• Carpe diem
Amélie é uma garotinha belga que mora no Japão. Incompreendida pelos pais e irmãos, ela se apega a Nishio-san, funcionária da família, e começa a enxergar o mundo com outros olhos.
Todo ano, na categoria de Melhor Animação no Oscar, aparece algum filme subestimado, que jamais esteve entre os favoritos a ganhar, mas tem tanta qualidade quanto os outros – ou até mais. De cabeça, consigo lembrar de títulos como Perdi Meu Corpo, Meu Amigo Robô e Memórias de um Caracol. A Pequena Amélie também faz parte desse pacote.
A animação do filme não é tão inventiva; na verdade, é até básica. Porém, se encaixa com a premissa de que estamos vendo tudo através dos olhos de uma garotinha, que pensa ser Deus. As paisagens são coloridas, as cenas são idílicas e temos bastante liberdade criativa, pois nem tudo que aparece em tela necessariamente tá acontecendo na “vida real”. E a história é, sem dúvidas, a grande força de A Pequena Amélie.
A trama é simples, mas sabe bem como encontrar caminhos que não esperávamos. O conto de uma menina incompreendida e que vê em uma amizade improvável a oportunidade de desabrochar não é, por si só, algo novo. No entanto, além de ter uma ótima execução, o enredo ainda ganha profundidade ao falar sobre memórias, consequências da guerra, empatia e relações familiares que não são perfeitas, mas exalam amor e cuidado. Eu gostei de como foi tratada a relação de Amélie com o irmão, André, ainda que os maiores destaques sejam suas conexões com Nishio-san e a avó, Claude.
O roteiro é cheio de metáforas, como o próprio título original em francês sugere: “Amélie e a Metafísica dos Tubos”, em tradução livre. E é interessante como, em inglês, o título foi adaptado para “A Pequena Amélie ou o Caractere de Chuva”, enquanto, no português, virou simplesmente A Pequena Amélie. Três maneiras diferentes de enxergar um mesmo filme, de acordo com culturas específicas.
A Pequena Amélie é uma curta jornada através de uma infância turbulenta, mas eventualmente feliz. É um retrato inesperado do período pós-Segunda Guerra Mundial, que dialoga sobre a noção de pertencimento.

FICHA TÉCNICA
Nome original: Amélie et la métaphysique des tubes
Duração: 1h17
Países: França, Bélgica
Direção: Liane-Cho Han Jin Kuang, Maïlys Vallade
Elenco principal: Loïse Charpentier, Victoria Grosbois, Marc Arnaud, Laetitia Coryn, Isaac Schoumsky, Haylee Issembourg, Cathy Cerda, Yumi Fujimori
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