• A maior da história
No dia em que o Brasil enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, pra manter vivo o sonho do hexa, tô aqui pra falar novamente da maior competição de futebol do mundo. Depois de escrever sobre Campeões da Copa, que fala sobre todos os times vencedores de 1930 a 2018, é hora de voltar as atenções pra Brasil 70: O Sonho do Tri, que conta a história por trás da melhor seleção de futebol de todos os tempos.
Sinopse
Após o fracasso da Copa de 1966, em que o Brasil foi eliminado na fase de grupos, o jornalista João Saldanha é incumbido da missão de comandar a seleção de Pelé e companhia no Mundial do México, quatro anos depois. Em meio à turbulência da Ditadura Militar no ambiente extracampo, Zagallo surge como uma outra opção de treinador pra fazer a canarinho retornar aos dias de glória.

Crítica
No primeiro momento, eu fiquei meio reticente com Brasil 70. Eu tinha medo de ser uma série meio brega, que passasse a maior parte do tempo jogando confetes sobre o time mais lendário da história da Copa do Mundo. Apesar desses confetes serem válidos, eu queria conhecer os meandros por trás daquela conquista. Comecei a assistir com minha noiva antes do início do Mundial de 2026, e foi legal compartilhar com ela um universo que gosto tanto, além de descobrir coisas que eu não sabia sobre aquele título.
No campo das atuações, Rodrigo Santoro está um degrau acima de todos os outros. No entanto, o elenco não tem nenhum membro destoante. Cada ator faz certinho o esperado do personagem, e qualquer escorregão ou incongruência com a realidade dos fatos é mais “culpa” do roteiro do que qualquer outra coisa. Eu coloco a palavra culpa entre aspas porque tenho uma opinião específica sobre séries ou filmes que adaptam histórias reais. Como isso aqui é uma dramatização, e não um documentário, eu não acho um absurdo total que certos pontos sejam alterados em prol da narrativa. É claro que isso precisa ser feito com parcimônia, e entendo 100% quem se incomoda com a aparente apatia do Pelé, por exemplo. Mas, pra mim, não chegou a ser um incômodo real.
A reconstrução das jogadas das partidas ficou no meio-termo pra mim. Não temos cenas esquisitas como em Ted Lasso, por exemplo, no qual os jogadores protagonizam lances que flertam com o vale da estranheza, sobretudo quando levamos em consideração que vários deles são destaques internacionais. Em Brasil 70, há um certo estranhamento na utilização do CGI, que pra mim ficou pesado em determinadas partes, como se eu estivesse vendo um jogo de videogame. Contudo, em geral a série faz um bom trabalho em reproduzir momentos tão icônicos do futebol.
Eu gostei da pegada mais política da série, até porque, querendo ou não, o título de 1970 foi conquistado em meio à Ditadura Militar. Não há como separar as duas coisas, assim como não dá pra relativizar o impacto da ditadura argentina na campanha de 1978, com tantos asteriscos e polêmicas. Achei interessante como João Saldanha foi escolhido como fio condutor da trama, mas acho que isso só deu certo porque era o Rodrigo Santoro. Se fosse um ator menos carismático ou competente, possivelmente a escolha teria sido um tiro no pé e o personagem teria corrido o risco de ficar chato, o que quase ocorreu em alguns momentos.
A série ainda aposta em um arco envolvendo dois torcedores brasileiros, que acabam sendo o ponto fraco. Eles ficaram parecendo os personagens daquela peça de teatro da CBF na convocação da seleção neste ano. Em suma, não pareciam pessoas reais, mas sim personagens criados a partir de generalizações do que é o torcedor brasileiro. É uma pena, porque Brasil 70 ainda traz outros torcedores em papéis mais secundários, como o garotinho que se recusava a olhar pra TV durante os jogos do Brasil. Na minha opinião, essas partes foram bem mais acertadas e naturais.

Veredito
Brasil 70: A Saga do Tri chegou como uma grata surpresa nas vésperas da Copa do Mundo. A série me deixou no clima certo pra competição deste ano, me encheu de orgulho pela história do nosso país no futebol e ainda é uma ótima produção, com um bom elenco e dramatizações convincentes. Não é boa o tempo todo, tem algumas fraquezas aqui e ali, mas de modo geral é uma pedida mais do que interessante não só pra quem ama futebol, mas também pra quem busca entender um pouco mais do peso que esse esporte tem pro Brasil e pro mundo.

+ Melhor personagem: João Saldanha
Eu gostei muito dos arcos de cada personagem, especialmente Tostão, Pelé e Félix. Porém, acredito que o diferencial da série seja de fato o João Saldanha de Rodrigo Santoro.

+ Melhor episódio: E05 (“Eu Não Morri”)
Todos os episódios possuem o mesmo nível, mas o último me pegou legal, principalmente após a inserção de filmagens reais na comemoração do título. Não vou mentir, me emocionei.

FICHA TÉCNICA
Nome original: Brasil 70: A Saga do Tri
Duração: 5 episódios
Produção: Brasil
Showrunners: Naná Xavier, Rafael Dornellas
Direção: Paulo Morelli, Pedro Morelli, Quico Meirelles
Elenco principal: Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Lucas Agrícola, Gui Ferraz, Ravel Andrade, Daniel Blanco, Maicon Rodrigues, Caio Cabral, Hugo Haddad, Marcelo Adnet
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