Séries

Supernatural: 6ª Temporada (2010/11)

• Pós-apocalipse

Eu demorei pelo menos uns cinco anos pra assistir isto aqui. Quando finalizei a quinta temporada de Supernatural, me recusei a continuar; pra mim, a série tinha acabado ali. Aquele era o final perfeito. Eu sabia que algum dia retomaria minha jornada com os Winchester, mas queria saborear um pouco o gosto do que seria um desfecho magnífico antes de ser trazido de volta à realidade. Assim que fui agraciado com a notícia de que a obra seria encerrada após sua 15ª temporada (ufa!), ganhei a motivação necessária para voltar a maratonar e checar se as histórias posteriores seriam tão fracas quanto eu tava pensando. Não posso dizer que a continuação foi brilhante, mas eu jurava que fosse ser pior.

 

Sinopse

Carry on my wayward son, for there’ll be peace when you are done. Lay your weary head to rest, don’t you cry no more. TAN TAN, TAN TAN, PÁ. ~solo de guitarra~
Agora que te deixei no clima, vamos saber do que se trata o sexto conjunto de aventuras dos irmãos Winchester. Depois de terem evitado o Apocalipse bíblico e mandado Lúcifer diretamente para uma jaula do Inferno, Dean e Sam tiveram epílogos totalmente diferentes. O nosso caçador charmoso e carismático “quietou” e passou a viver uma vida tranquila com Lisa e Ben, exercendo o papel de marido e pai. Já o caçador alto e traumatizado precisou passar tempo com as adoráveis companhias do Demônio e do Anjo Miguel, que de anjo não tinha muita coisa. Como adiantado no final da quinta temporada, de alguma forma Sam voltou a caminhar sobre a terra. Ele se mantém escondido dos olhares de Dean, mas a barreira se rompe quando seu irmão é colocado em perigo e Sam precisa agir para salvá-lo. Ele não está sozinho: o avô dos Winchester, Samuel Campbell, está vivo, respirando e liderando uma verdadeira gangue de família. Como é que Sam fugiu do Inferno? Quais foram as consequências? Por que o avô não está morto? Existe alguma nova ameaça pairando no ar no universo pós-apocalíptico?

Pai do Mês

Crítica

A temporada começa com o status de Perda de Tempo. Em suas etapas intermediárias, transforma-se em Mais ou Menos, de acordo com os critérios aqui do blog. Por fim, ela é finalizada como Bom Entretenimento, e vou explicar direitinho essa mudança gradativa. Após um desfecho perfeito na temporada anterior (vou continuar batendo nessa tecla), a série pareceu sem propósito. Os acontecimentos não foram retratados de maneira orgânica, e as constantes ressuscitações sem explicação contribuíram para enfraquecer o enredo, assim como a preguiça de se desenvolver melhor as problemáticas. Infelizmente, o roteiro se concentra no amadurecimento pessoal dos três protagonistas – Bobby Singer entra na equação – e dá a impressão de estar satisfeito com qualquer coisinha que conseguir aproveitar como complemento. Tudo que não atinge diretamente os personagens principais é simplesmente ignorado. Essa medida pode até fortalecer o potencial dos caçadores, mas em contrapartida faz com que as ocorrências secundárias sejam dispensáveis e inúteis.
Até o momento em que a sexta temporada adota essa estratégia, os episódios se tornam esquecíveis. A partir de quando surgem os arcos de monstros de outros países aparecendo em solo estadunidense, líderes demoníacos sendo caçados insistentemente e a simbologia do Purgatório, Supernatural recupera o fôlego. Outro grande acerto foi a personalidade de Sam Winchester após sua escapada do Inferno. É a melhor temporada do personagem até então, e nesta só fica atrás de Bobby. Dean consegue cavar momentos de destaque, mas acaba ficando um pouco na sombra dos dois companheiros, o que não é necessariamente algo ruim pelo fato de a série às vezes dar enfoque exagerado a ele. Entre os personagens de apoio, Crowley tem seus momentos, Castiel tá um pouco apagado, e Rufus, Rafael e o novo personagem Balthazar se contentam em cumprir seus papéis.
Na reta final, aconteceu algo que eu não achei que aconteceria: eu fiquei curioso pra saber quais seriam os próximos passos. O último capítulo é bem mais ou menos, é verdade, só que a trajetória pra culminar naquilo foi bem conduzida e conseguiu salvar o tédio sentido nos primeiros episódios. Não se enganem, eu ainda acho que a sexta temporada sequer deveria existir. Porém, como tá lá pra gente ver, pelo menos que seja algo apresentável.

Anjos e Demônios (2009)

Veredito 

Supernatural correu um perigo gigantesco de estragar um digno encerramento ao estender a série além do que precisava, mantendo gananciosamente uma legião de fãs leais interessada em continuar consumindo o produto. De fato a sexta temporada foi desnecessária, mas não posso deixar de reconhecer que teve lá seu charme. O começo foi tedioso e sonolento. Chegando na metade, a obra se tornou tolerável e com pitadas de originalidade aqui e ali. Surpreendentemente, conseguiu alcançar um ápice com conceitos autênticos e desenvolvimentos competentes dos principais personagens, deixando a experiência muito mais agradável e até instigante em alguns fragmentos. A season finale deixou a desejar e não me empolgou muito para a sétima temporada, mas quem sabe se eu der uma chance e ignorar o desperdício citado tantas vezes nesse texto, possa me divertir com uma das séries mais marcantes dessa geração. Nota final: 2,9/5.

Minha pequena Eva, Eeeeeva ♪

 

>> Crítica da 1ª Temporada de Supernatural

>> Crítica da 2ª Temporada de Supernatural

>> Crítica da 3ª Temporada de Supernatural

>> Crítica da 4ª Temporada de Supernatural

>> Crítica da 5ª Temporada de Supernatural

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

 

~ NARRAÇÃO SPOILENTA: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Episódio 1: Sam está de volta à Terra, Dean tá sossegado com a Lisa e o Ben. Tudo parece suave até que Dean é atacado por um djinn, e seu não tão falecido irmão dá as caras e revela estar vivinho da silva. Ele reúne a família com o avô de ambos e uns primos aleatórios que ninguém liga. O único porém é que Sam não parece estar 100% Sam. Capítulo mais ou menos.
  • Episódio 2: Sam e Dean se juntam novamente, desta vez pra investigar casos em que bebês são sequestrados das suas casas e as mães mortas misteriosamente. Eles se deparam com um nenê shapeshifter, e a relação do Dean com o mesmo é genuinamente fofinha. A criança acaba ficando com os parentes dos Winchester, mas um deles morre quando o tal Alfa dos Metamorfos chega pra buscar o bebê. Essa parada de Alfa deve ditar o ritmo da temporada, inclusive.
  • Episódio 3: depois de um episódio mais ou menos e outro bom, este foi só ok. Castiel tá de volta pra resolver um problema envolvendo as pragas do Egito e o Cajado de Moisés, o qual foi roubado do paraíso. Castiel se encontra com Balthazar, outro anjo dado como morto, e apesar de seus planos nem um pouco abençoados, evita que Sam e Dean o mantenham preso por causa dos “velhos tempos”. Os irmãos estão de volta ao Impala, agora que o Dean meio que se afastou de Lisa e Ben pelo bem deles e do roteiro.
  • Episódio 4: história focada no Bobby, mostrando o tamanho de suas responsabilidades e o quanto é desvalorizado por aqueles que procuram sua ajuda. Ele e Rufus encontraram um monstro que normalmente só aparece no Japão, enquanto Sam e Dean toparam com uma lâmia, originária da Grécia. Essa excursão de pokémons demoníacos pode render uma boa trama.
  • Episódio 5: esse foi bom. Dean foi transformado em vampiro e rendeu dramas interessantes, como o Sam diabolicamente deixando-o ser transformado, pistas do que pode ser o Alfa dos vampiros e Lisa e Ben se distanciando de Dean. O único defeito foi não acertar o tom – teve partes de humor no formato de paródia, fazendo várias menções a Crepúsculo, ao mesmo tempo que foi muito sério.
  • Episódio 6: basicamente um Sim, Senhor!, este apresentou uma maldição da deusa Veritas em que a galera começa a falar só a verdade pra quem foi amaldiçoado. As partes importantes pra história foram a deusa dizendo que o Sam não era humano porque tava resistindo à magia dela, e o Dean metendo a porrada no irmão.
  • Episódio 7: Castiel resolveu ajudar, mesmo durante uma Guerra Civil nos céus, e descobriu que o Sam tá sem a alma. Mais tarde, os Caçadores foram atrás do Vampiro Alfa e o sequestraram pro Samuel descobrir onde fica o purgatório. Plot twist: Samuel Campbell é pau mandado do Crowley, agora Rei do Inferno, que roubou a alma do Sam e quer capturar todos os Alfas pra conseguir encontrar o purgatório.
  • Episódio 8: tem um xamã na jogada, que é o cachorro de uma família. Sam “Zero Fucks Given” aceitou de vez que não tem alma e falou pro Dean que não tá nem aí pra nada. Sobre o cachorro animago, não entendi o porquê dele ter ficado vivo, teria sido mais impactante ter morrido com os dois tiros do líder do bando. E o episódio foi bom, mas essas conveniências de roteiro, como o Sam descobrindo sobre o xamã porque este último resolveu trocar de corpo EM FRENTE A UMA JANELA, puxaram o nível um pouco pra baixo.
  • Episódio 9: Sam “I Don’t Give a Fuck” Winchester e seu irmão Dean embarcam numa jornada de extraterrestres que na verdade são fadas, duendes e leprechauns. O Dean chega a ser abduzido e o Sam pouco se importa, agindo cada vez mais desalmado (e cada vez melhor). No fim, ambos conseguem deter as fadas sequestradoras.
  • Episódio 10: será que sem a alma, o que move Sam é o instinto natural do ser humano? Os instintos básicos como fome e desejo? Fica o questionamento. Neste capítulo, a Meg voltou toda seduzente, o Castiel assistiu pornô, beijou a Meg com paixão e torrou o Crowley ao queimar seus restos mortais, e o Sam desistiu de pegar sua alma de volta porque tá dando muito trabalho e pode nem dar certo no final das contas. Ah, e os Winchester são folgados demais, toda hora pedindo auxílio como se todos fossem obrigados a ajudá-los.
  • Episódio 11: rapaz, esse foi disparado o melhor da temporada até aqui. Dean resolveu chamar a Morte pra resgatar a alma do Sam e seu desejo foi concedido, mas ele tinha que ser a Morte por 24 horas. Dean acabou fazendo bosta, como era de se esperar, mas no fim a Morte acabou resgatando a alma do Sam mesmo assim, mostrando que é o ser mais poderoso do universo. O Sam, que tava perto de matar o Bobby, agora deve voltar a ser o verdadeiro Sam.
  • Episódio 12: dragões sequestrando virgens e fazendo sacrifícios pra trazer a Mãe dos monstros do Purgatório. O Sam Passivo matou um dos dragões, e acabou descobrindo pelo Castiel que ele tava sem alma durante o ano anterior, algo que o Dean tinha escondido. Senti falta desse Sam todo bonzinho, mesmo tendo gostado do Sam “Fuck It All” Winchester.
  • Episódio 13: tava só esperando isso acontecer. Sam voltou a uma cidade na qual havia feito merda, matando uma Arachne pra depois descobrir que ela tinha reproduzido. O resultado disso tudo foi o Sam se lembrando do passado e sendo atingido pelas memórias do Inferno.
  • Episódio 14: manequins assassinos porque uma mina foi ludibriada por um bando de fdp. Sam queimou os ossos da garota, mas não adiantou porque a irmã tava com um rim da falecida. Acabou que ela morreu, e assim a maldição acabou. Isso mesmo, sem final feliz. Ah, e o Dean se livrou de vez (espero) de Lisa e Ben porque ela o dispensou.
  • Episódio 15: um dos mais divertidos da série até hoje. Sam e Dean foram parar em um universo paralelo em que são os atores Jensen Ackles e Jared Padalecki da série Supernatural. Não sei por que, mas isso me é familiar. De qualquer forma, após incontáveis referências e piadas internas, eles voltaram à realidade em que vivem e Castiel e Balthazar recuperaram algumas armas divinas e venceram mais um round contra Rafael.
  • Episódio 16: capítulo meio estranho. Tinha tudo pra ter uma pitada interessante de drama, já que Gwen, Samuel e Rufus acabaram morrendo por causa de uma larva maligna entrando nos ouvidos das pessoas. O problema é que nenhuma dessas mortes foi conduzida com o peso necessário; parecia que a série tinha se livrado de personagens secundários quaisquer. De qualquer forma, agorinha eles estão de volta, então foda-se.
  • Episódio 17: confesso que fiquei bastante confuso no início com o retorno de Ellen, mas como é Supernatural, achei que fosse mais uma das “mortes canceladas”. Eu até reparei a pintura diferente do carro, mas nem percebi que não era o Impala. Quando os Winchester não se lembraram do Titanic, aí caiu minha ficha. Resumindo, o Balthazar, à mando do Castiel, tentou enganar o Destino (uma Moira) e recrutar almas pro seu exército na Guerra Civil dos anjos, resgatando o Titanic do naufrágio. Sam e Dean não sabem das intenções de Castiel, mas de qualquer forma o plano foi abortado a fim de salvar os irmãos.
  • Episódio 18: tudo de bom, Velho Oeste e viagem no tempo, praticamente um De Volta para o Futuro III. Dean e Sam voltaram pro século XVIII, encontraram o Samuel Colt e mataram uma fênix. Sam recebeu as cinzas dela por correio do próprio Colt e tudo deu certo no final. Bom, o Bobby quase perdeu a alma pra um Castiel ferido por uma anja, mas de resto tudo bem.
  • Episódio 19: Sam, Dean, Bobby e Castiel vão atrás de Eve, cuja ameaça é parcialmente encerrada quando Dean faz ela morder seu pescoço e ser contaminada com cinzas de fênix. O problema é que a Mãe já tinha criado um monte de monstros híbridos espalhados pelo país, o que deve dar trabalho pros nossos heróis.
  • Episódio 20: Castiel conta sua história e nos revela que de fato conspirou com Crowley pra abrir o Purgatório e absorver as almas presentes lá, a fim de derrotar Rafael na Guerra Civil Divina. Dean e Sam acabam descobrindo o segredo do anjo, que se mostra arrependido, porém irredutível, e busca consolo em suas orações.
  • Episódio 21: Lisa e Ben estão de volta, e se despedem de Dean de uma vez por todas (agora é sério). Crowley mandou sequestrar ambos e matar o namorado de Lisa, mas Balthazar ajudou nossos heróis e os irmãos Winchester salvaram os reféns. Pra fazê-los pararem de ser perseguidos, Dean pediu pra Castiel apagar as memórias de Lisa e Ben e então o ciclo foi encerrado. Só não entendi como seria explicado o lance do assassinato do namorado de Lisa pra mesma, mas a série não costuma se prender a esses detalhes.
  • Episódio 22: Um final de temporada bem mais ou menos. Metade do episódio foi dentro da cabeça do Sam, quando ele superou todos os traumas e derrubou a barreira com as memórias do Inferno sem muitas consequências, acabando com o drama dos primeiros capítulos. A outra metade foi Castiel e Crowley tramando abrir o Purgatório, e o anjo se deu melhor, apunhalando Balthazar pelas costas no processo. Ele também explodiu Rafael versão mulher com um estalar de dedos, o Rei do Inferno fugiu e agora Castiel é o novo Deus. Amém.

 

~ FIM DA NARRAÇÃO SPOILENTA. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Bobby Singer
Inacreditavelmente subestimado, o guardião dos Winchester não é devidamente valorizado por ninguém. Ao mesmo tempo, se não fosse por ele, Dean e Sam não saberiam fazer nada. Herói incompreendido.

“Tá pegando fogo, bicho!” – TÃO, Faus

+ Melhor episódio: S06E15 (“The French Mistake”)
O episódio 11 é disparado o mais importante pra trama da temporada, mas este aqui tá na memória de todos os fãs de Supernatural. Divertido, lúdico e sarcástico, o momento de maior entrosamento entre os atores. Vale ressaltar também a qualidade do capítulo 18, com temática de Velho Oeste.

Esse zap é bom demais, rapaz ‘xD

+ Maior evolução: Sam Winchester
Ele quase, mas quase foi eleito o melhor da temporada pela primeira vez. Tinha um Bobby no caminho, mas ainda assim é preciso reconhecer que Sam esteve no seu melhor momento, em meio a conflitos internos agonizantes.

Um homem de tirar o chapéu

+ Pior personagem: Samuel Campbell
Argh. Sinceramente, se ele tivesse sido removido da temporada, não faria a menor diferença. Na verdade, minto – teria deixado a temporada melhor. A ideia de trazê-lo não foi totalmente sem méritos, mas a execução sim.

Querido diário, é uma pena que eu seja um personagem tão ruim

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?