Filmes

MCULeleco #28 – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022)

• Grandes proporções, pequenas consequências

Tudo tá ficando cada vez maior no Universo Cinematográfico da Marvel. Não tem pra onde correr. A tendência é que as histórias se tornem cada vez mais espetaculares, porque os personagens vão ficando cada vez mais poderosos. Portanto, dificilmente teremos vilões como Obadiah Stane, de Homem de Ferro. A introdução do conceito de multiverso automaticamente aumenta a proporção dos acontecimentos. Por isso, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tinha tudo pra dar continuidade a essa estrutura. O próprio nome do filme indica um nível gigantesco de ameaça. Mas será que a obra conseguiu alcançar esse objetivo plenamente?

 

Sinopse

Doutor Esquisito no Universo da Doideira é o destino de várias bifurcações da Marvel. Repercussões de WandaVisionLokiHomem-Aranha: Sem Volta Para Casa e outros filmes e séries da franquia estão aqui, de maneira maximizada. Depois da jovem misteriosa America Chavez ser perseguida por um monstro gigante, Doutor Estranho e Wong partem em busca do resgate. Com isso, descobrem que a garota tá diretamente envolvida em uma trama de multiversos, o que chama a atenção de Wanda Maximoff. A Feiticeira Escarlate está em busca de seus filhos em outro universo, mas não tem o poder necessário pra realizar a viagem. Diante de uma oportunidade que surge à sua frente, ela enfrentará o que for preciso pra cumprir sua missão.

Estranho, você me beija e minha boca estranha ♫

Crítica

Não demorou muito pra eu perceber que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura era um filme diferente do habitual. Tá todo mundo cansado de saber disso, mas é óbvio que a Marvel possui um padrão em suas obras. Embora existam diferenças criativas aqui e ali, todos os filmes e séries contam com características que os unem em questão de narrativa. Embora esse estilo marque presença aqui, o dedo de Sam Raimi também aparece.

O primeiro ato parece um filme qualquer do MCU, mas as coisas vão mudando à medida que a história avança. Consegui perceber movimentos de câmera diferentes, com closes distintos e ângulos que não tô tão acostumado a ver na Marvel. Além disso, o toque de terror é notável em Multiverso da Loucura. Não espere ver O Exorcista ou algo do tipo, mas o clima de perseguição frenética é pulsante.

Esse é um grande ponto do filme, aliás. Com pouco mais de duas horas de duração, o longa raramente diminui o seu ritmo. É correria literalmente desde o primeiro minuto, e os momentos de calmaria não são duradouros. Isso pode ser sufocante pra alguns, mas não me incomodou. O que me incomodou foi um pequeno grande detalhe que tende a aparecer no cinema.

Sabe quando há uma trama de ficção em que os personagens precisam correr pra evitar que algo terrível aconteça? E que, se demorarem demais, não dará tempo de salvar o mundo? Então, tem um momento muito emblemático em que isso ocorre em Multiverso da Loucura, lá pra parte final. O problema é que, em vez dos personagens em questão acelerarem como se não houvesse amanhã (porque poderia não haver), eles andam tranquilamente enquanto o multiverso está ameaçado de destruição. Isso me incomodou ainda mais levando em conta que todo o resto do filme tá com o pé no acelerador. Pra completar, não entendi muito bem a passagem de tempo, mas quero comentar isso melhor nas Observações Spoilentas.

Voltando ao clima de terror, eu me surpreendi com o tom violento do filme. Em uma das sequências, fiquei de cara com o gore utilizado pelo Sam Raimi. Não chega a ser um Jogos Mortais, é claro, mas é o suficiente pra quebrar expectativas na franquia. Também gostei de como o filme não teve medo de subverter essas expectativas, sobretudo quando tratou de personagens amados pelos fãs da Marvel.

A criatividade de Sam Raimi é de se admirar. Ainda que algumas cenas de batalha não tenham nada demais, principalmente por ser o 28º filme de uma saga megalomaníaca, as lutas esbanjam personalidade. É frequente que às vezes a minha atenção se distancie de brigas em filmes de super-herói, como acontece em O Homem de Aço, por exemplo. Em Multiverso da Loucura, porém, algo me manteve o tempo todo concentrado na pancadaria. Não sei dizer o quê, mas me conquistou.

Em geral, eu saí do cinema pra lá de satisfeito com o novo filme do Doutor Estranho. Os detalhes me incomodaram menos do que em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, e ver personagens extremamente poderosos se digladiando é sempre legal. A obra ainda conseguiu recuperar Christine Palmer, que estava esquecida no churrasco. No entanto, sigo com a sensação de que ficou faltando algo. O filme prometeu muita coisa e desenvolveu melhor o conceito de Multiverso. Ao mesmo tempo, quando paro pra pensar, Multiverso da Loucura é mais uma obra de transição do que um aglomerado de consequências. Pouca coisa prática mudou no MCU ao fim deste filme, o que cria um sentimento de decepção nesse sentido.

Curvem-se diante do Mago Supremo

Veredito

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura não é tudo aquilo que promete, mas cumpre o necessário pra culminar em um bom filme. O trio formado por Stephen Strange, Wanda Maximoff e America Chavez tá muito bem, e Wong é um ótimo coadjuvante. A direção de Sam Raimi não é sublime por impedimento da própria Marvel, mas ele tem liberdade o suficiente pra mudar um pouco o estilo da narrativa e inserir pela primeira vez o gênero de terror no MCU. A história acelerada não nos deixa ficar entediados, mas a quebra no terceiro ato causa um sentimento de confusão. Não entraria no meu Top 10 da franquia, mas é definitivamente melhor do que a maioria.

Cuidado que eu Mordo

 

Aviso: Tem duas cenas pós-créditos.

 

>> Crítica de Doutor Estranho

>> Crítica de WandaVision

>> Crítica de Loki

>> Crítica de What If…?

>> Crítica de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: pra saber sobre quais filmes eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco: Filmes

Nota nº 4: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Então, sobre o negócio que eu mencionei na crítica. Lá pro final do filme, a Feiticeira captura a America, leva a garota pro trono e começa a sugar os poderes dela. Enquanto isso, o Doutor Estranho vai parar em outro universo. Em vez de ele correr à procura de um jeito de sair de lá, porque simultaneamente a Feiticeira estava retirando os poderes da America, ele ficou caminhando calmamente com a Christine. Ao chegar no Sanctum, subiu lentamente as escadas e ainda teve uma briga com o outro Doutor Estranho (foi bem legal a batalha com notas musicais, inclusive). Depois disso, ele fez o feitiço pra assumir o cadáver do outro outro Doutor Estranho, foi atacado pelas almas, e só então foi atrás da Feiticeira. Como é que a Wanda ainda não tinha tirado os poderes da America, depois de tanto tempo? E não me venha com a justificativa de que “o tempo viaja diferente entre universos”, porque isso é pateticamente conveniente. Além disso, o processo de retirada dos poderes não deve ser assim tão demorada, porque o Doutor Estranho do começo do filme tentou fazer isso diante da ameaça iminente de um monstro. Não faz sentido.
  • O que será que o Stephen acha que aconteceu no incidente com o Homem-Aranha? Se ele não se lembra que o Peter Parker é o Teioso, o que será que ele julga ter acontecido com o super-herói pra chegar no ponto de uma ameaça de multiversos?
  • Sim, eu peguei spoiler que o John Krasinski seria o Reed Richards, porque algum maldito ser postou em um tweet de futebol. De qualquer forma, foi a primeira vez que vi a Marvel escalar um ator por “sugestão” dos fãs. Sobre as aparições dos Illuminati, gostei pra caramba. E velho, não esperava que todos fossem morrer de formas tão aterrorizantes. Raio Negro teve a boca arrancada e o cérebro explodido, o Senhor Fantástico foi moído, a Capitã Carter partida pela metade, a Capitã Marvel esmagada e o Professor Xavier teve o pescoço torcido. Só o Mordo Alternativo que sobreviveu, por acaso do destino.
  • E por falar em Mordo, a briga entre ele e o Doutor Estranho, antecipada na cena pós-créditos do primeiro filme, aconteceu fora das telas, né? Uma pena. Onde será que o vilão está no universo principal do MCU?
  • Uma coisa que eu pensei enquanto assistia ao filme. Será que algum dos Vingadores teria sido útil na luta contra a Feiticeira Escarlate? Só consigo pensar no Thor e na Capitã Marvel, mas ambos aparentemente estão indisponíveis, pelo jeito.
  • Podemos combinar que o Doutor Estranho de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa foi um delírio coletivo, certo? O Stephen Strange de Multiverso da Loucura voltou a ser um personagem centrado e preocupado com o destino das coisas, e não aquele cara displicente que deixou Peter Parker, MJ e Ned resolverem uma treta com potenciais grandes de destruição.
  • Ainda bem que o Darkhold foi destruído. Será que isso significa que a Wanda voltará pro lado do bem, ou será que ela de fato morreu? Não acredito nessa segunda possibilidade, mas sinceramente não sei o que será da personagem no futuro.
  • Continuando nesse tópico do Darkhold, a destruição dele foi a única consequência real se observarmos o multiverso como um todo, né? Não houve nada tão dramático quanto o final de Loki.
  • Pirei na Charlize Theron sendo introduzida na Marvel. Pesquisei aqui e descobri que a personagem dela é Clea, mas não faço ideia do que isso significará pro MCU. Só espero que o terceiro olho do Doutor Estranho não fique recorrente, pois me dá incômodo de olhar.
  • A segunda cena pós-créditos foi tão brilhante quanto a do Capitão América em Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Feiticeira Escarlate
Gostei muito do desenvolvimento do Doutor Estranho, mas quem rouba a cena é a Feiticeira. No momento, é sem dúvidas a personagem mais poderosa de todo o MCU. O que ela fez neste filme é pra acabar com qualquer discussão a respeito.

Capitã Marvel quem?

+ Maior surpresa: America Chavez
Eu não conhecia a personagem nos quadrinhos, até porque não sou muito de ler HQs. Por isso, fui sem esperar muita coisa, e me surpreendi. America Chavez é uma excelente adição na Marvel, e a atriz Xochitl Gomez deu uma dinâmica bem divertida pro filme.

Todos atentos olhando pra TV

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?