Séries

House of Cards: 3ª Temporada (2015)

• Semelhanças, meras coincidências

Se a democracia já era subestimada antes, pois imagine agora. Frank Underwood conquistou a cadeira de presidente dos Estados Unidos, o Trono de Ferro do mundo ocidental. Seu caminho para o poder não foi nada limpo, em uma trajetória que envolveu conspirações, manipulações, assassinatos e muita insistência. Para chegar onde chegou, ele nem sempre respeitou as regras. Aliás, quase nunca as respeitou. Mas e agora que ele enfim chegou aonde queria? E agora que ele se senta na Sala Oval, no comando de uma das nações mais poderosas do mundo? A terceira temporada de House of Cards é bem diferente das anteriores, mas não quer dizer que não seja espetacular. Frenética como sempre, a série consegue manter quase o mesmo nível.

 

Sinopse

O que fazer quando finalmente se alcança um objetivo há muito desejado? Bom, se você conseguiu ser bem-sucedido em sua missão, não pode ficar parado. Agora que Frank Underwood conquistou o poder, ele precisa mantê-lo. Isso significa que vai precisar reaprender a jogar o jogo, porque o topo da escada não é nem de longe a mesma coisa que os degraus pelo caminho. Com a ajuda de sua esposa, confidente e parceira Claire, ele busca entender a dinâmica de estar no topo da hierarquia política de um país.
Na primeira temporada, o personagem interpretado por Kevin Spacey escalou seu curso cada vez mais alto, ganhando aos poucos a confiança dos chefões do governo. O seu plano foi guiado por um sentimento de vingança contra o então presidente Garrett Walker, que não havia cumprido com sua parte no trato com o próprio Frank. Ele acaba conseguindo se tornar vice-presidente, e na segunda temporada ele passa a sabotar a imagem de Walker para se tornar o comandante-chefe dos EUA. O plano foi difícil, mas teve final feliz pro Frank. Contudo, quanto maior a presa, maior o alvo, e agora Underwood vai ter que aprender a liderar uma nação. Isso significa que as controvérsias serão amplificadas. Entre as principais, destacam-se as difíceis relações com a Rússia, uma empreitada complicada de Claire nas Nações Unidas e as Eleições que começam a se aproximar.

Só faltou o Homem-Aranha ali atrás

Crítica

Definitivamente a terceira temporada é bem singular em relação às suas antecessoras. A dinâmica é totalmente distinta. Os primeiros episódios são um pouco arrastados, e dá pra perceber claramente que a alma da série estava na busca de Francis J. Underwood pela presidência. Depois disso, muitos podem dizer que não fazia sentido a produção continuar. Aos poucos, no entanto, a história vai se ajeitando, principalmente a partir do momento em que Viktor Petrov entra na jogada. Afinal, quem não gosta de paródias? Petrov é uma maravilhosa representação ficcional do presidente russo Vladimir Putin, a qual funciona bem demais. As tramas que circundam o mandatário da Mãe Rússia são gostosas de se ver, muito por causa da atuação de Lars Mikkelsen, irmão do famoso Mads Mikkelsen, o Hannibal Lecter da TV. O seu jeito cínico e inflexível contrasta bem com a personalidade do próprio Frank, e consequentemente o arco prende muito a atenção.
Já no lado feminino da Casa Branca, Claire novamente se destaca, sendo novamente uma das melhores personagens da temporada. Suas dores são mais exploradas, o seu lado humano; dá pra sentir seus dramas, e a série faz questão de sublinhar isso. Sua incursão como embaixadora dos EUA nas Nações Unidas é um ótimo núcleo, sobretudo quando seus interesses se chocam com os de seu marido.
No lado negativo da temporada, realmente o enredo perde um pouco do fôlego pelo fato de Underwood já ter conseguido seu tão sonhado objetivo. As suas tentativas de governar são menos interessantes do que sua epopeia rumo ao poder. Além disso, alguns personagens secundários perdem espaço, o que acaba sendo um defeito. Jackie Sharp e Remy Danton ficam ofuscados, embora a primeira consiga se recuperar nos episódios finais. Por outro lado, pelo menos House of Cards nos presenteia com duas novas adições ao elenco: Paul Sparks como o escritor Tom Yates e Kim Dickens como a jornalista Kate Baldwin. Pra completar, a advogada Heather Dunbar evolui consideravelmente.

Licença, professora!

Veredito

A terceira temporada de House of Cards é provavelmente a mais fraca até então, mas isso não é um demérito. Ela precisou arcar com a missão difícil de dar um novo tom à série, e conseguiu fazer isso de maneira com que a história ficasse interessante de ver até o fim, apesar dos primeiros capítulos mais arrastados. O cliffhanger do último episódio mexe com o nosso coração e nos instiga a continuar maratonando essa obra-prima da Netflix.

Ai, que saudades das minhas costelinhas 🙁

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

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~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Em vez de fazer observações aleatórias, vou escrever cada tópico baseado nas minhas impressões de cada personagem da temporada, começando pelo Frank. Bom, você é e sempre será o alicerce da série, mas falemos sobre o que se tornou quando chegou à presidência. Sempre soubemos que cê era um fdp, mas nunca havia sido assim com a esposa. Ainda que ela tenha cometido erros, cê poucas vezes pensou nela. Além disso, deixou o poder subir à cabeça, algo que eu não esperava de você. Ah, e foda-se aquela porra de America Works, tem que tirar vantagens dos ricos, não dos pobres!!!
  • Claire, sempre te protegerei. Sim, você meio que fez merda com o bagulho do Petrov, aquilo fez mais mal do que bem. Sim, respeito o legado de Michael Corrigan, o ativista gay, mas comprometeu todo um acordo entre nações que poderia ter rendido muitos frutos. Ainda assim, palmas procê que não ficou sentada só fazendo as vontades do marido, foi atrás de coisas maiores. Falhou diversas vezes, é verdade, mas não se acomodou. Ficou chique com o cabelo preto, mas o loiro é sua identidade. E fiquei totalmente do seu lado quando cê deixou o Frank no fechamento da temporada.
  • Doug, o que dizer? Você parece no fundo ser uma boa pessoa, mas tem que deixar de ser tão obcecado pelo trabalho! E aquilo que você fez com a Rachel, matá-la depois de tanto lenga-lenga, foi doentio. Ela já tava seguindo com a vida dela, adotando uma outra identidade. Porém, preciso reconhecer que é um baita personagem, parece estar sempre em constante evolução. Lembrando que “evolução” não necessariamente significa estar se tornando bondoso. Com o irmão, pelo menos, ele foi gente boa.
  • Jackie e Remy. Os dois começaram mal a temporada, com pouco espaço. Quando as eleições para Democratas foram se aproximando, Jackie, minha querida, cê ganhou visibilidade e mostrou o porquê de ter sido tão boa na temporada anterior. Remy, tu não passaste disso. Teve um pequeno impulso na metade final, com toda a confusão emocional, a questão do racismo e a raiva do Frank, mas ficou pelo caminho. É uma pena, senti falta daquela petulância.
  • Heather Dunbar. Na série, eu torço contra você porque a gente vê tudo na perspectiva do Frank, mas na vida real cê teria meu voto, mesmo sendo inexperiente. Afinal, as coisas precisam se renovar. Tomara que ganhe algum cargo na política estadunidense.
  • Raymond Tusk. Ainda bem que cê não tá mais aqui.
  • Viktor Petrov. Que baita ator e que baita personagem. Interessante ver um paralelo sendo traçado entre ele e Underwood. São basicamente farinhas do mesmo saco.
  • Garrett Walker. Fiquei esperando por uma aparição sua, mano kk
  • Tópico reservado só pra eu expressar o quão frustrante é pra mim quando monges acabam com as próprias artes daquele jeito. Só isso mesmo.
  • Meechum. Sempre protegendo o patrão. Freddy, não esperava por seu retorno, mas foi legal te ver de novo. Tom e Kate Baldwin, romance inesperado, gostei dos dois novos personagens. Sobre os outros secundários, amo vocês, não fiquem magoados. A gente se vê na próxima temporada!

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Viktor Petrov
O presidente russo chega para parodiar Vladimir Putin e é simplesmente incrível. Sério, ele rouba a cena em praticamente todos os momentos que está presente.

Quando tá com raiva, ele não fica nervosin, ele fica putin

+ Melhor episódio: S03E11 (“Chapter 37”)
Quem não gosta de um bom e velho debate?

Faltou só um Cabo Daciolo pra ficar 100%

+ Maior evolução: Claire Underwood
Ela já seria alguém notável só pelo fato de ser interpretada pela talentosíssima Robin Wright, mas o roteiro explora tão bem as suas camadas que a gente acaba torcendo mais por ela do que pelo próprio Frank. Bom, eu, pelo menos. Ela possui suas falhas, faz merda, mas possui uma certa integridade que eu não esperava que tivesse. Ela foi a Melhor Personagem da temporada passada e só não foi desta porque Petrov realmente foi muito bom.

O “cargo” de primeira-dama obviamente exige um novo visual

+ Maior surpresa: Tom Yates
Pensei que fosse ser bastante secundário, mas foi ficando cada vez mais importante na trama e me agradou muito, sobretudo porque me identifico com sua fome pela escrita.

Ah, eu simplesmente amo a paleta de cores usada nas cenas da Casa Branca, sério mesmo

+ Maior decepção: Remy Danton
Ele tá um tanto quanto irreconhecível. Vinha numa crescente absurda, mas deixou de ser utilizado com frequência na temporada e acabou decepcionando um pouco. Senti falta dele aparecer mais.

O casal mais foda-se da série

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?