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MCULeleco #13 – Capitão América: Guerra Civil (2016)

• Os Acordos de Sokóvia

Para os mais conservadores, um filme de super-heróis não deveria ter conflitos internos. Todos deveriam seguir sempre o mesmo padrão: os mocinhos derrotando os vilões. Acreditem, eu já ouvi isso várias vezes. Por isso, o ano de 2016 não deve ter sido muito agradável pra essas pessoas. A DC resolveu apostar em Batman vs Superman, enquanto a Marvel colocou suas fichas em Capitão América: Guerra Civil. As duas obras geraram reações diferentes, mas não tô aqui pra falar disso. Talvez o faça em algum outro post. Eu vim aqui pra comentar exclusivamente sobre a obra que abre a Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel. E lá vamos nós.

 

Sinopse

“Eba, os Vingadores derrotaram as ameaças e salvaram o mundo, eles são tão heroicos e bondosos!! Foda-se se eles mataram milhares de vidas no processo. E quem se importa com o fato de que o planeta só começou a ser ameaçado quando eles surgiram? Os inimigos foram derrotados, isso que vale”.
Não dá pra pensar assim sempre, né. Na Batalha de Nova York, os Vingadores se juntaram pela primeira vez publicamente e bateram nos Chitauri até a invasão ser neutralizada. Mesmo com muitas baixas, os terráqueos comemoraram, pois nunca tinham visto algo daquela proporção. Porém, depois de seguidos incidentes envolvendo aquele grupo em específico, começou a vir a dúvida: os Vingadores são tão mocinhos assim? Pra gente, que acompanha a jornada de cada um intimamente, a resposta pode ser óbvia. Mas a partir do momento que nos colocamos no lugar dos habitantes daquele universo, a resposta passa a não ser tão simples assim.
A trama de Capitão América: Guerra Civil começa pouco tempo depois dos acontecimentos em Sokóvia, quando Ultron quase aniquilou a raça humana. Em uma incursão na Nigéria, o Capitão América, ao lado da Viúva Negra, o Falcão e a Feiticeira Escarlate, fixam no objetivo de impedir que o novo vilão conhecido como Ossos Cruzados faça alguma grande merda. Porém, quem faz merda é Wanda Maximoff, a qual sem querer acaba matando um monte de inocentes. Aquilo culmina no Tratado de Sokóvia, um documento assinado por mais de 100 países visando fiscalizar e regulamentar as ações dos Vingadores. Alguns deles são a favor da ação, enquanto outros são contra, o que gera uma superpoderosa guerra civil, que se potencializa ainda mais quando a figura do Soldado Invernal volta à tona.

“Diga xisssss”

Crítica

A premissa de Guerra Civil é interessante pra caralho. Pensando racionalmente, era só questão de tempo até aquela problemática surgir, sendo que, mesmo que os Vingadores estivessem salvando o mundo, pessoas que perderam entes queridos não compartilhariam do mesmo entusiasmo. Os nervos acirrados entre as figuras centrais da trama, o Capitão América e o Homem de Ferro, foram construídos com cuidado desde o começo do MCU, e isso funciona perfeitamente em Guerra Civil.
As melhores qualidades do filme são de fato a premissa e a interação dos personagens. O conflito vai crescendo e envolve maquinações de um antagonista que não parece ser muito perigoso, mas que na realidade pode vir a ser letal: o Barão Zemo (Daniel Brühl). Ah, os diretores Joe e Anthony Russo aproveitam também pra apresentar dois rostos novos, importantíssimos para o futuro da saga. T’Challa (Chadwick Boseman) e Peter Parker (Tom Holland) são adições sensacionais para a história e se encaixam muito bem no longa. As cenas de ação são um deleite e o filme é bastante divertido, tanto nos diálogos quanto no enredo.
Contudo, eu senti falta de um pouco mais de ousadia. Com tanto poder envolvido na luta, eu esperava uma sensação maior de perigo iminente, mas tive a impressão que os diretores colocaram o pé no freio. A última meia hora perde um pouco o fôlego pelo fato de se passar depois do auge, e o impacto acaba sendo menor. O desfecho, no entanto, é corajoso e nos deixa ansiosos pelos próximos capítulos.

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Veredito

Capitão América: Guerra Civil introduz com estilo a Fase 3 do MCU. Ele consegue trazer aquela coisa de “qual lado você escolhe?” e é um entretenimento excelente. Mesmo com muita coisa pra trabalhar, o filme consegue abordar todas as questões de maneira decente, e minhas únicas ressalvas maiores ficam para o último ato, um pouco mais fraco do que o esperado, e uma certa falta de ousadia.

Pedro Gabriel é estudante de Ciências Contábeis pela UFMG e tem o sonho de conhecer Wall Street, em NY

 

P.S.: Pra quem não sabe, esse é um pitaco que já fiz duas vezes. Na época em que assisti ao filme pela primeira vez, eu escrevi aqui no blog sobre ele, e quem quiser dar uma conferida nas minhas impressões é só acessar este link aqui: https://pitacosdoleleco.com.br/2016/05/18/capitao-america-3/

 

Aviso: Tem duas cenas pós-créditos.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO O FILME. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • O bom é que dá pra entender perfeitamente os dois lados da situação. Sim, é uma ideia razoável dar algum tipo de regulamentação para os heróis, porque eles não podem sair fazendo a merda que quiserem por aí. Por outro lado, o governo controlar esse tipo de coisa é uma merda, ainda mais quando o General Ross tá no comando, ele que foi conhecido por caçar o Bruce Banner até no Brasil. Aí não rola, né.
  • Adorei como cada personagem teve alguém de poder equiparável no outro grupo. Capitão x Tony. Feiticeira x Visão. Falcão x Máquina de Combate. Gavião Arqueiro x Viúva. Soldado Invernal x Pantera. Homem-Formiga x Aranha. Muito bem executado.
  • Ou, por que diabos o Scott Lang resolveu entrar na Guerra justamente no lado contra o governo? Sério, em Homem-Formiga ele tava fazendo de tudo pra ficar do lado da filha e, na primeira oportunidade, ele comete um crime? Meio nada a ver, não?
  • “Você tem um braço de metal? Que foda, mano!”, “Vocês já viram aquele filme bem antigo?”, “Oi, galera”. Com pouco tempo de tela, Tom Holland teve mais falas memoráveis que os outros dois Teiosos somados.
  • Que sinistro o Pantera, hein? O cara perdeu o pai e botou o traje pra chutar cus. E, diferentemente de todos os outros personagens, ele não faz piadas. Tem potencial ali, tô dizendo.
  • Melhor cena: o Cap beijando a Sharon com Sam e Bucky observando, orgulhosos. Ah, e mó triste a morte da Peggy, mas ela até que viveu bastante.
  • O legal do Ossos Cruzados é que ele retornou dos mortos só pra morrer e causar uma treta mundial. Valeu aí, seu merda.
  • Eu ainda acho que teria sido louco se algum personagem importante tivesse morrido, como o Bucky ou o Máquina de Combate. Achei que faltou um pouco de culhões pra Marvel.
  • Tópico reservado para mencionar o Visão e sua páprica.
  • #ApariçãodoStanLee: chegou só pra entregar um pacote pro Tony Stark, ou melhor, “Tony Esterco”. Rhodey não perdoou a gafe do senhor.
  • Conclusão: Tony puto com o Soldado, depois puto com o Cap, Cap deixando o escudo de lado, Barão Zemo arquitetando as coisas e todo mundo muito puto com tudo. Ah, sem mencionar o Bucky congelado e o primeiro vislumbre de Wakanda. É. O bagulho tá insano.
  • PODE VIR, HOMEM-ARANHA, VENHA COM SEU BAT-SINAL NO TETO!!

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Steve Rogers
Você pode não ser #TeamCap e discordar um pouco da lealdade absurda do Capitão, mas é preciso reconhecer a gigante evolução do personagem. A sua crescente perda de fé naquilo que sempre acreditou e sua deterioração ideológica, ao mesmo tempo em que permanece fiel aos seus princípios, não pode ser desprezada. Tony Stark também segue espetacular como sempre, servindo de contraponto para o protagonista.

Botando a Sharon Carter na foto porque não coloquei ela em O Soldado Invernal, rsrs

+ Maior surpresa: T’Challa/Pantera Negra (menção honrosa a Peter Parker, o Homem-Aranha)
Em sua primeira aparição no MCU, o Pantera mostrou que é um personagem com potencial incrível. Ao contrário de basicamente todos os outros heróis, ele possui uma personalidade séria e soturna, causando um contraste refrescante de se ver. O Peter Parker de Tom Holland também é algo a se aplaudir, pois ele parece ser a representação mais fiel do Aranha no cinema até o momento.

My heart goes T’Challa la la la la, T’Challa la in the moooorniiiing

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?