Séries

The 100: 4ª Temporada (2017)

• Um minuto para o fim do mundo

É incrível notar tamanha evolução em algo. Acho que a última vez que vi algo parecido foi quando Charles Darwin desenvolveu sua famosa teoria. The 100 pode não ser uma absoluta obra-prima, mas é provavelmente a série que mais mudou ao longo dos anos – e pra melhor. A segunda temporada é melhor que a primeira, a terceira é melhor que a segunda e a quarta é melhor que a terceira. Em toda obra deste tipo há uma oscilação, mesmo que seja pequena; é a primeira vez que vejo uma série seguir uma crescente e não parar mais, pelo menos até agora. Enquanto escrevo, estão lançando a quinta temporada, então espero que seja tão boa quanto o esperado. Porém, estamos aqui para falar sobre a quarta, por isso não percamos tempo.
A história começa um pouco confusa. Bom, confusa pros gênios que assistiram à temporada anterior há uns dois anos e não executaram a brilhante ideia de procurar uma recapitulação do enredo. Tratei de resolver essa questão, li meu pitaco da terceira, vi alguns vídeos em inglês porque eu sou culto e bilíngue, e me atualizei um pouco na trama. Algumas coisas foram voltando à minha mente à medida que eu assistia a série, e outras faziam minha cabeça girar um pouco antes de eu compreender totalmente. The 100 é sempre assim pra mim: começa confuso, se desenvolve aos poucos e da metade pra frente fica extremamente frenético.
Uma característica que me fez respeitar mais a série a partir da temporada passada foi o fato dos produtores matarem personagens importantes e queridos. Se você não viu a terceira, nem sei o que tá fazendo aqui, mas corra o mais rápido que puder, porque a política deste blog é não soltar spoilers da temporada em questão, mas os acontecimentos anteriores são livremente comentados aqui. Você foi avisado. Retomando meu raciocínio, a morte de Lincoln me impressionou de verdade. Até ali, sim, alguns personagens haviam morrido, mas basicamente só aqueles que a gente já esperava que partissem. O modo bruto como o boy da Octavia se foi colocou The 100 numa prateleira acima no meu ranking, porque se tem uma coisa que eu tenho preguiça, é de obras que têm medo de matar personagens importantes, sobretudo as que tratam sobre guerra, apocalipse ou algo do tipo. Como The 100 começou como uma série bem adolescente, o assassinato de Lincoln me chocou ainda mais.
Esta característica também está presente na quarta temporada, então prepare seu coração. Não por causa das pessoas que morrem, mas sim da maneira que a série se livra deles sem a menor preocupação, de um modo cru, retratando uma realidade sem piedade. Não chega a ser um Game of Thrones da vida, claro, mas ainda assim se torna uma qualidade na série produzida por Jason Rothenberg. E por falar em qualidade, a quarta temporada de The 100 reúne tudo o que foi feito de melhor nos três anos anteriores, apesar de deslizar em alguns erros primários. Algumas ações de personagens são tão estúpidas que muitas vezes eu fiquei conversando com a tela da televisão, dizendo coisas como “velho, por que eles fizeram aquilo?” ou “não era mais fácil terem feito tal coisa?“. Além disso, alguns núcleos não são tão interessantes quanto outros e a série teima em manter alguns indivíduos que já poderiam ter ido embora daquele universo há tempos.
Outro defeitinho que permanece é a dificuldade dos nomes. Praimfaya, Wanheda, é tanta coisa inventada que tudo se mistura e às vezes fica complicado de se lembrar. Isto é algo muito comum em distopias, como Maze Runner Jogos Vorazes, por exemplo. A primeira peca no mesmo defeito de The 100, enquanto a segunda sabe dosar melhor a presença de neologismos. O problema não é criar designações, mas sim exagerar nas mesmas de maneira que confunda o telespectador. Skaikru, trikru, vai tomar no seu kru.
Alguns traços de personagens também são um pouco previsíveis e com falta de originalidade. Vamos pegar o Octavia para eu poder explicar melhor. Foi incrível observar ela passar de uma garota assustada e ligeiramente fútil para uma guerreira determinada e implacável, principalmente depois de perder o seu amor. Entretanto, na quarta temporada fica mais do que claro o caminho que a personagem deve seguir. Tava no primeiro episódio e eu já imaginava que ela chegaria em um ponto em que perceberia que não consegue continuar matando e depois dali mudaria um pouco o jeito de ser. O mesmo aconteceu com uma certa personagem em The Walking Dead. É totalmente compreensível alguém ter de lidar com esses problemas, mas gostaria que fosse desenvolvida de uma forma mais criativa, que apresentasse um outro lado da consciência humana.
Clichês à parte, a conclusão da temporada é fascinante e corajosa. Graças à Becca a quinta temporada tá logo ali, porque eu não iria aguentar esperar um ano depois daquele cliffhanger. Eu tinha lido há algum tempo que a quinta seria a última de The 100, mas agora não tenho muita certeza. O fato é que ela está começando a se aproximar do seu limite, acho que não dá pra chegar numa possível sétima temporada sem decair a qualidade. Como diz o Batman, é melhor morrer como um herói do que viver o suficiente para se tornar um vilão.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

{Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota desta temporada, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/gabarito-do-leleco/}

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Sabe aquela parte que a galera entra naquele lugar e vê que um monte de gente estava sendo escravizada? E o Bellamy vai lá e decide salvar todo mundo e destruir o gerador de água que poderia ser a única possibilidade de SALVAR O MUNDO? Então, que atitude mais retardada. Se os escravos seriam transferidos, era só levar o gerador, deixar um espião pra observar para onde as pessoas seriam levadas, se organizar melhor e depois resgatar geral. Essa foi uma das ações que me fizeram balançar negativamente a cabeça enquanto assistia.
  • Não vou fingir que fiquei triste com a morte do Jasper. Irritante, presunçoso e totalmente inútil pra trama, já tinha passado da hora dele partir. Forçado demais, pqp. Toda cena que ele aparecia eu girava os olhos. O único momento decente dele desde que a Maya morreu foi justamente o momento de sua morte, mas fora isso, pra mim foi um avanço no contexto da série.
  • Raven começou a temporada sendo um pé no saco e eu quase coloquei ela como Maior Decepção, mas conseguiu evoluir no final. Sério, sempre gostei dela, mas tava insuportável. Aliás, pra completar a trinca da inutilidade, o Murphy começou sem rumo nenhum. Parece que se ele e a Emori morressem não faria diferença alguma pra história. Por outro lado, a jogada que ela fez ao mentir sobre o cara que eles sacrificaram foi espetacular. Cruel, mas espetacular.
  • O massa é que em um dos tópicos que eu fiz no bloco de notas sobre a temporada foi “É CLARO que em algum momento da história alguém vai expor aquela lista da Clarke, né”. Foi tiro e queda. Acho que The 100 poderia investir um pouquinho mais em evitar essas coisas previsíveis. Pelo menos o paralelo dos “100 nomes” foi legal.
  • A galera lá da Arca é muito inocente, um líder não tem que ser 100% honesto toda hora, ele tem é que agir pelo bem do seu povo. O mundo tá acabando e o povo se importando com ética e moral, vai se foder.
  • Só acho que não deveriam ter privado o Jaha de uma morte heroica só pra ele poder se tornar um, digamos, pau no cu. Imagina se todo o arco da Cidade da Luz e das cuzagens fosse com o Kane, que começou sendo um babaca. Seria muito mais interessante, sem dúvidas.
  • A Abby deveria treinar novos médicos, né? Pensa se ela morre? Ah, se bem que pelo jeito ela é imortal.
  • Octavia caiu de 9045940594094 metros e não quebrou nem um osso. Parece legítimo.
  • Já que eu falei do Jaha ali em cima, xô fazer um adendo. Apesar de algumas das atitudes dele passarem dos limites, ele estranhamente é o segundo melhor líder, atrás apenas da Clarke. Pensa bem nos outros personagens. Tem algum que tenha essa capacidade? Kane e Abby são um desastre. O Roan era um pau mandado. A Lexa era boa, mas não era dos Skaikru. A Octavia é foda, mas funciona melhor como um soldado do que numa posição de liderança. Só Clarke e Jaha (mesmo ele sendo um porra) têm essa característica.
  • Tadin do Niko, uma pena que morreu.
  • Outro ponto positivo da série e da temporada é o protagonismo feminino que eu sempre destaco nos pitacos de The 100. A maioria das minas tem um lado impressionante, diferentemente dos caras. É legal de se ver. Não tem muita relação, mas é incrível como todas elas são bonitas e conseguem ser sensuais (quando precisam ser) sem precisar ser apelativas. E ainda vem gente me dizer que a Lara Croft de Tomb Raider não deveria ter sido repaginada. Eu, hein.
  • Eu realmente não esperava que a Arca fosse explodir, putz.
  • A galera é muito inexperiente ainda, pqp. Como que deixam o Riley participar daquela expedição? Mais uma das ações de personagens que me fizeram balançar a cabeça.
  • O massa é que meu irmão que nem vê a série sentou pra assistir comigo justamente no momento em que o Ilian e a Octavia estavam conversando na caverna. Ele falou “é óbvio que eles vão transar” e eu “ah, acho que ainda não”. Pelo jeito perdi. Segundo ele, várias fanfics deram a ele a capacidade de adivinhar essas coisas.
  • Sobre o que eu falei lá na primeira parte do post: seria foda se tivessem construído a Octavia como alguém além do salvamento. Fico imaginando ela morrendo, salvando geral mas não conseguindo escapar do trauma. Seria MUITO mais original.
  • Em um espaço de dois episódios, mataram Ilian, Roan, Luna e Jasper. Parabéns, The 100. Parabéns. Adoro essa vibe de Jogos Vorazes apocalíptico, no sistema de “battle royale”. Sempre me agrada.
  • Eu no começo: pipipipopopo Clarke e Jaha são os melhores. Eu no final: JAHA FILHO DA PUTA CLARKE VOCÊ DEIXOU DE SER A MELHOR PERSONAGEM
  • Bellamy salvou a porra toda, consertando as merdas da terceira temporada. Ainda assim, tô achando ele meio sem sal, sei lá. De qualquer forma, aproveito o espaço pra falar do shipp Bellarke: nada a ver, gente. Confesso que no começo eu apoiava, mas agora só os vejo como grandes amigos.
  • Jaha ficou entre os 100, mesmo depois do que fez??
  • Velho, aquele último episódio foi louco demais, parecia um filme. E a Clarke é uma highlander, bicho.
  • DE QUEM É AQUELA NAVE DO ÚLTIMO EPISÓDIO? CADÊ TODO MUNDO? QUEM É A MENININHA? AAAAAAAAA
  • Clarke ficou uma gata de cabelo curto e pintado, pqp
  • Eu tava falando com um amigo e uma amiga sobre a série e começamos a conversar sobre quais casais deveriam acabar juntos. Vieram combinações de todos os tipos, acabei falando que “a Octavia podia ficar com a Clarke, imagina que namoro bonito” e ambos concordaram. O menino, inclusive, falou que já ia procurar no Google algo como “Clarke and Octavia The 100 times cummander – a XXX parody”. Eu ri muito e quis compartilhar com vocês. Só isso mesmo.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Clarke Griffin
Você pode não concordar com algumas das ações da nossa Clarke Kent; eu mesmo não concordo. Mas é de se reconhecer que ela é a melhor líder, apesar das hesitações, e a que mais pensa num plano geral, não somente nela – ainda que isso gere controvérsias.

Eu sou a Clarke e meu professor é o Monty lá atrás segurando a minha prova

+ Melhor episódio: S04E10 (“Die All, Die Merrily”)
Apesar da season finale ter sido espetacular, eu amo muito a temática que esse episódio traz. Isso sem contar que ele é bem audacioso em algumas tomadas de decisão.

Octavia e Moisés

+ Pior personagem: Jasper Jordan
Que cara chato, bicho. Pensa na pessoa mais insuportável que você conhece – eu aposto que o Jasper é três vezes mais. E não é o “chato bom”, aquele personagem feito pra ser cuzão mas que tem sua função, ou aquele que você simpatiza com seus dramas. No caso dele, é só enjoado pra caramba mesmo. A ideia de sua trajetória é boa, mas acaba se tornando muito forçada e desperdiçada.

Um brinde aos personagens chatos!

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?