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Orange Is The New Black: 5ª Temporada (2016)

Orange Is The New Black 5

• Rebelião encarcerada

O ano é 2022, e com ele vêm novas oportunidades! Se era pra iniciar o pitaco do jeito mais brega possível, eu consegui. Para começar com o pé direito, escolhi escrever sobre uma ótima série que considero como subestimada no universo do entretenimento. A quinta temporada de Orange Is The New Black é a antepenúltima da obra, e chega com uma pegada bem diferente do normal. Na história em questão, são abordadas coisas que aconteceriam caso os diretores e professores de uma escola decidissem não ir ao colégio, deixando seus alunos fazerem o que quisessem no local. A única diferença é que, no caso de OITNB, as alunas são detentas, e os professores são guardas penitenciários.

 

Sinopse

Eu acho que isso é um tanto quanto óbvio, mas não custa reforçar pra depois não me xingarem por ter dado spoilers sem avisar. Ao longo desta crítica, eu não revelar nada da quinta temporada sem sinalizar. Porém, eu preciso mencionar acontecimentos de temporadas passadas pra construir a sinopse, senão não tem jeito. Ok, vamos lá. Depois da morte de Poussey Washington, Litchfield entra em combustão e as detentas se rebelam contra as injustiças do lugar. Com isso, os seguranças são aprisionados e a cadeia é colocada em cerco. Portanto, cabe aos dois lados chegar em um consenso a respeito de como melhor administrar toda a situação, sem causar novos prejuízos e fatalidades.

Essa aí definitivamente não quer cair na ganDaya

Crítica

A quinta temporada de Orange Is The New Black é a mais diferente até aqui. Apesar das diferentes tramas nas quatro primeiras, havia um certo padrão de ocorrências, um modelo compartilhado. Agora, toda a estrutura da prisão teve alterações. As detentas tomaram conta de Litchfield, e os guardas se viram aprisionados. Desta forma, o alcance dos arcos narrativos ficou consideravelmente maior. Com uma pretensa liberdade dentro de suas jaulas, as personagens podem estabelecer rotinas próprias e isso rende muita diversão.

Como sempre, o roteiro coloca em prática núcleos aleatórios. E não, isso não é uma crítica negativa. Nesta quinta temporada, temos mulheres cheirando pó de café pra ver se ficam chapadas, outras gravando vlogs a fim de ficarem famosas na Internet, e algumas usando drogas e agindo com uma ilusória autoridade. Enquanto isso, um pequeno grupo de pessoas tenta focar naquilo que deu origem à toda a rebelião: a revolta com a morte de Poussey. Liderada por Taystee, a incitadora original dos protestos, uma turma tenta dar o mínimo de dignidade honrando o nome da falecida amiga.

Por esse motivo, o enredo se mantém sério e engraçado ao mesmo tempo, a exemplo das outras temporadas. Os flashbacks seguem aparecendo, e a série fornece tempo de tela pra diferentes personagens com objetivos distintos. E eles são vários. Paz, vingança, justiça, aventura e entorpecimento são alguns exemplos. Assim, a história nunca fica estagnada por muito tempo, proporcionando uma dose equilibrada de reflexão e divertimento.

Por outro lado, o fato de todos os arcos terem uma ambientação em comum, no caso, a rebelião, deixou o enredo um pouco esticado. O cenário caótico de Litchfield funcionou durante um tempo, mas deu pra sentir o desgaste na reta final da temporada. À medida em que os episódios iam passando, ficou óbvio que os conflitos seriam empurrados para os últimos capítulos, tornando o miolo meio fatigante. A curiosidade de saber como acabariam os protestos foi substituída por uma vontade de que eles fossem resolvidos logo.

Algumas personagens evoluíram, mas outras sofreram com histórias fracas. No lado positivo, tivemos Taystee, Cindy e Suzanne. No negativo, tivemos Red e Blanca. Assim como nas duas primeiras temporadas, ficou relativamente fácil de escolher a melhor. Esta temporada talvez tenha sido a mais polarizada em relação às personagens, algo que tem seus méritos e defeitos. Infelizmente, algumas não ficaram de lado como em outras temporadas, mas sim foram “premiadas” com arcos não tão interessantes.

Como de costume, o roteiro foi capaz de tecer suas críticas sociais utilizando sarcasmo e um bom humor seco. Vários paralelos com a vida real podem ser traçados, tornando a obra mais atual do que quando ela foi de fato lançada.

Os terrores do Proerd

Veredito

Orange Is The New Black tem uma característica incomum na televisão. Em incontáveis séries, é possível notar um desequilíbrio gritante entre as temporadas. Com esta aqui, o negócio é diferente. Não há nenhuma temporada extremamente melhor do que as outras, assim como não há nenhuma muito pior. Todas as cinco que eu assisti até o momento estão em um patamar similar; a quarta um pouquinho à frente, a primeira um pouquinho atrás. O quinto ano de OITNB possui suas presepadas e enrolações, mas também ostenta um cenário singular e que rendeu histórias sensacionais. Portanto, é mais uma continuidade no nível de qualidade da obra, embora tenha perdido força em relação à temporada anterior. Nota final: 4,3/5.

Amigas cristãs

 

>> Crítica da 1ª Temporada de OITNB

>> Crítica da 2ª Temporada de OITNB

>> Crítica da 3ª Temporada de OITNB

>> Crítica da 4ª Temporada de OITNB

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber qual exatamente é a nota das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

 

~ OBSERVAÇÕES SPOILENTAS: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • É incrível como a Taystee fez tudo certinho até os 45 minutos do segundo tempo. De repente, deixou o orgulho subir à cabeça e continuou insistindo em algo que tinha dado resultado, mas não o resultado que ela queria. Sim, foi uma merda o assassino da Poussey não ter sido julgado pelo que fez, mas a rebelião tinha rendido muitos frutos. Ainda assim, ela preferiu jogar tudo pelo ralo a aceitar o grande progresso que tinha ajudado a conquistar. Uma pena, realmente.
  • Nossa, fiquei com tanta dó daquele guarda quando ele morreu. Voltando um pouco nas gírias de 2015, “só que não”. Eu acho muito massa quando personagens importantes morrem de maneira não convencional nas mãos de pessoas improváveis. O Trepada morrer com um tiro da Diaz teria sido interessante. Contudo, morrer depois da Kukudio soprar ar no aparelho foi um negócio pra lá de inesperado e irônico, considerando que toda a sua dignidade foi sugada, assim como ele mesmo fez com outras pessoas.
  • Gostei bastante da Boo nesta temporada, e o arco da Linda foi muito melhor do que eu esperava. Não curto nem um pouco ela, mas os seus apuros em Litchfield e o seu romance inesperado com a Boo foram sensacionais de se ver.
  • Sobre a Doggett, queria tanto que ela caísse na real e desse um jeito no Rosquinha, mas o cara acabou escapando apesar de tudo. Grrr.
  • A Frieda é demais, bicho. Ela criou um maldito bunker no meio de uma PRISÃO e passou anos ficando lá sem ninguém perceber, estocando comida e suprimentos. Deu de 10×0 em qualquer personagem de The Walking Dead ou obras semelhantes.
  • Em toda rebelião, sempre têm pessoas como a Gloria e a Maria, né? Uma que se desespera por questões pessoais e outra que coloca seu egoísmo acima de tudo. É difícil julgar a Gloria até porque aquela revolta das detentas já tinha durado tempo demais, e era seu filho em jogo. Por outro lado, a jogada da Maria foi pura sacanagem. Quando pensei que ela tinha salvação, foi lá e estragou tudo.
  • Sobre a contagem de dez pessoas faltando após a rebelião, os números fazem sentido? Porque eram Cindy, Suzanne, Taystee, Piper, Alex, Red, Frieda, Blanca, Nicky e Gloria na piscina. Porém, a Doggett e a Chang conseguiram fugir. Considerando que a Linda não é uma detenta e poderia ter sido contada no lugar de uma das duas, não seriam 11 pessoas faltando? Ou eu perdi algo?
  • Incrível como o Caputo, apesar de fazer algumas merdas, é uma das pessoas mais decentes da série. Ele parecia genuinamente arrependido e com vontade de melhorar as coisas da melhor maneira possível. E gostei dos momentos da Fig, trouxeram uma dinâmica interessante.
  • A Judy King é uma grande personagem, mas o que ela simboliza na vida real é revoltante. Em praticamente nenhum momento, ela sentiu o verdadeiro peso de estar presa. Isso só aconteceu quando as próprias prisioneiras organizaram um motim. É algo irônico em muitas instâncias, e apesar disso tudo ela ainda conseguiu sair ilesa. Pelo menos a Taystee deu um discurso forte em relação a isso.
  • Eu sei que pode não ser uma opinião muito popular, mas lá vai. O Piscatella é uma pessoa desprezível, é claro. Porém, o Pornstache e o Trepada eram bem piores. Foi satisfatório ver o Piscatella morrendo, ainda mais em circunstâncias puramente acidentais, mas o George nunca teve um destino que fizesse jus aos crimes que ele havia cometido. De qualquer forma, pelo menos a galera se livrou do gigante.

 

~ FIM DAS OBSERVAÇÕES SPOILENTAS. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Taystee
Entre as cinco pessoas que faturaram este posto em Orange Is The New Black, Taystee foi a mais dominante. Demostrou resiliência, carisma, força e fragilidade, protagonizando um círculo completo envolvendo a rebelião.

Orange Is The New Black Taystee
A única reação possível ao assistir às apurações das Eleições de 2018

+ Melhor episódio: S05E05 (“Sing It, White Effie”)
Um dos grandes momentos da temporada, e um dos melhores monólogos de toda a série.

Orange Is The New Black Flaritza
Tá pra nascer uma amizade melhor

+ Maior evolução: Cindy
Eu nunca gostei muito dela, sempre a achei debochada demais pro meu gosto. Porém, pra mim ela foi um destaque positivo nesta temporada, e suas intervenções me agradaram bastante. Suzanne também foi muito bem.

Orange Is The New Black Cindy e Suzanne
Filha tomando esporro da mãe

+ Maior decepção: Red
Eu entendi o que os roteiristas quiseram fazer em relação ao seu arco, mas pra mim o desenvolvimento ficou aquém do que poderia ter sido. Basicamente, transformaram-na em um alívio cômico forçado da Marvel. O mesmo aconteceu com a Blanca, que poderia ser colocada aqui como uma “menção desonrosa”. Isso aqui é uma prova de que não precisa ser bobo pra ser engraçado. Diversas outras personagens estão aí pra carimbar essa afirmação.

Chamando um Uber após o fim do rolê

+ Mais subestimada: Frieda
Sempre foi uma personagem que eu queria ver mais a respeito, e na quarta temporada ganhou força. Na quinta, Orange Is The New Black fez justiça a ela.

Orange Is The New Black Frieda
Essa pessoa sobreviveria tranquilamente em um apocalipse zumbi

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?