Séries

Euphoria: 1ª Temporada (2019)

• Adolescência é tão ruim assim?

Era simplesmente impossível não escrever sobre Euphoria. O meu irmão mais novo é viciado nessa série, e desde 2019 vinha me falando pra eu assistir. Nunca levei isso pra frente. Agora, o bagulho ficou mais sério. Com o lançamento da segunda temporada, ficou todo mundo eufórico nas redes sociais. Eu abria o Instagram, tava lá a cara da Zendaya. Eu partia pro Twitter, e choviam matérias sobre os principais acontecimentos dos episódios semanais. De uma vez por todas, decidi começar a minha empreitada por essa obra da HBO. E aqui estou eu pra expor a vocês o que achei da queridinha do momento.

 

Sinopse

A primeira temporada de Euphoria é sobre um bando de adolescentes que definitivamente não se parecem com adolescentes. Eu aqui, com meus 23 anos, 1,62cm e espinhas na cara até hoje, pareço mais adolescente do que um cara como o Jacob Elordi. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, é aquele moço da incrível saga A Barraca do Beijo. Seguindo em frente, a trama gira em torno de vários adolescentes que passam por um período de autodescoberta. Todos eles são acometidos por profundas inseguranças, de uma forma ou de outra, pra dizer o mínimo. Rue luta contra o vício em drogas. Jules quer se estabelecer cada vez mais como uma mulher trans. Nate é abusivo e manipulador, e esconde um grande segredo. Todas as histórias se entrelaçam à medida que vai passando o último ano do Ensino Médio dessa galera.

O Babaca do Beijo

Crítica

Definitivamente, a principal qualidade de Euphoria está em sua parte audiovisual. A trilha sonora é viciante. Cada vez que começava alguma música, o sentimento transmitido por ela vinha de forma instantânea e genuína. As canções originais são ótimas, e realmente se encaixam com a vibe da série. Com a fotografia, é a mesma coisa. Os jogos de câmera, a estética roxa e deprê, o figurino e o design de produção são cuidadosamente estabelecidos, criando uma atmosfera muito característica. Não é fácil fazer isso, então é algo que precisa ser valorizado.

O problema é que um produto audiovisual não sobrevive apenas do áudio e do visual. Pode parecer uma frase estranha, mas a explicação é fácil. Pra mim, boas trilhas e fotografias são um bônus. Um bônus considerável, é claro, mas que serve mais como complemento do que prato principal. A parte mais importante de um filme ou série, na minha humilde opinião, é o roteiro. De nada adianta você ser inovador em som e imagem, se o enredo peca na sua construção. A não ser que seja um filme evento, que exista especificamente pra cumprir um intuito. Avatar é um exemplo disso, tendo consolidado o surgimento do 3D.

Acho que vocês sabem aonde eu quero chegar, né? Apesar de Euphoria ser pra lá de competente no audiovisual, escorrega um pouquinho dentro do enredo. A história começa sem muita complexidade. Ao longo dos episódios, as coisas vão melhorando gradativamente até que, lá pra metade da temporada, eu me senti totalmente investido. Os personagens passaram a ganhar cada vez mais camadas, e então a série alcançou o seu ápice. O desfecho, por outro lado, abusou do lado artístico e deixou muitas pontas soltas. Embora a sequência final tenha sido boa, me pareceu mais um clipe musical do que final de temporada.

O enredo tem seus altos e baixos, algo natural pra uma história fragmentada em seus personagens. Alguns arcos são melhores do que outros, mas há uma certa unidade por conta da excelente narração feita pela protagonista. A onisciência aliada à participação ativa dão um charme ao conteúdo, fazendo com que até as histórias menos interessantes captem a atenção.

Os personagens são, em média, muito bons. Porém, uma coisa me incomodou na estrutura de Euphoria. Sim, eu sei que é a proposta básica do roteiro, mas, vocês que assistiram, não tiveram a impressão de que as coisas estavam um pouco repetitivas? A série não tem muitas válvulas de escape. Todo mundo é extremamente ferrado, e é raro ver sorrisos sinceros ao longo dos episódios. A ambientação escura deixa a obra excessivamente sombria. Ainda que seja proposital, fez com que eu não conectasse com os personagens simplesmente por não achar que eles eram reais. Pra mim, personagens realmente bons fazem a gente esquecer de que se trata de uma ficção.

Uma certa similaridade entre as histórias também comprometeu a minha experiência: os relacionamentos. Eu já fui adolescente, sei que é uma época em que isso está à flor da pele. No entanto, quase todos os arcos dos personagens têm essa temática, como se fosse a única coisa que importasse no mundo. A grande exceção é Fezco, que possui uma motivação totalmente particular. Olhando apenas para a trama em si, os momentos dele são uma válvula de escape essencial ao oferecer uma diferente abordagem do mundo criado.

Mesmo com esses problemas que me incomodaram, alguns mais do que outros, eu gostei bastante de Euphoria. É uma série muito bem produzida, com boas atuações e diálogos fortes. Personagens marcantes, querendo ou não, e um audiovisual impecável. O final da temporada não me deixou tão curioso pra ver a próxima, mas eu definitivamente assistirei.

A superestimada e a subestimada

Veredito

Eu pensei que eu fosse me apaixonar mais por Euphoria. Mas calma, eu gostei sim. E vou além: digo que vale a pena conferir. Como de praxe nas séries da HBO, é tecnicamente uma obra cheia de atributos positivos. Há ousadia, identidade e uma estrutura narrativa bem delineada, que auxilia no processo de engajamento da história. Sim, eu senti que às vezes a trama ficou em segundo plano. Sim, eu achei alguns dos argumentos um pouco repetitivos, e a temporada parece cair em uma fórmula insistente sem nem perceber direito. Contudo, as virtudes compensam e compõem um enredo sem medo algum de contar o que deseja, e isso por si só já é louvável. Nota final: 4,1/5.

Eu demorei mil anos pra identificar de onde eu conhecia esse moleque, e agora vi que é de TWD

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

Nota nº 5: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Não sei se com vocês aconteceu isso, mas eu fiquei de fato feliz quando a Rue abandonou as drogas, pelo menos por um tempo. Sei que ela praticamente trocou um vício pelo outro, mas ainda assim. Eu odeio tramas de pessoas viciadas, me deixam extremamente desconfortável.
  • Cara, tadinha da Jules. Ela se envolveu tanto com o Nate sem saber que era ele, e ainda ficou sendo alvo de chantagens. E velho, que bagulho mais sem noção aquilo da pornografia infantil. Se a pessoa tem menos de 18 anos e envia um conteúdo de nudez, ela é a culpada? E quanto à pessoa que recebeu? Que coisa mais descabida é essa?
  • Apesar de gostar da Rue e da Jules separadamente, em nenhum momento eu torci pras duas como casal. Claramente, não estavam na mesma sintonia. A Rue criou uma dependência muito forte dela, e óbvio que não era totalmente recíproco. É claro que a Jules gostava da Rue, ao menos tinha um sentimento de forte amizade, só que elas estavam em momentos opostos. Ainda bem que a Rue não fugiu com a Jules, mas fico triste de pensar que ela provavelmente teve uma nova recaída na sequência.
  • Ok, a partir do momento em que a mãe da Cassie falou pra filha não engravidar, lá na metade da temporada, ficou na cara que isso aconteceria no futuro. E que saco o McKay. Qual a dificuldade de, antes de mais nada, perguntar como a namorada estava? Se complicaria a vida dele, a dela ficaria 1000x mais difícil. E sim, eu sei que essa é a realidade mais comum em gravidez adolescente (não só adolescente, pra falar a verdade), mas sigo no aguardo de algum filme ou série em que o pai vai reagir de forma decente. Talvez seja muita utopia da minha parte.
  • Faz sentido a teoria da Cassie de que beijar não é traição, mas transar sim. Faz total sentido.
  • Aquela garota não Maddy esforços pra ficar com o Nate, não acham? Certo, depois dessa piada horrível, devo dizer que não gosto de nenhum dos dois. Eu sei que a Maddy tá num relacionamento abusivo, mas é meio tenso ela ajudar acabar com a vida de uma pessoa que não tem nada a ver com o assunto (Tyler). Em relação ao Nate, tá difícil de encontrar algo positivo sobre ele. E que atuação na cena dele com o pai no último episódio, hein?
  • E por falar no pai, o Cal, esta é a maior prova de que 90% dos problemas das pessoas têm origens familiares. E o que eu acho mais “engraçado” é ele falar que pelo menos está tentando melhorar, ao contrário do filho. De que maneira ele está tentando melhorar? Francamente, viu.
  • Vi em vários comentários do TV Time pessoas dizendo que a Kat tinha se empoderado e encontrado a sua segurança. Isso meio que… é exatamente o contrário do que a série quis passar. Eu sei que sou homem e não cabe a mim dizer, mas eu ACHO que empoderamento feminino não tem a ver com gravar vídeos eróticos pra homens na Internet. E outra, a Kat estava claramente insegura, só usava uma espécie de máscara, literal e metaforicamente. Uma parte muito emblemática disso foi a discussão dela com a Maddy.
  • Por favor, se você não apoia Fezco, solicito que me exclua do seu círculo de amigos. Ele tem um dos melhores corações dessa série, e merece mais. Quase gelei quando a polícia foi bater na porta dele. E o Ashtray é outro sensacional, o guri faz de tudo.
  • Sinceramente, a Lexi tem muito mais potencial do que a Cassie, por exemplo. Tomara que abordem mais a fundo a sua história na segunda temporada.
  • Então, a Rue realmente teve uma recaída ou aquela cena final foi só um amontoado de alegorias narrativas? Fica no ar.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Rue Bennett
Eu passei a maior parte da temporada alternando entre Rue e Jules, e nenhuma outra pessoa chegou perto de ameaçar as duas. Nos últimos capítulos, percebi que estava mais investido na história da Rue, e o fato de ser a protagonista narradora ajudou na escolha. Eu também gostei da construção de personagem da Kat, mas ela ficou um degrau abaixo.

Eu escrevendo pitaco fico exatamente assim

+ Melhor episódio: S01E04 (“Shook One Pt. II”)
A energia desse capítulo é muito boa, com todos os personagens importantes em um só lugar e a sensação de que tudo vai explodir a qualquer momento.

Filtro amarelo na fotografia? Provavelmente a Jules tá no México

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?