Filmes

LelecoTarantino #06 – Bastardos Inglórios (2009)

• Au revoir, Shosanna!

Vai falar que você nunca teve o desejo de construir uma máquina do tempo e sair massacrando o máximo possível de nazistas? Se essa vontade nunca esteve presente em sua mente, acredito que tem algo de errado. Pela mente do Tarantino eu sei que já passou, pois Bastardos Inglórios é uma prova cabal disso. Não é um filme “apenas” pra retratar o cenário presente na Segunda Guerra Mundial, trata-se de uma ficção quase parodial (neologismo tá aí pra nos ajudar) com uma visão bastante diferente da época. Assim como em outros títulos de sua autoria, o diretor novamente traz a temática de vingança.

 

Sinopse

Hans Landa é conhecido como o Caçador de Judeus. Oficial de alta patente no Exército Alemão, ele cumpre sua designação genocida com competência, o que torna sua figura cada vez mais infame. Em contrapartida, temos o grupo com a alcunha de Bastardos Inglórios. Liderados pelo norte-americano Aldo Raine, os membros da gangue não podem ter piedade diante dos nazistas. Nada de atitudes humanitárias – quanto mais crueldade melhor. Enquanto os dois lados entram em choque, uma judia chamada Shosanna Dreyfus se esconde à plena vista na cidade de Paris, quando ganha uma oportunidade de ouro para se vingar.

Esquadrão Homicida

Crítica

O filme não economiza no sangue, como sempre acontece nos trabalhos do Tarantino. Eu me lembro que, quando assisti pela primeira vez há muitos anos, ainda não tava acostumado com cenas violentas, naquela época alguns momentos me deixaram meio enjoado. Hoje, não tenho tanto problema com isso, a não ser que seja o famoso “gore“. Em Bastardos Inglórios, há um toque sádico, mas longe de ser somente uma apelação visual. Isso enriquece o produto. Além disso, a fotografia é talvez a mais bonita do cineasta até aqui, com uma reconstituição da década de 1940 e locações muito bonitas de se ver.
As maiores qualidades, no entanto, estão no enredo e em seus personagens. A história é satírica e não pode jamais ser vista sob um prima de realidade. À medida que a obra vai alcançando o seu ápice, os absurdos começam a ficar cada vez maiores, e digo isso como um elogio. Dividida em capítulos, como de praxe, a trama herda um pouco dos elementos expostos pela primeira vez em Pulp Fiction. Quando um arco chega ao seu apogeu, o longa puxa a atenção para outro núcleo totalmente diferente. A estratégia não funciona tão bem quanto no citado antecessor, pois algumas histórias são claramente inferiores às outras. Contudo, os personagens são muito bem construídos e agregam valor, nenhum é dispensável. A conclusão, por fim, é surpreendente e perfeita.

O terror do Adolfo

Veredito

Bastardos Inglórios nunca foi o meu favorito do Tarantino. Na minha opinião, o diretor tem talvez uns dois ou três filmes melhores, mas não é uma observação que diminui a qualidade de seu sexto trabalho. O filme tem estilo, personalidade, ousadia e diálogos e momentos que ficam na cabeça de todos os amantes de cinema. Visualmente é o mais bonito da carreira de Quentin. Em relação aos personagens, fica no top 3 sem dúvida alguma. A experiência é divertida e altamente satisfatória, mas achei que pecou um pouco no ritmo entre o segundo e o terceiro atos. De qualquer forma, vale demais a pena, principalmente se você algum dia teve aquele desejo que mencionei na introdução.

Melhor cena da história da sétima arte, quem discorda é nazista

 

>> A Sessão LelecoTarantino começou com Cães de Aluguel…

>> …e logo passou pelo icônico Pulp Fiction!

>> Pela primeira vez, pude acompanhar Jackie Brown,

>> e então conheci a história de Kill Bill, Vol. 1;

>> sua conclusão apenas no Vol. 2.

>> Acompanhei então À Prova de Morte, como nunca tinha visto antes?

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO O FILME. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Muito louco pensar que, no final, somente três dos principais personagens sobreviveram. Queria que o Hans também tivesse tido seu fim, mas foi melhor ainda vê-lo sendo marcado pelo Raine. Realmente foi sua obra-prima.
  • Foda-se, Hitler metralhado e teatro queimando kkkkkkkkktarantino é doido
  • Caralho, meu nível de putasso foi de 0 a 100 em poucos segundos. Quando a Shosanna meteu bala no soldadinho metido lá eu comemorei como um gol. Não bastava ser cuzão no MCU, também foi cuzão no TCU. Quando ele devolveu os tiros na garota por quem se apaixonara, fiquei tristóvski. Antes disso ainda teve a atriz espiã sendo asfixiada pelo Hans Landa, mas confesso que não me importei tanto. Coitada dela, conseguiu sobreviver a um fucking tiroteio e morreu sem ar no dia seguinte. Complicado.
  • Jeitos Idiotas de Morrer #156: ser metralhado por ter pedido uma bebida com os dedos errados. Porra, Magneto.
  • Eu não sei bem por que, mas pra mim a cena do Hans mandando um “au revoir, Shosanna!” é uma das mais emblemáticas do Tarantino. E a sequência de abertura do vilão interrogando o LaPadite é sensacional.
  • GORLAMI. ARRIDEVERCI. GRAZIE. BUON GIORNO. ANTONIO MARGHERITI. Dominic DeCocco. Ah mano, sem palavras pra essa cena.
  • Amo quando um personagem é apresentado e o nome dele fica gigante na tela e então aparecem cenas do seu passado. Um recurso que poderia ter sido mais utilizado, eu não reclamaria.
  • Será que a galera conseguiu os escalpos suficientes? Queria que isso tivesse sido feito com o próprio Hitler, mas vê-lo tendo o rosto desfigurado foi igualmente satisfatório.
  • A cena do assistente da Shosanna queimando os filmes e dando início ao incêndio foi pura arte. A ironia contida ali, a fotografia, a simbologia, tudo.
  • Foda-se, Churchill do nada sentado de boas kkkkkkktarantino é maluco

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Hans Landa (menção honrosa a Aldo Raine)
Christoph Waltz brilha e rouba a cena sempre que está na tela. Uma interpretação brilhante do ator, que parece ter nascido pra aquele papel; não é à toa que venceu o Oscar. Por outro lado, é quase injusto não colocar o protagonista vivido por Brad Pitt no ponto mais alto do pódio, mas a concorrência era muito absurda.

Apenas um dia comum nos negócios

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou do filme. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?