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MCULeleco #22 – Vingadores: Ultimato (2019)

• O Último Ato

Cada geração cinematográfica tem seus marcos. Lá atrás, Star Wars definiu época. Os filmes de discoteca, como Grease e Nos Embalos de Sábado à Noite, também foram muito importantes pra aquele período. O Exterminador do FuturoAlien, até mesmo Velozes e Furiosos, por incrível que pareça, foram outros responsáveis por ditar alguns conceitos que ainda seriam aproveitados muitas vezes. Uma geração não tem só um único marco, mas um gênero em específico tende a afunilar um pouco as coisas. No ramo dos super-heróis, eu pensava que Guerra Infinita fosse desempenhar essa função, e não deixa de ser uma afirmação correta. Porém, Vingadores: Ultimato é o encerramento de uma era. A conclusão de uma saga. O presente perfeito para os fãs do Universo Cinematográfico da Marvel. No pitaco de hoje, não adotarei meu tradicional jeitão de separar as seções em “sinopse”, “crítica”, “veredito”, “observações spoilentas” e as premiações. Ultimato é especial, e por isso farei uma postagem especial. Sem clubismo, é claro.

 

Crítica sem spoilers

Olha, metade do universo foi aniquilado. Já era de se esperar que o filme tivesse um clima melancólico. Fico imaginando a galera que tava no meio de uma fase difícil num jogo de videogame e morreu sem salvar o progresso. O sentimento é o mesmo com as pessoas que estavam prestes a beijar quem elas desejavam há tempos e viraram pó antes de conseguirem. Sabe, coisas tristes assim. Ultimato transmite essa carga pesada desde suas cenas iniciais, e a tristeza e impotência se arrastam por vários minutos. Aos poucos, elas vão sendo substituídas pela esperança, mas sempre com um pé atrás. Basicamente, a história gira em torno das consequências dos trágicos acontecimentos de Guerra Infinita, e em como os super-heróis vão agir em relação a isso.
Em questão de empolgação, o terceiro capítulo dos Vingadores o faz com mais eficiência durante a maior parte do tempo. Ao contrário de seu predecessor, Ultimato não traz aquele clima frenético, cada cena com um próprio momento marcante. Os irmãos Russo, responsáveis pela direção do longa, fazem questão de dar tempo ao tempo e levar tudo com calma. Eles acertaram em cheio. A partir da hora em que eu entendi que a obra não teria o ritmo acelerado de Guerra Infinita, consegui apreciar tudo que eu estava vendo na minha frente.
Na longa duração de três horas, na maior parte do tempo eu tava achando o filme nota 8,0, 8,5, mais ou menos. Eu já tava pensando “hmm, o primeiro e o terceiro Vingadores são melhores” e fiquei confuso por ter ficado sabendo que haveria muito fan service no filme. Tinha tido bastante até aquela parte, mas eu esperava mais. E é aí que a Marvel botou a manopla na mesa e jogou tudo na minha cara de uma vez. Os 30 minutos finais de Ultimato são a melhor coisa que eu já vi no mundo nerd. Eu, que não havia chorado com o filme até então, não parei de derramar lágrimas até os créditos subirem na tela. Ainda não tenho condições de dizer se é o melhor do MCU, se é melhor que Guerra Infinita ou algo do tipo, mas isso eu garanto: eles não poderiam ter dado uma conclusão mais perfeita para o Universo Cinematográfico da Marvel, o qual vem nos acompanhando por incríveis 11 anos. Tudo valeu a pena.

 

Aviso: Não tem nenhuma cena pós-créditos.

 

Vamo atrás dos três pontos, time!

Crítica com spoilers

Puta que pariuuuuu. Tá, vamo lá. É engraçado perceber que em todo momento Guerra Infinita apresenta uma atmosfera de tragédia prestes a acontecer, enquanto Ultimato possui uma de esperança, redenção. Eu sabia desde o começo que tudo ia dar certo no final, mesmo que ocorressem baixas. Isso era óbvio, mas a maneira com que isso se deu é que foi a surpresa. O filme pegou uma linha de viagens no tempo que não é tão abordada, de que é possível ter duas pessoas iguais, mas de épocas diferentes, numa mesma realidade. Normalmente, a cultura pop trabalha com paradoxos ou problemas como o mostrado em De Volta para o Futuro – se alguém se deparar com si mesmo, desmaia ou o tempo é destruído, uma das duas opções.
Só de ter mudado um pouco esse aspecto, Ultimato já ganhou ponto comigo. Ainda assim, eu tava achando o filme “somente” muito bom. Diverti-me com as referências, a revisitação dos outros capítulos da saga e a mudança de ponto de vista em algumas cenas, especialmente as de Os Vingadores. Fiquei um pouco contrariado com o sumiço da Nebula passando batido e o porquê da galera não ter pegado o soro do Hank Pym antes de toda a treta, mas beleza. Eu não queria que o filme fosse muito bom, eu queria que ele fosse espetacular, sensacional, épico. Aquelas sequências finais cumpriram o papel, e como cumpriram! Eu ainda não consigo destacar cena por cena, mas vou tentar. Primeiro a gente tem o Falcão dizendo “à sua esquerda” em referência à Capitão América: O Soldado Invernal. Antes disso, ainda tivemos o Steve Rogers USANDO O MJÖLNIR. Mano, que momento foda do caralho. Thor gordo e lutando que nem um monstro precisa ser lembrado. E o que dizer do Peter Parker segurando a Manopla e depois a Capitã o cumprimentando e se juntando às outras heroínas da Marvel, incluindo a Valquíria com um pégasus? Porra.
Eu poderia ficar esse post inteiro citando as melhores partes. Isso porque nem mencionei a Pepper Potts, a Feiticeira Escarlate, a #ApariçãodoStanLee falando pra galera fazer amor, e não guerra, e o menininho de Homem de Ferro 3 no funeral do Tony. Se não bastasse toda essa surra de agrados para os fãs – até porque esse filme é feito pros fãs, quem não acompanha o MCU não receberá o mesmo impacto -, a conclusão da jornada dos Vingadores originais foi perfeita demais. Clint Barton abandonando o traje para passar o tempo com a família, Natasha morrendo e se sacrificando não só pelo seu amigo, mas por todo o destino do mundo, Bruce Banner na pele do Professor Hulk e fora da vida de lutas, Thor como um bêbado vagante e conselheiro pelo resto dos dias… e então temos Tony e Steve. O primeiro morreu, no estilo “Eu sou o Homem de Ferro!”, fechando o ciclo que teve início há mais de uma década. O segundo voltou ao passado pra dançar com Peggy Carter, deixando o manto do Capitão para Sam Wilson. Cara, que filme, que experiência. Foi uma honra ter feito parte do MCU, de verdade. Todos nós fizemos. Todos nós o respiramos. E é lindo pensar que nossos filhos e netos terão a oportunidade de provar do mesmo ar.

 

{Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/07/11/glossario-do-leleco/}

{Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: https://pitacosdoleleco.com.br/2017/09/16/wiki-do-leleco/}

 

Katniss Everdeen: O Prelúdio

 

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+ Melhores personagens: Tony Stark e Steve Rogers
É a primeira e única vez que farei isso no blog. Eu não vou escolher apenas um deles como vencedor da categoria, me recuso a fazer isso. Ultimato é dos dois. Thor, Viúva, Hulk e Gavião também entram na equação, mas Tony e Steve são os líderes. Um legado que jamais se apagará.

Custe o que custar™

+ Maior evolução: Bruce Banner/Hulk (menção honrosa a Scott Lang/Homem-Formiga)
Ele é a coisa mais divertida do filme, e uma das melhores no contexto geral. Não posso deixar de citar o menor herói do mundo também, que foi essencial na trama, mas não do jeito que os fãs teorizavam, rs.

Alguém aí tem alguma saudade do Edward Norton?

+ Mais subestimada: Nebulosa
Ela se encaixaria facilmente em Maior Evolução – em termos de construção de personagem ela cresceu mais até do que Bruce Banner. Contudo, como suas ações são pouco valorizadas pelos fãs, achei melhor ela ficar nessa categoria, ainda mais porque foi essencial em Ultimato.

O Máquina de Combate tá ali só de zoas mesmo

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?