Séries

House of Cards: 5ª Temporada (2017)

• Dança das cadeiras

Política não é algo para iniciantes, e Frank e Claire Underwood com toda a certeza não o são. Na quinta temporada de House of Cards, há uma espécie de despedida amarga: o ator Kevin Spacey foi demitido da produção no ano seguinte devido às acusações de assédios sexuais. Com isso, esta é a última vez que temos a chance de ver o personagem mais aterrorizantemente real da Netflix, um cara que não mede esforços pra conseguir o que quer, assim como sua obstinada esposa. Querendo ou não, Francis J. Underwood fez história.

 

Sinopse

Durante a quarta temporada, Frank concentrou suas ações nas Eleições de 2016. Assim como todo indivíduo de sua profissão, ele passou a cagar pros outros assuntos, focado apenas em continuar no cargo que ocupava. Afinal, quem prova um gostinho do poder que vem com a cadeira de presidente dos Estados Unidos não quer abandonar o posto. Ainda que eu não entenda muito a atração que as pessoas têm pelo poder em si, a gente percebe nitidamente o quanto ele significa para o protagonista de House of Cards.
De qualquer forma, ao fim da temporada passada os Underwood decidiram que, já que não conseguiam conquistar os corações da população por meio do amor, eles o fariam pelo terror. Sabe, parecido com a filosofia dos torcedores de times em crise no futebol brasileiro. Com isso, o quinto ano da série começa quase imediatamente após o desfecho do anterior, retomando a história que havia sido introduzida, aquela envolvendo os terroristas do Estado Islâmico Cover. Assim, a trama principal agora gira em torno da conclusão daquelas Eleições que já estavam na reta final e as consequências do resultado de mais uma etapa da fictícia democracia estadunidense.

Personagem super importante que ninguém liga

Crítica

O padrão de qualidade House of Cards é algo difícil de se alcançar, principalmente porque a primeira temporada foi uma das melhores coisas já exibidas na televisão. A segunda conseguiu manter o nível e a terceira teve uma pequena queda, mas ainda assim continuou excelente. A quarta foi incrível, semelhante às duas primeiras, mas a quinta foi a “menos boa” até então. “Menos boa”, pois se eu disser “pior” é quase um insulto.
A primeira metade do conjunto é um pouco arrastada. A série insiste demais na temática das Eleições de tal forma que o arco acaba ficando um pouco chato, repetitivo. Eu devo ter assistido a uns seis capítulos seguidos não porque tava viciante, mas sim porque eu queria ver logo a conclusão daquilo. Quando finalmente ela aparece, as qualidades tão notórias de House of Cards voltam a dar as caras, e aí sim eu comecei a maratonar por prazer, e não por uma relativa obrigação, vamos dizer assim.
As atuações seguem impecáveis, sobretudo as de Spacey e Robin Wright. Os diálogos são melhores do que os de muitos livros best-sellers. O ritmo peca um pouco, mas se recupera. Os personagens emergentes não me agradaram tanto, porém. Mark Usher ficou meio entediante durante os últimos episódios, Thomas Yates parece uma sombra daquilo que já mostrou ser e Jane Davis, uma nova adição, não me impressionou muito. Ela surgiu com bastante potencial, mas achei misteriosa além da conta, no mau sentido. O enredo parece não ter tanto cuidado quanto antes, com algumas decisões que me deixaram meio confuso, às vezes com uma taxa de complexidade que não me instigou a descobrir o que tava rolando. O encerramento é bom, mas acaba sendo melancólico quando nos lembramos que não teremos mais Frank Underwood na temporada final.

Os novos jogadores

Veredito

Se eu desse 4,5 Lelecos, seria injusto com temporadas de outras séries que receberam a mesma avaliação, incluindo o terceiro ano do próprio House of Cards. Por isso, acredito que uma nota 4/5 é algo justo pelo que foi apresentado, mantendo grande parte das qualidades que a gente já conhece, mas mostrando alguns defeitos que não eram usuais no antigo carro-chefe da Netflix. Frank Underwood merecia ter tido uma despedida mais digna, mas pelo menos o personagem permaneceu sólido até o momento de sua última aparição.

Eu não poderia me importar menos com o que acontecia na trama desse maluco aí

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

{Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota desta temporada, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/gabarito-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Clube dos Livros é pros fracos, Francis frequenta um grupo que saúda um pássaro gigante e se veste de maneira um tanto quanto antiquada.
  • Sei lá, achei meio preguiçoso aquele amigo do Conway dar uma gravação comprometedora pro Frank. Aliás, as duas gravações eu achei um recurso meio forçado pra indicar a derrota do republicano. E por falar em momentos preguiçosos, a Catherine Durant empurrada da escada e ficando fora da jogada me fez revirar os olhos. No momento em que aconteceu, eu fiquei “caraaaalho”, mas depois que ela nem voltou a ser abordada eu fiquei meio broxado.
  • Ah, eu gostei daquele Sean Jeffries, mas achei ele um pouco mal aproveitado. Quando o Hammerschmidt o contratou, eu fiquei empolgado porque ele tinha dito que podia seduzir qualquer um. Porém, isso foi pouco utilizado e logo depois o cara começou a se alinhar com o governo. Não sei, achei uma boa adição com um material legal a ser trabalhado, mas faltou um pouco mais de personalidade pra que eu o colocasse como Maior Surpresa.
  • Eu realmente espero que mostrem o que aconteceu com Will Conway e sua família depois da derrota nas urnas, se é que se pode dizer isso. Eu entendo que ele não tem mais função na história, mas seria legal ver o que rolou nos círculos pessoais e políticos do Governador de Nova York.
  • Já que eu mencionei o Conway, preciso deixar registrado que esticaram demais a parte das Eleições. Porra, quando finalmente parecia que tudo seria resolvido, vinha mais uma cartada que deixava pra depois a definição. Acho que isso foi o que eu menos gostei na temporada.
  • E aquela Jane Davis, hein? Ainda não consegui entender qual é a dela, e não me importo o suficiente pra quebrar a cabeça tentando descobrir, já que a cada momento parece que tá com um objetivo diferente. Sobre o Usher, eu gostava mais quando ele atuava nos bastidores. A partir do momento que começou a atuar às claras, perdeu um pouco da graça.
  • Todo aquele rolê com o carinha da NSA, o Macallan, me deixou meio desinteressado também. Aliás, não serviu pra nada e a morte da LeAnn não teve impacto algum.
  • Ah, aquele negócio do Frank ter sido a pessoa que vazou informações de dentro do governo também foi algo ótimo, mas usado de maneira equivocada. Foram raras as vezes em que o protagonista escondeu algo de nós, sempre nos atualizava por meio da quebra da quarta parede, então aquilo tudo soou meio deslocado. Soou como uma tentativa de colocar um plot twist qualquer, sem nenhum tipo de construção.
  • Viktor Petrov de barba ficou ainda mais foderoso. Que homem.
  • Se a Claire tivesse matado o Tom da terceira ou da quarta temporada, eu teria ficado com raiva dela. Como ela tirou a vida do Tom da quinta temporada, me veio apenas uma sensação de letargia.
  • Foi cômico a Laura Moretti falando que ficava com o Doug porque o odiava, não porque o amava. Aliás, apesar da gente simpatizar com o Stamper por causa do que ele simboliza, já tá mais do que na hora dele pagar por seus pecados.
  • Garrett Walker como reitor de universidade foi o destino mais lógico possível pro personagem.
  • O Alex Romero seria um adversário interessante em uma futura Eleição contra o Frank, é uma pena que nunca teremos a oportunidade de ver isso.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Frank Underwood
Um dos mais bem construídos e interpretados personagens na história das séries de televisão aparece pela última vez em House of Cards.

Quando o seu professor chama você e seu amigo pra resolver uma questão no quadro

+ Melhor episódio: S05E12 (“Chapter 64”)
 O último momento de brilho de F.U., o político mais odiável e carismático da cultura pop.

Um dos subestimados pilares do governo Underwood

+ Maior decepção: Tom Yates
Ele era um dos meus favoritos, ainda mais porque eu desejo ser escritor. Contudo, cai bastante de produção e passa a ser totalmente dispensável.

A dupla desafinou, pois o Tom se perdeu

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?