até deram mais espaço pra ela trabalhar, mas pintaram o seu cabelo de ruivo provavelmente pra acalmar os ânimos dos nerdolas, e não pude deixar de achar algo tosco. As sobrancelhas da Ciri também seguem o mesmo modelo. Não há uma desculpa plausível pra isso. A sua mudança súbita de personalidade também me incomodou, mas depois me acostumei.

Ok, agora que eu desabafei, vamos aos méritos! The Witcher faz um belo trabalho visualmente falando. O CGI está claramente melhor, e eu agradeci a Melitele e ao Fogo Eterno por um pequeno detalhe que fez uma grande diferença: o uso mais constante dos sinais. Na primeira temporada, o Geralt os utilizou em alguns momentos, mas aqui eles aparecem com mais utilidade e destaque. As lutas não foram tão memoráveis quanto na temporada anterior, mas também fizeram um bom trabalho quanto a isso.

O desenvolvimento de Geralt é outro ponto positivo. A inserção de outros bruxos na série engrandeceu o protagonista. O que eu vou dizer a seguir pode ser considerado um pequeno spoiler, então pule para o próximo parágrafo se não desejar saber. Adorei a relação entre Jaskier e Yennefer. A personagem dela ficou um pouco apagada, é verdade, mas a sua interação com o bardo (e também com o Cahir) a resgatou na temporada e criou uma lufada de ar fresco na trama. As cenas deles juntos foram uns dos melhores momentos, não vou negar.

Seguindo em frente, amei o espaço que deram pra Fringilla e as camadas que adicionaram à anti-heroína/vilã. Eu achei ok na primeira temporada, mas nesta sequência ela atingiu um nível muito maior de personalidade. Em compensação, Tissaia pouco fez e não acrescentou muita coisa. Por outro lado, eu gostei do arco dos elfos, mas acho que poderiam ter dado mais atenção a eles.

Se ela resolver se casar com o Ehmyr, será a nova ImperaTriss?

Veredito

Eu gostei da segunda temporada de The Witcher. Os oito episódios possuem momentos de qualidade, coroados principalmente por Geralt, Fringilla e Jaskier. Temos boas tramas com grande potencial, só que o enredo peca em atirar pra todos os lados e não desenvolver com calma o universo gigantesco que tem em mãos. A história fica mais superficial do que eu gostaria, mas a fotografia e efeitos visuais são uma nítida evolução. Além disso, o roteiro corta alguns caminhos em relação a desenvolvimentos de personagens. Isso pode ser bom, porque elimina algumas partes que podem ser chatas nessas dinâmicas. Contudo, também pode ser ruim, pois dá a sensação de que tem algo faltando ali no meio. Em resumo, é uma boa temporada, só precisava ter feito transições melhores. Nota final: 3,9/5.

Quando toca “Evidências” no rolê hahaha #humor xD

 

>> Crítica da 1ª Temporada de The Witcher

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

Nota nº 5: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Ouvi falar que o Eskel é um personagem importante nos livros, certo? Neste caso, é uma pena o que fizeram com ele na série. A bem da verdade, nenhum dos bruxos, com exceção do Geralt e do Vesemir, possui graaaande personalidade. Eu sinceramente não consigo lembrar do nome de nenhum agora. Só lembrei do Eskel porque ele morre mesmo.
  • Então, eu gostei da relação do Geralt e da Ciri, mas vocês também tiveram a impressão de que aconteceu rápido demais? Tipo, em um minuto eles se conheceram, e no outro o Geralt estava defendendo ela com unhas e dentes. Ok que tem a parada do destino e tudo mais, só que pareceu acelerado demais pra mim. A impressão que eu tive era de que os roteiristas queriam chegar do ponto A (Geralt e Ciri se encontrando) para o ponto B (Geralt e Ciri se importando um com o outro), mas não sabiam como traçar esse caminho. Pra não terem muita dor de cabeça com isso, decidiram usar o teletransporte narrativo.
  • Não consegui curtir muito a trama da Voleth Meir. Gostei da Yennefer perdendo os poderes, ficou meio Peter Parker em Homem-Aranha 2. Ainda assim, a personagem mudou muito, e pra pior. Se não fossem as suas boas relações com Cahir e Jaskier, teria passado praticamente despercebida na temporada. Acho legal fornecerem fragilidade a ela, mas é possível fazer isso ao mesmo tempo em que mantêm sua força. Tomara que corrijam isso na próxima temporada, e que o Geralt a perdoe!!!
  • Cara, gostei bastante do Jaskier aqui. A relação amor-e-ódio dele com a Yennefer, sua reunião com o Geralt, a parcela de seriedade por trás de um monte de brincadeiras frequentes… sem falar na música Burn Butcher Burn, que é sensacional.
  • Sobre o “Fire Fucker”, pra quem será que ele tá trabalhando? E cara, a Yennefer soprando álcool e queimando a cara dele foi uma tacada de mestre, até comemorei naquela cena. Quanto à sequência de ação envolvendo ele, os Irmãos Michelet e o Geralt, gostei de terem resgatado aquele estilo violento do primeiro episódio da série, mas acho que fizeram estripulias demais com a câmera.
  • Qual é a do Vilgefortz, afinal de contas? O cara tá claramente obcecado pelo poder, mas qual é o seu plano? Ele tá manipulando a Tissaia? Ele quer usar a Ciri pra eliminar todos os seus inimigos? QUAL É A DELE??
  • Beleza, se você não achou espetacular a Fringilla paralisando os inimigos e matando geral da mesa enquanto ameaçava o Cahir, não há mais esperança para sua alma. E mano, pirei na Francesca matando todos os bebês da cidade porque alguém assassinou o seu. Isso vai dar muita merda ainda.
  • Djikstra é o Léo Dias do Continente, né? Pensei que o Dara acabaria morrendo depois de se recusar a continuar espionando pra ele, mas surpreendente ficou vivo. Quanto ao próprio Djikstra, ainda não tô totalmente interessado nele, na Philippa e naquele Vizimir lá. Tomara que deem mais espaço pra gente entender melhor o panorama político na terceira temporada.
  • Ehmyr é o pai da Ciri, galeraaaaa! Agora o bagulho vai pegar fogo. Sim, eu já sabia disso porque joguei o The Witcher 3, né, mas foi massa ver a expressão de surpresa da minha namorada. E será que o Imperador vai matar o Cahir e a Fringilla por terem mentido pra ele? Logo agora que ela conseguiu evoluir como personagem?
  • A Caçada Selvagem vem aí e o bicho vai pegar? Será que já vão ser importantes na próxima temporada ou vão dar uma enrolada igual os Caminhantes Brancos em Game of Thrones? Será que a Plotka vai ressuscitar e destruir os malditos?

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Geralt de Rívia
Na primeira temporada, ele ficou um passo atrás de Yennefer de Vengerberg. Na segunda, Geralt liderou as ações e foi o melhor de todos na maior parte do tempo, misturando seriedade inabalável, humor seco e um coração mole.

E pensar que um cara monstruoso desses se chama Geraldo

+ Melhor episódio: S02E01 (“A Grain of Truth”)
Não sei vocês, mas eu senti falta dos “casos da semana” nesta temporada. Gostei muito do primeiro episódio, achei o mais equilibrado e instigante. É uma pena que abandonaram esse sistema nos capítulos seguintes.

Sim, eu coloquei a imagem do Geralt em cima da Ciri pra parecer que eles estavam lutando. Algum problema?

+ Maior evolução: Fringilla Vigo
Eu virei fanboy da Fringilla nesta temporada, tô nem aí. Ela passou de feiticeira desesperada por atenção pra uma estrategista que, embora possua fragilidades, tem uma imensa força de vontade.

Amigas para sempre <3

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?