Séries

La Casa de Papel: Parte 3 (2019)

Guerra ao Sistema

Não serei hipócrita, eu fiz birra que nem uma criança quando descobri que La Casa de Papel teria uma terceira parte desenvolvida pela Netflix. Pensei comigo mesmo que lá vinha o capitalismo destruir com uma obra por não saber a hora de acabar. Porra, a série tinha terminado de maneira redondinha, apesar de alguns defeitos. Não precisava de uma continuação. Ao som de “The Sound of Silence”, vinham na minha cabeça imagens da tragédia envolvendo Prison Break Supernatural. Lágrimas escorreram por meu rosto cansado, enquanto minha cabeça repousava esgotada sobre meus ombros. Assisti ao trailer e fiquei curioso, mas ainda com dois pés atrás. Vi o primeiro episódio e fiquei com a impressão de que meus medos se provariam corretos. Fiquei feliz por estar errado.

 

Sinopse

Bicho, pela lógica eu nem precisaria avisar isto aqui, mas pra não ter problemas já deixo bem claro que se você não assistiu às duas primeiras partes de La Casa de Papel, não continue lendo. O aviso está dado!!
Depois de conseguirem invadir a Casa de Moeda da Espanha, imprimir muitas doletas e escapar das autoridades, os nossos assaltantes favoritos se espalharam pelo mundo. Rio e Tóquio foram pro Caribe, Professor e Raquel pra Tailândia… as regras consistiam em não ir pra Europa e países do hemisfério norte, e não tentar estabelecer contato com os outros membros criminosos. Tudo ia bem, anos depois da missão bem-sucedida e sangrenta. Só que uma hora as coisas dariam errado, e elas tinham que acontecer com a única pessoa que carrega um nome relacionado com o Brasil. Rio é capturado pela polícia e então a gangue se reúne novamente para resgatar o amigo. Para isso, eles decidem ir atrás de um objetivo ainda mais ousado: dar um pulinho no Banco da Espanha e tocar o terror.

O Ocidente e o Oriente

Crítica

Tinha tudo pra dar errado. A trama parecia uma imitação barata das duas primeiras partes, não mostrava nada de original. Pra piorar, o enredo começou a forçar muita coisa que poderia ter sido mais abrandada. É claro que, se formos ser realistas, toda a premissa de La Casa de Papel é um verdadeiro absurdo, mas a gente entra na onda por se tratar de puro entretenimento. Em alguns momentos da nova temporada, no entanto, eu não consegui engolir. Por esses motivos, as minhas primeiras impressões foram mais negativas do que positivas, mas isso mudou logo na sequência.
No momento em que me rendi à mitologia da série, consegui acompanhar sem levar tudo tão a sério. É preciso ignorar muita coisa para se divertir. A produção tá bem mais bonita de se ver, com locações de encher os olhos e uma fotografia bem digna. Os personagens formam um contraste ambulante. O Professor é sempre regular, embora suas motivações me pareçam um pouco genéricas, até mesmo bobas. A Raquel pra mim teve uma queda no início, porque não me deu a impressão de que pertencia àquele ambiente. Depois, acabou se recuperando um pouco. Quanto aos demais, os destaques ficam pros novos personagens e pra Nairóbi, mas preciso deixar minha reclamação acerca da utilização desta última. É sempre bom ver representações femininas fortes no mundo da televisão, mas senti alguns exageros em certos momentos. Em seu ápice na temporada, ela se impôs sem precisar entoar mantras e bordões repetitivos que só enfraquecem seu discurso. Foi forte de uma maneira natural.
A história não é melhor que a das duas primeiras partes, mas a diversão é parecida. Acho que a temporada poderia ter sido um pouco superior com uma quantidade maior de episódios, pois alguns núcleos foram bem trabalhados e outros deixados de lado sem muita preocupação. O último episódio é concluído com grande impacto, apesar de eu ser um pouco contra aquele tipo apelativo de cliffhanger.

O Professor e sua Lisboa aluna

Veredito

A terceira parte de La Casa de Papel não é tão inteligente, ousada e marcante quanto as duas primeiras. Contudo, está bem longe de ser uma decepção, pois cumpre o seu papel de entreter e trazer uma trama divertida de se acompanhar. O roteiro força um pouco (nem era pra ter tido esta temporada, se formos bem sinceros) e nenhum personagem brilha do começo ao fim. Considerando que a probabilidade de dar errado era muito maior que o contrário, foi uma boa surpresa, que me deixou impelido e ansioso pelo capítulo seguinte. Nota final: 3,9/5.

Arturito chora com esta imagem

 

>> Não se esqueça de ler a crítica das duas primeiras partes, viu?

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Cá entre nós, aqueles dirigíveis no primeiro episódio foram bem fodas, mas tive dificuldade de engolir. Porra, não era pra Força Aérea ter feito algo não, já que surgiu um monte de balão no meio de Madri, a capital de um poderoso país como a Espanha? Acho que na vida real eles nem teriam chegado perto da cidade.
  • Eu sei que é triste, mas se a Nairóbi não tiver morrido com aquele tiro vai ser muuuuuito esquisito. Mano, nenhuma pessoa sobrevive a uma bala naquele local, ainda mais tendo perdido tanto sangue. Gostaria que tivesse sido outro a ser atingido, mas já que tomaram aquela decisão, que seja mantida.
  • Helsinki representa toda a população mundial em desilusões amorosas. E o Palermo representa todos os palermas (haha) que não estão nem aí pra sentimentos. Sabemos que no fundo isso não é verdade, foi um ótimo espelho do ser humano em geral.
  • Momento mais subestimado da temporada foi o Denver salvando literalmente todo mundo ao levar as caixas vermelhas de segredos lá pra fora. Depois daquilo ele praticamente sumiu da temporada.
  • Achou que nosso querido Arturo Román não voltaria mais a nos importunar? Achou errado, otário! O cara elevou a Síndrome de Estocolmo e um nível fora do comum.
  • Tinha que ser o Rio pra fazer merda, bicho. Mas evoluiu bastante, fiquei num cagaço dele levar um tiro quando tava na porta do Banco da Espanha. Foi legal vê-lo se desvencilhando da Tóquio também, já que o casal eventualmente iria se rachar. Demonstrou maturidade.
  • Professor caindo no dibre da Grávida Diabólica AKA Alicia Sierra foi bom demais. Quebrou com a imagem de gênio intocável dele.
  • Sobre o Berlim, achei meio bosta as aparições dele, na moral. Algumas foram boazinhas e tudo mais, só que não acrescentaram praticamente nada na trama.
  • Não sei vocês, mas eu queria ter visto mais do Bogotá. Em um episódio, aquele em que o cara mergulha no cofre, ele conseguiu ser mais carismático que muita gente ali. Espero que seja aproveitado no futuro, assim como o Marselha e a outra galera que nem lembro o nome.
  • É sério que o Professor não imaginou que iriam atrás da família da Raquel? Isso não era a coisa mais óbvia do mundo não?
  • Sabemos que o verdadeiro herói da temporada foi o furão. Por pouco não o coloquei como Melhor Personagem.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Nairóbi
Seguinte, ela tá longe de ser a minha favorita e critico bastante alguns exageros que são feitos em relação à mesma. Maaaas preciso reconhecer que foi a protagonista dos momentos mais impactantes da temporada, e por isso acabou sendo eleita.

Mais que amigos, friends

+ Melhor episódio: S03E08 (“Astray”)
Tenso até o final, concluindo bem uma ótima temporada. Tenho algumas ressalvas sobre sua conclusão, mas não apaga o que fez de bom.

Mulheres grávidas são tão doces e meigas <3

+ Maior surpresa: Palermo
Ele poderia facilmente ter sido um Berlim 2.0, e de certa forma o foi. Porém, construíram o personagem com algumas peculiaridades diferentes que o solidificaram. Sim, ele é um tremendo de um fdp, mas não deixa de ser uma adição de peso na série. A Inspetora Alicia Sierra também é muito boa, mas achei que poderia ter sido mais usada, já que só foi mostrar as garrinhas de fato nos últimos episódios. Bogotá também sofre do mesmo mal; quando abordado, me agradou, mas na maioria do tempo foi um distante coadjuvante.

Rick Grimes, tá por aí?

+ Mais subestimado: Denver
Eu poderia tê-lo colocado como Maior Evolução, e não seria injusto. Decidi deixá-lo aqui pois julgo que não é tão agraciado pelos fãs quanto Nairóbi e o Professor, por exemplo. Só a risada dele já é sensacional por si só.

Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?