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Supernatural: 7ª Temporada (2011/12)

Supernatural 7

• Um inimigo fálico

Supernatural é uma série engraçada. Quando eu lembro dos episódios que assisti, o sentimento que me vem é de que foram boas histórias. Contudo, enquanto eu estou assistindo, não é algo que me deixa empolgado pra fazer uma maratona intensa. Aconteceu em relação à sexta temporada, e agora novamente com a sétima. Isso dificulta na hora de escrever um pitaco, porque eu tenho a tendência de fazer revisionismo. Às vezes, penso que uma temporada foi melhor ou pior do que realmente foi, tudo por causa dessa característica. Pelo menos, desta vez eu fiz muitas anotações pra não deixar o tempo ser meu inimigo. Acho que foi uma boa ideia.

 

Sinopse

Castiel é Deus. O anjo simpático se tornou uma divindade arrogante, mas o pior ainda estava por vir. Os Leviatãs, criaturas viciadas em devorar humanos, conseguiram escapar do Purgatório e passam a ser uma ameaça na Terra. Então já sabe, né? Os irmãos Winchester, com a ajuda de seus amigos e companheiros, precisam deter esses malucos que possuem mais dentes do que o Baraka de Mortal Kombat. Tudo fica ainda mais difícil quando um dos Leviatãs assume a forma de Dick Roman, um empresário que desenvolve um plano de como tornar as pessoas mais suscetíveis a virarem refeições.

irmãos e anjo
Hora da faxina!

Crítica

Eu quero começar falando sobre as piadinhas infames com o nome Dick. Simplesmente amei. Sei que é extremamente bobo e que a temporada brincou com isso tantas vezes que pode ter ficado meio enjoativo pra alguns, mas eu não enxerguei desta forma. Talvez seja o espírito 5ª série em mim. Toda vez que algum telejornal colocava coisas como “A Ascensão de Dick” eu ficava rindo que nem um bocó ao lado da minha namorada. Pra quem é mais leigo no inglês, a palavra “dick” significa “pinto”. Sim, é isso mesmo.

Imaturidade de lado, vamos à avaliação da sétima temporada de Supernatural. O nível é bem semelhante ao da sexta. Com um montante de 23 episódios, não tem como a trama principal se manter relevante por tanto tempo, então esquece. Como sempre, os fillers marcam presença. Alguns são bons e criativos, outros são fracos e esquecíveis. Nesse sentido, a temporada acerta tanto quanto erra. A diferença está na ameaça central.

Não vou mentir: lá pros últimos episódios, eu não aguentava mais ouvir falar dos Leviatãs. As piadas do Dick Roman ainda me faziam soltar ar pelo nariz, mas já tinha me cansado daquelas criaturas de boca grande e estômago insaciável. Ainda assim, os capítulos conseguem ser menos dispersos do que na temporada anterior. Na sexta, a impressão era de que os roteiristas não sabiam bem o que fazer pra manter viva a jornada dos Winchester. Na sétima, eles se mostraram mais familiarizados com os personagens.

Paralelamente, há algo que ficou pior em relação à temporada anterior. Enquanto naquela Bobby e Sam estiveram no mais alto nível, aqui ninguém se destaca. Dean sustenta o mesmo modelo de sempre. Frequentemente, ele precisa reforçar a sua masculinidade, ao mesmo tempo em que sofre para lidar com perdas e tragédias. A culpa o rechaça constantemente, e ele julga ser o catalisador de todas as coisas ruins que acontecem. Desde a primeira temporada é assim. O Sam, por sua vez, é desinteressante. Ele tem um breve arco envolvendo Lucifer e, posteriormente, um desentendimento com Dean, mas nada de especial. Já o Bobby fica meio mal aproveitado na história.

Aproveitando que eu mencionei o martírio repetitivo do Dean, Supernatural volta a cometer erros recorrentes. Às vezes, parece que os responsáveis ficam com preguiça de encerrar os “casos da semana” e fazem qualquer coisa pra concluí-los. Isso também acontece com o fim da temporada. Depois de tanta expectativa, a ameaça dos Leviatãs acaba quase subitamente, sem nenhum brilho ou drama.

Além disso, a série definitivamente não sabe escrever personagens femininas. São três tipos de mulheres naquele universo: interesses amorosos, loucas/assassinas/femme fatales e donzelas em perigo. Pode reparar. Sempre que uma garota surgir em tela, com certeza se encaixará em algum desses grupos. A obra até faz algo ligeiramente diferente com Charlie, mas ela é tão cheia de estereótipos que não consegui enxergar como uma coisa estritamente positiva.

A sétima temporada não é grande coisa, e eu nem esperava por isso. É ligeiramente melhor do que a sexta por apresentar uma maior estabilidade. Não me deixou empolgado pra ver a oitava, mas quem sabe eu não queime a minha língua?

Como estudantes de Direito se sentem enquanto fazem faculdade

Veredito

Não assista esperando ver algo genial. Não assista achando que Supernatural retornou à sua antiga glória, e que apresentará personagens cheios de camadas e tramas instigantes. Não assista pensando que será sempre divertido. Entretanto, assista com a noção de que, mesmo depois de tanto tempo, o roteiro ainda é capaz de demonstrar criatividade. Assista sabendo que o enredo é um pouco mais coeso do que na sexta temporada. Assista com a ideia de que alguns episódios valem a pena, seja pelo humor ou pela aventura. Esta é a definição de uma história mediana. Não é espetacular, tampouco catastrófica. Se isto aqui fosse uma escola, a temporada passaria de ano, mas levaria um puxão de orelha da mãe. Nota final: 3,0/5.

A expressão de quem atendeu uma ligação com o DDD 11 e percebeu que era cobrança

 

>> 1ª Temporada de Supernatural

>> 2ª Temporada de Supernatural

>> 3ª Temporada de Supernatural

>> 4ª Temporada de Supernatural

>> 5ª Temporada de Supernatural

>> 6ª Temporada de Supernatural

 

Nota: caso eu tenha usado algum termo desconhecido para vocês, meus queridos e queridas leitoras, não hesitem em acessar esse post aqui, ó: Glossário do Leleco

Nota nº 2: quer conhecer melhor a história do blog e os critérios utilizados? Seus problemas acabaram!! É fácil, só acessar esse link: Wiki do Leleco

Nota nº 3: bateu aquela curiosidade de saber quais exatamente são as notas das temporadas, sem arredondamentos? Se sim, dá uma olhada aqui nesse link. Se não, pode dar uma olhada também: Gabarito do Leleco

Nota nº 4: pra saber sobre quais séries e temporadas eu já fiz críticas no blog, é só clicar aqui: Guia do Leleco

Nota nº 5: sabia que eu agora tenho um canal no YouTube? Não? Então corre lá pra ver, uai: Pitacos do Leleco

 

~ NARRAÇÃO SPOILENTA: NÃO LEIA A NÃO SER QUE JÁ TENHA VISTO A TEMPORADA INTEIRA. O AVISO ESTÁ DADO ~

 

  • Episódio 1: eu tenho preguiça de quando encerram subitamente um arco que poderia ter rendido muita coisa, mas não reclamo do Castiel ter largado a parada de ser Deus e meio que voltado a ser o Castiel. É uma pena que tem um monte de leviatãs do purgatório no seu corpo, mas isso é detalhe.
  • Episódio 2: Castiel tá fora da jogada, mas todo mundo sabe que ele não morreu de fato, né. Bobby e Dean vão atrás dos leviatãs, que parecem imortais. Sam continua sendo assombrado pelo Tio Lucy, e agora tenta voltar à realidade ao apertar um machucado em sua própria mão só pra me dar agonia. Ah, Bobby tá supostamente morto (aham, sei) e os irmãos Winchester estão sendo levados de ambulância pelo mesmo hospital onde reside um dos leviatãs.
  • Episódio 3: Bobby resgata a galera do hospital e Sam vai atrás de um antigo caso dele, uma kitsune por quem se apaixonou na adolescência e que havia sumido do mapa, mas agora voltou a matar. O Dean tá lá com a perna quebrada, mas taca o foda-se a arranca a tala fora pra poder ir atrás do Sam. Em um ataque de hipocrisia, Dean mata a kitsune no final do episódio sem o irmão saber, e depois de Sam ter confiado que Dean não faria nada. A justificativa do Sam de que a mulher lá matou outras pessoas só pra salvar o filho foi um pouco bosta, porque ela ainda assim matou. Porém, o Dean não tinha aquele direito. Foi ridícula sua atitude.
  • Episódio 4: pareceu aquele tipo de capítulo só pra reforçar ainda mais (como se precisasse) a culpa que Dean sente por seus atos. Osíris entra na jogada e organiza um julgamento pra decidir a culpa de Dean, e até a Jo volta pra assombrá-lo. Acaba que tudo dá certo no final porque eles conseguem mandar Osíris pro Além, mas Dean continua mantendo o segredo de que matou a kitsune.
  • Episódio 5: esse foi bem chatinho. Teve uma feiticeira e um feiticeiro, casados, e que no final os Winchester conseguiram resolver o conflito ao fazê-los conversar e resolver seus problemas de casal. Só não entendi por que o Dean não foi atrás de ambos novamente pra tentar matá-los, como fez com a kitsune. Os feiticeiros, muito mais perigosos, continuam à solta e capazes de matar qualquer um que quiserem. Vai entender a lógica.
  • Episódio 6: dois clones do Sam e do Dean começam a matar geral, seguindo as primeiras cidades em que os irmãos caçaram na série. Foi um episódio bem legal, com o Dean imitando o Patrick Swayze. No fim, a verdade sobre a Amy foi revelada pro Sam, e ele ficou nervoso com o Dean (e com razão).
  • Episódio 7: Dean foi investigar uma cidade cheia de supostos videntes, e obviamente o Sam fez a mesma coisa. Descobriram que tudo estava sendo causado por um vidente de verdade, que utilizou o poder de uma outra vidente há muito morta. No final, Dean resolveu dar um sermão no Sam até que ele ficou mais de boa em relação à situação envolvendo a kitsune.
  • Episódio 8: Sam do nada fala pro Dean que está apaixonado e se casou. A esposa? Becky, a garota obcecada por ele, que leu os livros de Supernatural do Chuck. Obviamente, ela o tinha enfeitiçado, e quem estava por trás era um demônio que quebrou as regras de pactos, matando “por acidente” suas vítimas em poucos dias, em vez dos habituais dez anos. Crowley resolveu dar um jeito nele e revelou que está se mantendo longe pra que os Winchester cacem os leviatãs. Neste episódio, um caçador chamado Garth, indicado por Bobby, ajudou Dean a resolver as coisas.
  • Episódio 9: Supernatural ligou o modo full 5ª série e fez um monte de piada envolvendo o nome do Dick, a casca de um dos principais leviatãs. Na trama do episódio, o Dean ficou chapado por causa de um sanduba controlador de pessoas. O Bobby levou um tiro do Dick da forma mais ridícula possível, tentando fugir do local de um jeito todo desengonçado, correndo devagar e indo pro lado errado. Se ele morrer, vou ficar puto.
  • Episódio 10: realmente o Bobby morreu. Então, achei muito bom o tributo que a série fez pra ele. Todo o episódio focado em suas memórias, a aparição do Rufus (eu veria tranquilamente uma série dele com o Bobby, têm melhor química do que Sam e Dean) e o fato de a bala ter atingido o Bobby no mesmo local em que ele mesmo atingiu o pai, quando o matou na época de criança. A última palavra sendo “idiotas” também foi perfeito. O único problema foi a maneira tosca com que o Bobby “se deixou” ser baleado, poderia ter acontecido de modo mais crível. Agora, o que serão os números que o Bobby escreveu na mão do Sam?
  • Episódio 11: Dean, como sempre, tá se remoendo pelas perdas recentes (como se o Sam também não sofresse o mesmo, e com o detalhe de que ele vê Lucifer o tempo todo). Ele trabalhou com o Frank, amigo do falecido Bobby, e descobriu um lote baldio que pertence à empresa do Dick. Sam foi atrás de uma especie de vampira, que na verdade eram duas, e os Winchester foram salvos por uma adolescente revoltada.
  • Episódio 12: mais um episódio temático, e foi bem legal. Dean voltou pra 1944 e encontrou o Eliot Ness. Eles detiveram Cronos com o auxílio de Sam e Jody no presente. Só gostaria de ter visto a série explorar melhor o luto da Jody, pois, afinal de contas, ela teve uma fagulha de relacionamento amoroso com o Bobby.
  • Episódio 13: Dean conheceu uma amazona e teve uma filha com ela, Emma. A garota, que teve um envelhecimento rápido, precisava matar o pai como ritual de iniciação, mas o Sam tacou um tiro na sobrinha. Dean tinha hesitado, e isso fez com que seu irmão o criticasse. Os dois estão bastante perdidos sem o Bobby, e quero até ver como vão fazer pra manter as identidades do FBI.
  • Episódio 14: os irmãos se deparam com um caso em que os medos das crianças ganham vida e atacam adultos. Sam fica apavorado por palhaços e é atacado por alguns, mas Dean consegue resolver a parada antes de dar ruim. E é claro que ele deu aquela boa e velha zoada no irmão mais novo por conta de sua fobia. Classic Dean.
  • Episódio 15: a série faz um flashback de um caso antigo dos irmãos Winchester, onde um cara foi possuído por um demônio e eles o torturaram pra conseguir informação. Quatro anos depois, o demônio volta à cidade e os irmãos descobrem que o mesmo homem estava querendo conjurar o diabo de volta, porque sentiu falta da conexão. No final, tudo dá certo, é claro, mas agora o Sam voltou a ver o Lucifer diariamente em seus pensamentos.
  • Episódio 16: Sam e Dean vão pra uma cidadezinha e descobrem a respeito de alguns objetos amaldiçoados, como um par de sapatos de bailarina. Pensei que a história toda giraria em torno disso. Contudo, haviam dois Leviatãs no local e a mulher teve a cabeça cortada por Sam, após o outro leviatã ajudar. No final das contas, eles descobrem que Dick Roman e seus Leviatãs estão tentando curar o câncer, seja lá por que. Ah, os irmãos vão até a casa de Frank e encontram-na toda bagunçada e ensanguentada.
  • Episódio 17: este episódio foi bem diferente. Em vez de focar no “caso da semana”, a trama girou em volta do Sam sendo mantido em um instituto psicológico por causa das visões com Lúcifer. Ele conheceu uma mulher lá, mas nem sei se isso é importante. Importante mesmo foi o Dean topando com um desmemoriado Castiel, que se intitula Emanuel. Ele recupera a memória e os poderes e suga Lúcifer pra dentro de si, trocando de lugar com Sam.
  • Episódio 18: vai chegando o final da temporada e o enredo vai andando, mesmo com casos da semana. Garth retornou, e os Winchester o ajudaram com um caso de um espírito do álcool. O relevante mesmo foi a confirmação de que o Bobby está na Terra acompanhando os irmãos por meio da garrafa de uísque dele, mas Dean e Sam não sabem disso ainda.
  • Episódio 19: uma antiga caçadora, Annie, é morta em uma mansão recheada de espíritos. Os irmãos são acionados e Bobby enfim aparece para eles. O caso é resolvido, mas Dean fica meio brigado com Bobby por julgar não ser correto seu amigo ter escolhido continuar na Terra e não seguir em frente. Mais um episódio diferente do habitual, e isso é bom.
  • Episódio 20: dá pra sentir a conclusão chegando. Dick finalmente voltou à jogada, e uma nova personagem foi apresentada. Não gostei inicialmente da Charlie, por ela ser um amontoado de estereótipos, mas com o tempo fui curtindo um pouco mais, ainda mais depois da revelação acerca de sua sexualidade (primeira personagem não hetero?). Os irmãos roubaram o que parece ser um barro, e que aparentemente é essencial pro Dick, e o Bobby parece meio descontrolado quando perto de seu assassino (algo bem justificável, né).
  • Episódio 21: vi o nome “Reading is Fundamental” e imediatamente pensei em RuPaul’s Drag Race, mas a história foi um pouco diferente. Um tal de Kevin Tran entrou na história e virou um profeta da Palavra de Deus. Castiel acordou e agora tá numa vibe suave. Meg ajudou os irmãos a fugir de anjos e demônios, e eles descobriram a respeito das fraquezas dos Leviatãs. O problema é que os vilões conseguiram botar as mãos no Kevin, então o final vai pegar fogo.
  • Episódio 22: os Winchester vão atrás do último Alfa restante, um vampiro, pra poder derrotar os Leviatãs. Depois de uma menina enganar os irmãos, todas as partes entram em acordo e o Alfa decide doar sangue por uma boa causa. Bobby tá cada vez mais perigoso, perdendo a humanidade, e o Dick tá com as mãos no Kevin Tran.
  • Episódio 23: foi uma season finale meio chocha, pra falar a verdade. O Bobby enfim desistiu de ser fantasma vingativo e os irmãos queimaram a garrafa. Crowley ajudou os Winchester, mas levou Meg e Kevin pro Inferno. O Dean enfiou um pau no Dick, e finalmente o cara morreu em uma explosão de gosma preta. O problema é que tanto o Dean quanto o Castiel abobalhado foram parar no purgatório, e agora só restou o Sam andando sozinho na Terra.

 

~ FIM DA NARRAÇÃO SPOILENTA. A PARTIR DAQUI PODE FICAR DE BOA SE VOCÊ AINDA NÃO VIU ~

 

+ Melhor personagem: Dean Winchester
Vou dizer na lata que isso aqui foi por eliminação. Bobby e Castiel estão apagados. Dick tem seus momentos, mas não chama a atenção. Sam não apresenta nada de memorável. Dean também não fez nada demais. Porém, seu personagem é naturalmente carismático, e nesta temporada isso foi o bastante pra render o prêmio.

Dean pichador, foda-se

+ Melhor episódio: S07E10 (“Death’s Door”)
Foi o único capítulo que realmente se destacou na temporada, com uma homenagem bonita e um desenvolvimento sensível.

Dick Vigarista

+ Mais subestimada: Meg
Nos últimos episódios, ela aparece com mais frequência e mostra que poderia ser uma peça tão boa quanto foi a Ruby na terceira temporada.

Esta adaga é maior do que o meu braço

 

Ei, você! Tudo joia? Pois é, eu também tô bem. E já que agora temos intimidade, comenta aí o que cê achou da temporada. Opiniões são sempre bem-vindas, e é importante lembrar que nos comentários spoilers estão liberados. Se você não quiser vê-los, corre logo pra assistir e depois volte aqui, beleza?